quinta-feira, 16 de abril de 2009
O Imperialismo não quer a Paz
sexta-feira, 10 de abril de 2009
F.S.M. - A jornada mundial de lutas foi um êxito

A imagem ao lado é de uma manifestação na Grécia, durante a jornada mundial de lutas, convocada pela Federação Sindical Mundial para o passado dia 1 de Abril, p.p.. Algumas centrais sindicais ajustaram a data para dias próximos e, em 45 países, foram realizadas paralisações, greves e manifestações com as reivindicações e objectivos propostos, garantindo o êxito desta jornada pelos direitos dos trabalhadores e contra a exploração capitalista.
Para ver as fotos das acções nos vários países, clicar em http://picasaweb.google.com/wftucentral/April1stInternationalDayOfTradeUnionAction
Trata-se de um novo e importante passo nesta nova fase da vida da FSM, que nos últimos anos vem registando as adesões de importantes centrais nacionais, num processo de alargamento da sua influência, fundada em firmes princípios e práticas de classe, enquanto as centrais mundiais reformistas, nomeadamente a CES e a nova/velha CSI, que vêm perdendo organizações filiadas e registando um claro declinio nas capacidades de iludir e enganarem os trabalhadores, à medida que aprofundam os seus compromissos e conciliação com o grande capital europeu e global.
Na situação actual, de agudização da luta de classes no plano mundial, com o alargamento das lutas operárias e sindicais em numerosos países, este rejuvenescimento e alargamento da actividade da FSM é um factor decisivo que marca a situação internacional.
domingo, 29 de março de 2009
A NOVA CIMEIRA CAPITALISTA E UMA METÁFORA ACTUAL
Dentro de quatro dias tem lugar nova cimeira do G-20, desta vez em Londres, tendo por anfitrião Gordon Brown, um dos mais dedicados defensores da facção imperialista norte-americana, que vem visitando várias capitais dos países que integram o Grupo, esforçando-se por conseguir a quadratura do círculo, isto é, um entendimento e soluções para a crise. Entretanto, nas últimas semanas têm-se multiplicado as declarações governamentais sobre os hipotéticos resultados de mais esta tentativa dos G-20 para consertarem o sistema capitalista mundial, a braços com a sua própria incapacidade para solucionar os múltiplos problemas que a sua crise económico-financeira está a provocar. Uma crise que teve início no sistema financeiro mas cuja origem mais profunda está na baixa persistente das taxas de lucro durante décadas, a par de uma nova etapa de super-produção conjugada com o esmagamento do poder aquisitivo de biliões de assalariados por todo o mundo e o empobrecimento acelerado de vastas camadas da pequena burguesia, consequências da baixa continuada dos salários reais e do estrangulamento financeiro operado pelos cortes no crédito.
Um exemplo esclarecedor do estado actual do sistema e da sua estrutural incapacidade de auto regeneração é a situação dos bancos norte-americanos. No epicentro da crise financeira que empurrou a economia capitalista mundial para o barranco, têm um buraco de 3 triliões de dólares – 3 milhões de milhões -, enquanto os seus activos somam apenas 1,6 trilhões, isto é, estão técnica e literalmente insolventes, falidos.
A autêntica avalanche de recursos públicos entregues aos banqueiros somam já, desde o início da crise, vários trilhões de dólares. Mas, insaciáveis, bancos e outros aglomerados económicos prosseguem na sangria dos dinheiros dos contribuintes. O último orçamento-plano de resgate da economia apresentado pela administração de Barak Obama, destinando um trilião para financiar investidores privados que queiram prosseguir com o processo especulativo, comprando os chamados lixos tóxicos acumulados pelos bancos, nada resolverá além de aumentar ainda mais a monstruosa dívida pública norte-americana.
Ao mesmo tempo, primeiro a Rússia e agora a China, usando declarações que visam pressionar sobretudo os EUA mas que não deixam de intimidar igualmente a EU e o Japão, vêm reclamando uma nova divisa mundial que substitua o papel de comando que o dólar vem desempenhando no mercado mundial. Um rotundo “não”, foi a resposta imediata dos visados, que contaram com o silêncio conivente dos governos dos países seus dependentes. Obama foi mesmo acintoso na recusa, declarando o dólar e a economia norte-americana "a mais forte do mundo, com o sistema político mais estável do mundo", ao mesmo tempo que acaba de decidir o reforço da sua máquina de guerra no Afeganistão, somando aos 17.000 militares já enviados mais 4.000 e centenas de "civis", sob a estafada alegação da necessidade de intensificarem a luta contra o terrorismo e a Al-Qaeda (uma criação dos neonazis bushianos).
Estas intenções de uma verdadeira guerra social têm o mérito de operar uma clara linha de separação das águas entre os dois campos, capital e trabalho.Para a esquerda em geral trata-se de escolher o campo justo, o campo dos trabalhadores e dos explorados, lutando com eles por uma viragem decisiva na correlação de forças, nos planos nacional e mundial, recusando os cantos de sereia dos que a querem conduzir ao pântano da conciliação de classes, à co-gestão com os capitalistas, que vão continuar a anunciar, através dos seus meios de manipulação de massas, que querem moralizar, renovar, reinventar o capitalismo, o bom, o democrático, o social, o ecológico. Escolhendo o campo oposto, tal esquerda estaria a trair-se e a negar-se. E, no campo da esquerda, o segmento marxista-leninista assume naturalmente a maior e principal responsabilidade política, tal como as organizações sindicais de classe são chamadas a desempenhar o papel operacional central, um e outras desempenhando um papel decisivo na renhida luta de classes que se agudizou e intensificou com a actual crise do capitalismo.
De modo semelhante à nossa metáfora, também os sujeitos de esquerda – sejam eles indivíduos ou entidades colectivas (no caso, partidos revolucionários e sindicatos) - , observando e agindo sobre a realidade objectiva desta crise, têm de escolher, no plano subjectivo, se decidem pensar que esta crise vai ser resolvida nos marcos do capitalismo, sendo bastante procurarem resistir, manobrando para não perder muito – isto equivale a ver o copo meio vazio, agindo para que não se esvazie muito mais -, ou se, pelo contrário, considerando que vivemos um período de viragem histórico, decidem alargar e intensificar a luta, travando todos os combates necessários para ganhar terreno ao inimigo de classe, com o objectivo de, aproveitando uma fragilização conjuntural do adversário, alterar a correlação de forças existente num sentido favorável aos trabalhadores e aos povos, na perspectiva do socialismo – isto será ver o copo meio cheio, exigindo-nos todos os esforços e energias para procurarmos enchê-lo o mais possível.
Nenhum de nós pode antecipar o rumo dos acontecimentos actuais, as formas da ruptura que visamos para operar a viragem democrática e patriótica, como se operará a revolução que é nossa obrigação realizarmos. Mas já sabemos que a luta é o caminho e que o sujeito principal desse processo será o movimento operário e sindical de classe, em unidade com as outras classes e camadas sociais igualmente atingidas, sob a direcção política do Partido Comunista Português. Em Portugal, por razões históricas e de classe, afortunadamente e ao contrário de muitos outros países e povos, existe – há 88 corajosos anos - um PCP solidamente organizado e ligado às massas, desfrutando de um prestígio crescente entre os trabalhadores, possuidor de um profundo conhecimento das realidades portuguesas, capacitado com quadros e com ideias para avançar o caminho e as soluções para a gravíssima situação actual. Sendo esta a realidade portuguesa, cumpramos então com honra aquele que é o nosso dever, colocando-nos audaciosamente à frente dos sectores sociais mais avançados, trabalhando para os unir e mobilizar para a acção, para a luta que mudará o infeliz e humilhante rumo actual do país. Confiantes que o povo, escutando a nossa voz, clara nos objectivos e convicta, compreenderá que o caminho apontado pelos comunistas é afinal o seu caminho, o caminho do progresso e da mudança.
Nesta exaltante caminhada, será um grande passo aquele que preparamos para a grande Marcha de Maio. Não permitamos que quem quer que seja - comunista, trabalhador, democrata, patriota - , por ignorância, desconhecimento ou desatenção, subestime a sua importância e a sua responsabilidade, perante os desafios do futuro de um povo que já foi capaz de fazer Abril.
domingo, 22 de março de 2009
NACIONALIZAÇÃO - BANCA, SEGUROS E TODAS AS GRANDES EMPRESAS ESTRATÉGICAS!
Esta tomada de posição do PCP foi praticamente ignorada. Que razões explicam esse silenciamento, essa ausência de polémicas respostas? Talvez por três razões principais, correlacionadas, a saber: 1) manifesta desarticulação no edifício ideológico do actual regime, com evidentes manifestações de orfandade, em consequência do enfraquecimento da acção das grandes centrais imperialistas, a braços com a premente necessidade de cobrirem as tímidas e pífias resposta do sistema à crise que explodiu no seu centro, a par da prioridade de mascararem e fazerem aceitar como inevitáveis as consequências sociais das medidas tomadas para preservar a concentração e centralização capitalistas, com as novas oportunidades para o capital imperialista que a crise lhe proporciona; 2) o termo “nacionalização”sofreu uma transformação radical, quer quanto ao conceito, quer quanto ao seu uso, nestes dias pós-período de arranque da crise, sendo agora admitido pelo capital aquilo que antes lhe soava como uma blasfémia - na condição de ser a sua “nacionalização”, isto é, nacionalizar os prejuízos para logo em seguida “reprivatizar” o que os Estados tenham “nacionalizado”, garantindo de novo e integralmente a sua apropriação privada, com os lucros decorrentes destas operações de esbulho dos povos -, fenómeno que deve fazer hesitar os “analistas” e “comentadores" de serviço, não vão cometer a gafe de criticar os comunistas no momento em que também estes estão contribuindo para vulgarizar o uso da expressão; 3) recurso à sua habitual técnica de silenciamento, tendo por pressuposto que “o que não deu na televisão não existiu”, visando ocultar o natural impacto na opinião pública de uma proposta de nacionalização dos bancos e das seguradoras feita pelos comunistas, considerando os patrões desses meios que abrir discussão sobre a proposta conduziria inevitavelmente à clarificação de que "nacionalização" se trata.
Entretanto, independentemente deste processo de ocultação, por parte das organizações sindicais e dos trabalhadores em geral, tal proposta comunista deve ser saudada e secundada, pela coragem da sua proposição e pelo seu justo conteúdo político, na perspectiva da defesa dos seus interesses de classe e do interesse nacional.
Face à intensificação da ofensiva de classe do grande capital, visando descarregar inteiramente sobre o trabalho as consequências e os efeitos socialmente devastadores da sua própria crise, aos marxistas-leninistas,aos revolucionários, está colocada a instante tarefa de contrapor, dia-a-dia, “taco a taco”as suas posições, análises e propostas transformadoras das realidades presentes.
É oportuno assinalar, neste contexto, as medidas e propostas programáticas do PCP. O nosso Programa de uma Democracia Avançada não é um programa para a revolução socialista. É um programa político, aprovado em 1992, para uma fase de transição entre a situação existente à época e a etapa seguinte, o socialismo. Assim, face à situação actual, que sofreu um contínuo agravamento e que hoje, com a crise sistémica instalada, aponta um aceleramento do processo histórico, é imperioso afirmarmos as suas propostas, pois constituem o caminho que os comunistas apontam aos trabalhadores e ao nosso povo para ultrapassar a crise actual, garantindo direitos e conquistas sócio-políticas que a Constituição consagrou e alcançando transformações progressistas, democráticas e patrióticas e hoje inteiramente colocadas na ordem do dia.
No segundo dos seus cinco objectivos fundamentais ( Democracia Económica), o Programa do PCP, no seu ponto 3., afirma:
“(…)- um Sector Empresarial do Estado – empresas nacionalizadas, públicas, de capitais públicos e participadas – dinâmico, integrado e modernizado, abrangendo designadamente a banca e seguros e os outros sectores básicos e estratégicos da economia ( na energia, na indústria, nos transportes, nas comunicações), com uma estrutura empresarial diversificada, e desempenhando um papel determinante no desenvolvimento das forças produtivas e na aceleração do desenvolvimento económico(…)”
Significa isto que a nacionalização da banca e dos seguros, sendo uma medida central e imediata a tomar por um governo democrático e patriótico - obviamente que não é tarefa para o actual – tem necessariamente que ser acompanhada/secundada pela re-nacionalização de todas as empresas estratégicas até hoje privatizadas no processo contra-revolucionário, designadamente aquelas apontadas no mencionado ponto programático.
Concluindo: às manobras do governo "sócretino", às suas políticas inteiramente votadas a cumprir e aplicar fielmente o receituário e os ditames dos grandes grupos económicos e do imperialismo, os comunistas, acompanhados pelo Movimento Operário, devem propor corajosamente uma política contra-ofensiva, divulgada militantemente entre os operários e todos os trabalhadores, também entre as classes e camadas aliadas, insuflando-lhes assim a coragem, a determinação, a unidade de objectivos, a confiança e a convicção de que “Sim, é Possível!” - pela luta e pela persistência de posições - um outro caminho para os portugueses e para o país. Como a recente jornada do 13 de Março convictamente afirmou.
sábado, 21 de março de 2009
Adenda - jornada internacional de luta da FSM dia 1 de Abril (objectivos)

A classe trabalhadora e os povos do mundo vítimas das políticas anti-laborais exigem mudanças profundas; construir, consolidar e defender as políticas económicas e sociais como alternativas ao capitalismo e ao seu modelo neoliberal de globalização.
- Pela distribuição da riqueza, aumento dos salários
- Contra o trabalho infantil
- Não aos despedimentos, defesa dos direitos sociais e laborais
- Redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, pelo fortalecimento dos sindicatos
-Contra todas as formas de discriminação das mulheres trabalhadoras,dos jovens,dos imigrantes, pela igualdade de oportunidades
- Nacionalização da banca e dos outros sectores estratégicos, como a energia, soberania alimentar sob controle social
- Fim imediato das guerras, fim dos fundos para a OTAN e armamentos militares; que esses recursos sejam investidos na produção para gerar emprego e para o desenvolvimento dos povos
- Não às repressões e aos assassinatos de dirigentes sindicais e lutadores sociais
- Pela retirada imediata e sem condições das forças militares de ocupação do Iraque, Palestina e outros países árabes assim como do Afeganistão
- Pelo pleno respeito da soberania e livre autodeterminação dos povos
Organizemos acções nos locais de trabalho e nos sectores profissionais.
Que no dia 1 de Abril cada sindicato escolha a sua forma de acção.
quarta-feira, 18 de março de 2009
1 DE ABRIL - JORNADA DE LUTA DA FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL
A FSM reafirma assim os acordos estabelecidos na recente conferência sindical realizada em Lisboa, Portugal, em 15 e 16 de Dezembro de 2008, os quais afirmam o objectivo de promover a realização e convergência na mobilização e acções de luta, à escala internacional, para o próximo 1º de Abril.
"A classe trabalhadora e os povos do mundo vítimas das políticas anti-trabalhistas exigem mudanças profundas; construir, consolidar e defender as políticas económicas e sociais como alternativas ao capitalismo e ao seu modelo neoliberal de globalização. Somente a acção unitária dos trabalhadores/as e as forças progressistas, sob princípios de classe, poderão impedir mais exploração e precarização do trabalho", afirmam no seu comunicado.
De acordo com a Federação, apela-se a todos os países para que realizem acções e actividades referentes à jornada de luta. O objectivo é construir uma agenda conjunta de mobilização mundial pelos direitos dos (as) trabalhadores (as).
Nestes últimos dois meses, a crise do sistema capitalista agravou-se continuamente, com todas as previsões dos próprios dirigentes ao serviço do capital projectando já para 2010 a fantasiosa etapa da recuperação das economias mundiais. Na verdade, sem soluções para a sua própria crise, resta-lhes o recurso estafado da manipulação para evitar que os povos se apercebam do quadro de sofrimentos e de miséria generalizada que preparam, com o único propósito de garantirem uma ainda maior concentração e centralização do capital, à custa dos trabalhadores e de todas as classes e camadas não-monopolistas.
Reagir enérgica e corajosamente nesta fase, denunciando as manobras dos governos de serviço e mobilizando para a luta por objectivos sociais e políticos próprios, propondo medidas de ruptura e de viragem, recusando as falsas soluções no quadro do capitalismo e afirmando o socialismo, são tarefas urgentes e inadiáveis para todos os militantes e organizações revolucionárias.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Democracia Participativa e Democracia Representativa
Então, como deveremos difundir a nossa concepção de democracia, para os tempos presentes como para os tempos seguintes, da construção socialista? Para simplificar e resumir, devemos tomar de empréstimo uma conhecida fórmula publicitária, de uma marca de ferramentas, propondo: "Na política, 'Faça você mesmo' - Não aliene os seus direitos para os outros". Ou seja, devemos propor aos trabalhadores e às massas populares que não mais devem aceitar delegar, em duas centenas e meia de indivíduos e por quatro anos, a totalidade da sua representação política, a defesa de todos os seus direitos, a gestão de toda a sociedade portuguesa, a defesa da soberania e dos interesses nacionais. Ao contrário, os trabalhadores e o povo devem criar novas formas de organização e intervenção políticas, assentes na sua participação directa e constante, sustentada num modelo participativo/representativo que parta da base para o topo e não o inverso.
Decorreram já dezasseis anos desde o XIV Congresso do PCP, onde foi aprovado o Programa do Partido em vigor. Do seu III capítulo ( o Socialismo, Futuro de Portugal), transcrevo três parágrafos inteiramente actuais:
"A democracia avançada no limiar do século XXI que o PCP propõe ao povo português visa resolver muitos dos mais graves problemas actualmente existentes. Mas a liquidação da exploração capitalista, o desaparecimento geral e efectivo de discriminações, desigualdades, injustiças e flagelos sociais é tarefa histórica que só com a revolução socialista é possível realizar."
"A experiência [na construção da sociedade socialista] revela ainda que para impedir um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza - são essenciais o exercício efectivo do poder pelo povo, o controle popular e a consideração permanente do aprofundamento da democracia"
"A experiência revolucionária mundial, assim como a experiência da revolução portuguesa, já mostrou que, na construção de uma nova sociedade, a iniciativa e a criatividade das forças revolucionárias e das massas populares contém imensas e por vezes inesperadas potencialidades e que as soluções adoptadas pelo poder político, além de deverem estar permanentemente sujeitas a fiscalização institucionalizada, carecem de ser aferidas pela prática e de serem sujeitas a mudanças e correcções que a vida e a vontade dos povos imponha ou aconselhe".
domingo, 1 de março de 2009
Eleições em democracia do capital
Muitas razões, e acertadas, foram já expostas nesse texto, procurando percebermos o porquê dos portugueses continuarem a entregar o seu voto aos partidos que, eleição após eleição, vão traindo as suas aspirações a uma vida melhor e mandando às urtigas as promessas feitas. Mas penso que existem mais razões e, da sua mais alargada exposição, podemos colher todos mais rigorosas e justas avaliações sobre o nosso próprio povo. Estas linhas são uma tentativa de contribuição nesse sentido.
Falamos frequentemente - e bem! – nos malefícios que quarenta e oito anos de fascismo originaram na consciência cívica e política dos portugueses. Mas é-nos necessário avaliá-los na sua exacta dimensão. Um episódio vivido pelo camarada Álvaro Cunhal e por ele posteriormente relatado, espelha bem esse condicionamento. Perdoem citar de memória e decerto com falhas, mas a situação passou-se numa região rural, durante uma campanha eleitoral, num diálogo entre o camarada e um grupo de agricultores. Depois de discutirem as condições de exploração a que eram sujeitos, com o camarada expondo as posições e propostas do Partido, já no final, quando do apelo a que votassem na CDU, um dos agricultores afirmou: “Sr. Dr., nós reconhecemos que a vossa política é a que melhor nos defende, mas o que quer, na hora de votar, a mãozinha foge-nos para a direita…”. Penso ser um testemunho rico do condicionamento que o anti-comunismo opera nas mentes das pessoas menos letradas, mais desguarnecidas de instrumentos de defesa para uma melhor avaliação de quem é quem e o que defende no universo das formações políticas.
Estas debilidades induzidas verificaram-se logo nas primeiras eleições livres (Constituinte, Abril de 1975), num quadro político ainda muito influenciado pelo 25 de Abril e suas transformações revolucionárias, com o Partido usufruindo de enorme prestígio, com todos os partidos afirmando serem pelo socialismo (que gente sem carácter!). Nessas eleições, registando embora um grande resultado eleitoral, o PCP ficou atrás do PS e do PPD(depois PSD). Foi um duro batismo de fogo, em eleições, para os comunistas, quando tantos de nós esperavamos resultados bem maiores. Lição dura, mas que nos “vacinou” contra falsas ilusões para os anos e batalhas seguintes, embora camaradas há que, tomando o que seria justo acontecer pela realidade, ainda hoje por vezes se deixam entusiasmar em excesso…
Dos males que estes últimos 33 anos provocaram nas mentes, e a deformação que produziram nas consciências, talvez não seja necessário dizer muito mais. O anti-comunismo foi reinventado e explorado até aos limites da bestialidade e do absurdo, mas agora pelos “democratas” que se reclamavam (e têm a desfaçatez de se reclamarem todos os anos) serem todos pelo 25 de Abril. Os dias actuais aí estão, a evidenciarem que a Democracia de Abril foi esmagada, sucedendo-lhe uma ditadura do grande capital mascarada de “democracia política”.
Falemos agora também dos meios financeiros disponibilizados para cada partido político. De novo vou recorrer a mais um episódio do real. Há alguns anos, numas eleições autárquicas, o grande capital imobiliário, unido ao capital corrupto do jogo, decidiram usar o PS para “ganharem” a Câmara de Cascais, pois o PSD estava desacreditado e a CDU revelava-se uma força em crescimento. Também nesta ocasião – como ainda hoje, como se acaba de confirmar – foram buscar um ex-filiado no Partido (J.L.Judas) e colocaram-no à cabeça da lista do PS. Quem viveu essa campanha por dentro, e até as pessoas em geral, lembramo-nos bem dos colossais meios financeiros colocados à disposição da candidatura do PS, numa dimensão nunca vista; os cartazes, os folhetos (em papel couchê), os out-doors, os carros de som às dezenas por cada freguesia, os video-walls, os espectáculos, as iniciativas, os coqueteis; a compra directa de pessoas e apoios, com “donativos” a colectividades, a grupos musicais e outras instituições, etc, etc. Nunca saberemos o total real das verbas do “investimento” envolvidas. Mas para nós, comunistas, uma conclusão ficou clara: Gastaram mais numa campanha “do” PS, num só concelho, que nós CDU não tinhamos para gastar nos 307 concelhos em todo o país! Foi mais um poderoso ensinamento. Com os recursos financeiros que o grande capital entrega aos partidos que o servem, fica violada a regra fundamental da igualdade entre as forças concorrentes à eleição, com óbvio prejuízo para o partido da classe operária e de todos os trabalhadores.
Que papel e consequências desempenham os chamados Orgãos de” Comunicação Social”, de facto orgãos de manipulação social? Que programação seguem, designadamente os canais de televisão – os por cabo incluídos - ao longo dos dias, meses, anos, durante as três últimas décadas? Quais os programas informativos-formativos-educativos? Qual a ocupação nas grelhas, durante os períodos de maior audiência? Que pluralismo praticam nos blocos de “informação”? Que critérios de selecção de temas e que composição nos paineis dos debates? Que comentaristas, residentes e convidados? Que isenção, seriedade, independência, idoneidade dos seus profissionais? Pior, que orientações das direcções e das impostas chefias redactoriais? Francamente, penso que chegam estas interrogações e as respostas a darmos-lhes para que resulte brutalmente evidente a completa ausência de métodos e práticas efectivamente democráticas na generalidade dos grandes meios de Imprensa, seja a escrita, a audio ou a audiovisual. As repercussões profundamente negativas deste quadro, na formação de uma opinião que deveria ser crítica e fundamentada, são por demais óbvias.
A iletracia, outro factor decisivo. Que práticas de leitura, que meios bibliotecários estão disponibilizados às populações, que programas educacionais no pós-ensino básico obrigatório, que estímulos ao estudo e à busca do conhecimento são fomentados, que apoios na aquisição de livros? Mesmo para a minoria de pessoas que pode prosseguir os seus estudos, a degradação generalizada do conteúdo dos cursos e do Ensino em geral é de há muito uma tristíssima e penosa evidência, com profundas consequências na formação das camadas da “inteligência” nacional. A completa ausência de uma democracia cultural, que permitiria o acesso e fruição aos meios da cultura e das artes, a par de um baixo índice de desenvolvimento, completa um quadro muito adverso às escolhas políticas esclarecidas e conscientes.
A terminar, passadas assim em revista mais algumas das condições objectivas, duas palavras sobre o factor subjectivo presente em todas as eleições. Por oposição a todas as restantes formações políticas, todas elas integrantes da ideologia burguesa dominante – embora com grandes investimentos na mistificação de procurarem aparecer como diferentes, fomentando a impossibilidade de uma real escolha para os eleitores – nós, os comunistas, constituimos a formação política que denuncia e trabalha para a desconstrução/destruição do sistema estabelecido e sua substituição por um sistema totalmente novo. Nunca o escondemos, somos a única estrutura partidária que se coloca “de fora” do sistema, recusando participar na sua reforma, antes apontando a escolha – nova e arriscada – de um caminho totalmente novo e desconhecido. Mais: contrariamente às práticas mentirosas, fraudulentas, demagógicas, vendilhonas, que são o traço genético de todos os outros partidos, nós usamos a verdade como um instrumento político fundamental de toda a nossa actividade, tendo inscrito profundamente na nossa matriz a recusa, em todas as circunstâncias, dos procedimentos oportunistas/manobristas. Inteiramente coerentes com a nossa ideologia e com os nossos propósitos revolucionários, não poderia ser de outra maneira.
Aqui chegados, sinto uma vontade irreprimível de vos perguntar: acham, seriamente, ser uma escolha fácil para a generalidade dos eleitores o voto em nós? Por mim, respondo: votar em nós, não só é uma opção extraordinariamente difícil e exigente, como também revela da parte de quem nos escolhe e elege um já razoável grau de adesão às nossas concepções, são já homens e mulheres aos quais, em boa medida, poderemos chamar “novos”. Votarem em nós, defrontando as condições descritas, ultrapassando hoje a quase completa falta de liberdade política nas empresas, arrostando com as consequências que os caciques locais descaradamente ameaçam, vencendo a total ausência de uma real democraticidade quanto aos meios e à igualdade de tratamento informativo, mesmo assim votarem em nós, é obra!
Termino, com uma citação chocarreira, que há uns bons anos vi inscrita nas paredes, penso que da autoria dos anarquistas, que dizia: “Se as eleições fossem boas para os trabalhadores, a burguesia já tinha acabado com elas”. A ideia, independentemente dos autores, merece reflexão. Entretanto, disputemos as batalhas políticas eleitorais com redobrada força, usando as nossas armas do esclarecimento e da persuasão, estreitando os nossos contactos com todos aqueles que nos rodeiam. Sem ilusões, quanto aos nossos limites, mas convictos que quaisquer que sejam os nossos resultados, o nosso trabalho e militância estarão, sem margem de dúvida, integralmente neles contidos. Tal como os explorados só têm a sua força de trabalho para sobreviver, também nós só devemos confiar nas nossas próprias forças e no apoio dos nossos amigos e simpatizantes. E, irmos à luta, pois ganharemos sempre.
Para um próximo escrito, deixo a tarefa de ensaiar uma forma de democracia e de consulta eleitoral adequada aos tempos presentes e ao nosso projecto político – o socialismo. Fieis ao marxismo-leninismo, não nos basta fazer a análise crítica à democracia burguesa; é-nos indispensável termos o nosso próprio modelo e afirmá-lo ao nosso povo. Cada dia que passe, com maior urgência.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
O agravamento da crise e a resposta revolucionária
Por parte das estruturas dirigentes do capitalismo, após os fiascos de Davos e do G-7, os meios de manipulação social globais prometem às "opiniões públicas" que a solução pode agora estar no G-20, mas tais promessas visam únicamente empatar e dar mais tempo - mais tempo alarga a capacidade de manobra -, tempo que não corre a favor do sistema, sendo já hoje evidente que nova reunião dos vinte mais ricos nada vai adiantar, pois as dinâmicas económico-financeiras desencadeadas pela crise já estão para além das possibilidades de controle e correcção.
Na sua fase inicial, acreditaram que bastaria o esbulho dos recursos dos estados, entregues de bandeja aos bancos, a pretexto da necessidade de "injectar liquidez" no sistema; a seguir, jogaram em novas entregas de bilhões a grandes conglomerados económicos, a par de novas benesses fiscais; depois, "nacionalizações" de bancos e de "lixos tóxicos" financeiros; actualmente, programas de parceria estados-monopólios, com a entrega de mais bilhões, a par de planos neokeynesianos de investimentos públicos, destinando-lhes verbas irrisórias perante a dimensão do descalabro que atinge as economias reais.
Os dados que vão sendo revelados apontam para a passagem de um quadro de estagnação para o de uma regressão em fase de aceleração. As quebras na produção industrial atingem os dois dígitos, nos meses de Dezembro e Janeiro; as estimativas para os PIB dos BRICS caem todas as semanas; EUA, UE, Japão, antes as economias "tractoras", dão agora mostras de estarem crescentemente incapacitadas de sairem do buraco.
No plano social, o desemprego cresceu nestes dois últimos meses mais de três milhões de desempregados, com a insuspeita OIT a anunciar que no decurso deste ano tal aumento pode atingir os 50 milhões de novos desempregados. A drenagem de fundos para os bolsos dos banqueiros coloca em risco a solvibilidade dos estados mais pobres, com a paragem dos investimentos públicos e o perigo de quebra nos compromissos sociais, designadamente no pagamento das pensões e subsidios da segurança social. A miséria e a indigência generalizadas são cada dia mais visíveis no horizonte dos povos.
Que conclusões e decisões devem ser extraídas deste novo quadro, simultâneamente marcado pela incapacidade congénita do capitalismo em ultrapassar a sua própria crise estrutural, e, pelo brusco agravamento da situação social e política, com clara indicação que se vai aprofundar e generalizar rapidamente ao conjunto das condições de vida - melhor, de sobrevivência -atingindo centenas de milhões de seres humanos?
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Uma opinião sobre as propostas de Renato Rabelo/PCdoB
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
(...)A crise das experiências socialistas mais importantes do século 20 -- que levou ao fim da União Soviética e dos países socialistas do Leste europeu e à sobrevida do capitalismo -- impuseram aos comunistas e às forças revolucionárias um imenso desafio histórico de resistência, análise critica autocrítica e de renovação, na busca de nova alternativa civilizacional contemporânea. (...)
(...)O PCdoB avalia que o êxito da nova luta pelo socialismo está na correspondência do desenvolvimento e atualização do pensamento avançado, revolucionário, que responda às exigências da nossa época e aos anseios fundamentais dos trabalhadores e das massas populares.(...)
(...) É possível forjar um acervo inicial que permita construir uma teoria revolucionária para o nosso tempo.Teoria baseada nos ensinamentos mais positivos retirados: 1) Das experiências socialistas do século passado, 2) Da experiência atual dos países socialistas que não sucumbiram à contra-revolução, mas, mantiveram suas instituições surgidas da revolução e reafirmaram a perspectiva socialista e, também, 3) Das experiências recentes do processo inicial de luta progressista e revolucionária na América Latina, e em outras frentes de luta avançadas.
(...)Da rica experiência da construção socialista do século passado o PCdoB sacou a justa idéia de que não há modelo único de caminho socialista e de que a passagem do capitalismo ao socialismo requer um período de transição, que se inicia com a conquista do poder político nacional pelas classes sociais que formam a maioria da nação, interessadas nesse trânsito.(...)
Atualização do Programa de Transição ao Socialismo
A discussão da questão da alternativa, a construção de nova alternativa que derrote o salvacionismo conservador, defensor de uma ''reforma'' neoliberal, ou supere também as agendas de soluções intermediárias, que defendem à volta de um sistema que regule (domestique) o capitalismo é o desafio maior para os comunistas e defensores do caminho transformador, revolucionário. Porque o capitalismo, nas condições históricas atuais, está mais para a barbárie do que para o avanço civilizacional.Este desafio maior consiste na elaboração e desenvolvimento de um Programa de transição ao socialismo, voltado para as condições históricas contemporâneas, tendo como foco resolver os grandes impasses estruturais atuais que se resumem em: definir, defender e concretizar um Programa (Agenda) civilizatório, de avanço civilizacional, que barre o retrocesso social, exerça a afirmação das soberanias nacionais e a superação da dependência econômica e tecnológica, defenda o espaço nacional, construa um desenvolvimento sustentável, lute por uma nova ordem mundial, com ênfase na solidariedade entre os povos, na igualdade entre as nações e na preservação da paz mundial.Está no centro desse Programa (civilizatório) de transição ao socialismo a defesa e conquista de um novo tipo de Estado, essencialmente democrático, expressão de um pacto político de forças avançadas, sustentado numa base social popular, de unidade com as camadas médias, em composição com os setores capitalistas que contribuam para o desenvolvimento das atividades produtivas. Estado distinto do Estado de tipo liberal, ou o velho Estado da sociedade industrial do século 20, que se transformou em Estado do capitalismo monopolista e hoje é expressão da casta dominante beneficiária da financeirização.Em termos gerais podemos assinalar (conforme anseios avançados de nossa época) que esse Estado de novo tipo poderia destinar em torno de 2/3 do excedente econômico para um fundo público, teria uma jornada de trabalho que progressivamente poderia cair para quatro horas diárias, durante cinco dias por semana, ingresso no mercado de trabalho aos 25 anos, educação ao longo da vida, 12 horas semanais no local de trabalho, ampliação do tempo destinado à cultura e ao lazer, universalidade da proteção social (investimento em saúde, educação, pleno emprego, gasto com a previdência e assistência social).A base material necessária à sustentação de novo patamar civilizatório global já existe. É crescente o ganho de produtividade (física e imaterial) originada do capitalismo desde o começo do século 20.Por isso, o avanço civilizacional não é possível nos marcos das relações de produção, de propriedade, de distribuição, gerados pelo capitalismo, pela sua divisão internacional do trabalho, pela sua atual ordem mundial imperante. A definição e aplicação de um Programa que abra caminho para o renascimento civilizacional contemporâneo, que sintetize o progresso civilizatório e seja convergente com uma nova ordem mundial solidária, equitativa e de paz deve se consubstanciar num Programa moderno de transição ao socialismo.''
Antes de prosseguir, duas questões prévias é necessário colocar: 1) No âmbito da sua acção nacional, todos os PC,s determinam as suas estratégias e as suas tácticas em função da realidade própria de cada país e povo e em função da análise que fazem a essa mesma realidade; 2) No âmbito teórico, tratando-se do comun sistema de teorias a que chamamos todos marxismo-leninismo, e, especialmente na sua aplicação geral, tendo como objectivo interpretar e propôr linhas de orientação de carácter multinacional ou mundial, aí todos somos convocados a avaliá-las, a debatê-las, abertos que devemos estar a considerar fraternalmente as opiniões dos nossos camaradas.
Nesta ordem de ideias, e neste blog cuja génese foi discutir a relevância do factor subjectivo na acção revolucionária contemporânea, fica combinado intentar no próximo escrito uma análise possível àquelas citadas afirmações de Renato Rabelo.

