SÓ NÃO SE ENGANA QUEM CEDE AO MEDO DE CAMINHAR NO DESCONHECIDO - SÓ SE PERDE AQUELE QUE NÃO ESTÁ SEGURO DO RUMO QUE ESCOLHEU.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Marx e o debate político-ideológico hoje em curso (I)



Há já algum tempo, aqui ficou enunciada a necessidade de tratar um aspecto particular do confronto ideológico que actualmente se trava e que opõe, nas designações utilizadas pelos contendores, espontaneismo e voluntarismo. Trata-se de um confronto de ideias sobre a acção política que, como sempre ocorre quando se recorre à simplificação do uso dos "ismos", não exprime toda a luta de concepções que se vem travando. Presentemente este debate tem relevância, sendo observável tanto na "velha" Europa quanto na "nova" América, pois espelha bem as diversas interpretações sobre as realidades objectivas em cada país. No Brasil, o embate está muito vivo, também pela circunstância de estarem convocados os congressos e conferências de vários partidos.
Antes, porém, é necessário tratarmos uma questão prévia, a saber, o uso das citações clássicas do marxismo no debate, seu carácter legítimo e ilegítimo. O pensamento e ensinamentos dos nossos clássicos - refiro-me a Marx, Engels e Lénine - são absolutamente indispensáveis na luta que os comunistas travam para a construção do socialismo e do comunismo. Assim sendo, citá-los no debate das ideias é-nos legítimo, como recurso argumentativo. Entretanto, este recurso exige que recorramos a ele observando uma condição essencial: não desvirtuar nem mistificar o pensamento e as ideias dos criadores do marxismo-leninismo. Considero que é um dever intelectual e moral de todos aqueles que pretendam discutir o património teórico marxista, por maioria de razões um dever político para todos os comunistas.
No texto e transcrições que vamos utilizar nesta primeira parte do post, pretende-se analisar uma "muleta" teórica hoje frequentemente esgrimida - na minha opinião, errada e ilegitimamente - pelos que defendem posições espontaneístas. Trata-se de uma conhecida frase, com a qual Marx inicia o seu escrito "O 18 de Brumário de Luís Bonaparte", cujo significado real desmente aqueles que abusivamente a usam:

"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam directamente, legadas e transmitidas pelo passado."

Datado de Março de 1852, o “18 de Brumário” é um brilhante exercício de interpretação política dos conturbados acontecimentos vividos pela França, nesse período das revoluções proletário-burguesas da Europa, na viragem da primeira para a segunda metade do século XIX. Uma análise crítica certeira, centrada nos comportamentos e escolhas dos seus principais protagonistas - classes, partidos, personalidades dirigentes, orgãos do Estado - interpretando criticamente a tendência dos homens para, na sua actividade política, usarem as máscaras míticas e heróicas das gerações passadas. Neste escrito, Marx exorta-os exactamente a caminhar pelos seus próprios pés, a desembaraçarem-se das subjectivas amarras ao passado; afinal, a transformar o real dado com as suas próprias novas ideias e novas convicções políticas, assegurando-lhes que só assim poderão progredir até novos estádios do desenvolvimento humano.
Para elucidar o verdadeiro significado daquela frase, nada melhor que recorrermos ao próprio Marx, prosseguindo com a sua leitura. Imediatamente a seguir à clássica fórmula, após um ponto final e continuando o seu mesmo primeiro parágrafo, escreve ele:
"A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestados os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de se apresentarem nessa linguagem emprestada.”

Entretanto, talvez o sentido e significado mais profundos e óbvios daquela frase inicial de Marx - num escrito todo ele claramente virado à análise dos factores subjectivos da luta e não dos seus factores objectivos - estejam afirmados naquilo que ele escreve algumas linhas adiante:
"A revolução social do século XIX não pode tirar sua poesia do passado e sim do futuro. Não pode iniciar sua tarefa enquanto não se despojar de toda veneração supersticiosa do passado. As revoluções anteriores tiveram que lançar mão de recordações da história antiga para se iludirem quanto ao próprio conteúdo. A fim de alcançar seu próprio conteúdo, a revolução do século XIX deve deixar que os mortos enterrem seus mortos."

E, objectivando o que entende que deve ser o papel a desempenhar pelo proletariado, fazendo sobre esse papel uma avaliação agudamente crítica - aliás, em consonância com a linha geral do seu raciocínio -, mais à frente afirma:

"Por outro lado, as revoluções proletárias, como as do século XIX, criticam-se constantemente a si próprias, interrompem continuamente o seu curso, voltam ao que parecia resolvido para recomeçá-lo outra vez, escarnecem com impiedosa consciência as deficiências, fraquezas e misérias de seus primeiros esforços, parecem derrubar o seu adversário apenas para que este possa retirar da terra novas forças e erguer-se novamente, agigantado, diante delas, recuam constantemente ante a magnitude infinita de seus próprios objectivos, até que se cria uma situação que torna impossível qualquer retrocesso e na qual as próprias condições gritam: 'Hic Rhodus, hic salta!' " (1)

Evidentemente, a leitura integral deste escrito clássico de Marx é indispensável. As citações foram longas (peço a vossa tolerância), mas entendi-as necessárias e úteis para tentar demonstrar como é erróneo – e entre nós, politicamente, abusivo -, procurar colocar na boca de Marx, citando-o, aquilo que manifestamente ele não disse, nem tão pouco a sua leitura integral nos autoriza a deduzir. Como se tivesse dito algo do género: os homens - no caso, os comunistas - devem aguardar passivamente que as condições políticas surjam espontaneamente do desenvolvimento material das sociedades humanas, rejeitando analisá-las nas suas dinâmicas concretas e à luz da sua própria experiência, conhecimentos e estudo.
Isto é, como se Marx lhes propusesse que desistissem do exercício da sua própria análise, da sua vontade e razão próprias, abandonando o seu direito e o seu dever de apontar aos trabalhadores, aos explorados, qual deva ser o seu próprio caminho, deixando-os entregues ao espontaneísmo das suas acções de protesto, da reivindicação económico-sindical, de atitudes de revolta pontuais e inconsequentes. Numa palavra, desistindo da revolução.

Toda a obra científica de Marx afirma o primado do objectivo sobre o subjectivo, apontando-nos constantemente que é o ser material que determina a consciência e não o inverso, tornando indispensável o estudo concreto do desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção na sociedade. Mas, simultaneamente, o seu pensamento é um permanente e exaltante apelo à interpretação e à transformação das condições objectivas, pela reflexão e pela acção revolucionária dos homens e das classes. Já na sua época, ele defendeu com veemência que a tarefa prioritária dos comunistas, mais (e depois) que interpretar o mundo, consiste em transformá-lo. Sabendo nós que este caminho é árduo e longo, a única atitude certa é pôr-mo-nos desde já a caminho. E assegurando previamente o rumo certo da caminhada.
Uma vez esclarecido o que considero ser o sentido real daquela máxima de Marx, deixemos então para um texto seguinte a análise ao debate actualmente em curso, entre espontaneismo e voluntarismo, um debate limitado e que afinal mascara e ilude posições e objectivos políticos bem mais vastos.

(1) N. do T.: Originalmente, a expressão era “Hic Rhodus, hic saltus!” e aparecia na fábula Viajante Fanfarrão (também conhecida como Atleta Fanfarrão), de Esopo. Nela, um atleta que era muito criticado pelo seu desempenho físico viaja para Rodes e, no retorno, diz que fez o maior salto já visto e que tinha testemunhas lá para provar. Então, um de seus interlocutores responde-lhe para ele imaginar que estava em Rodes e fazer o salto, dizendo para o atleta: “Hic Rhodus, hic saltus!”.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Eppur si muove!" - Greves metalúrgicas no Brasil


Notícias recentemente publicadas na Imprensa, a propósito das greves dos metalúrgicos nas regiões de São Paulo e de Curitiba (Paraná), em luta por aumentos salariais, forneciam dados muito interessantes para quem, como é o caso do autor, buscam conhecer mais e melhor a realidade brasileira, particularmente o seu proletariado.

Os números, pela sua dimensão, impressionam. As greves, complementadas com manifestações nas ruas das cidades e concentrações frente às empresas, mobilizam muitos milhares de operários. Na região de São Paulo, pelo menos, 14 mil trabalhadores de três empresas montadoras de veículos automóveis - Ford, Mercedes-benz, e Scania - além de outras empresas de auto-peças. No interior de São Paulo, 8.300 0perários da GM, de São José dos Campos; em Taubaté, 7.200 operários da Volkswagen e da Ford, e 2.000 metalúrgicos de auto-peças; em S. Bernardo, a Toyota, bem como autopeças de Diadema - Autometal, TRW e Delga. No Paraná, 2.600 trabalhadores da Volvo, na capital Curitiba, cerca de 5.000 trabalhadores da Renault-Nissan e 3.500 da Volkswagen-Audi.

O patronato, como é seu hábito, ou não divulga as consequências da greve na produção ou minimiza-as. São os casos da Ford e da Mercedes-Benz. Nesta última, são produzidos em média 220 veículos - 60% são caminhões e 40% autocarros. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos responsável pela convocação da greve na Scania, entre as 7 e as 9h deixaram de ser produzidos 12 caminhões, sendo a produção diária 43 unidades, em média; na Renault-Nissan e na Volkswagen-Audi, em oito dias de paralizações, as duas montadoras deixaram de produzir 8.600 veículos.

As reivindicações de aumentos de salários, variam entre os 10% e os 14,65%, com índices menores para os trabalhadores que recebem acima de 6.000 reais. Reivindicam mais um abono, que varia entre 1.450 e 2.000 reais. Os salários médios andam em torno dos 4.800 reais pagos pelas montadoras e 3.500 reais pelas empresas de autopeças. Ao câmbio actual (1 euro/2,65 reais), são salários equivalentes a, respectivamente, cerca de 1.800 e 1.700 euros. Entretanto, no Brasil, com um serviço público de saúde um pouco pior que o existente em Portugal, são frequentes os planos de saúde (privados) que as empresas "pagam", bem como subsídios de alimentação e transportes, o que eleva substancialmente aqueles montantes.

Nalguns casos, os sindicatos já acordaram com as empresas, geralmente um pouco abaixo dos valores reivindicados. Parados desde o dia 4, os metalúrgicos da Renault conseguiram 8,65% de correção salarial a serem pagos ainda em setembro, além de um abono de R$ 2 mil. No cálculo estão incluídos 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), 3% de aumento real, além da efetivação de 1% de correção que tinha sido prometida na negociação do ano passado. Na Volvo, a paralisação comprometeu apenas um dia de trabalho - segundo o sindicato, o prejuízo foi de 24 chassis de ônibus e três chassis de caminhões. Os trabalhadores conseguiram incorporar ao salário o INPC e 3% de aumento real, totalizando um índice de 7,57%, e um abono de R$ 2 mil. Além disso, foi-lhes garantido estabilidade no emprego até o mês de dezembro (!?) e um piso salarial de R$ 1.381,66. Os dias parados não serão descontados nas duas montadoras e vão compor o banco de horas.

E aqui entramos numa outra parte da realidade, o sindicalismo brasileiro. Estes Sindicatos são filiados maioritariamente na CUT (de orientação PT). Exemplo das suas práticas co-gestionárias e de traição foi a sua recente assinatura, em conjunto com a Força Sindical, a UGT e a CGTB, de um acordo com o governo que, sem consulta aos interessados directos e imediatos, visa "esvaziar" a luta em curso dos aposentados brasileiros, que reivindicam aumentos reais nas pensões (muito degradadas nos últimos anos), designadamente com a extinção do aqui chamado "Factor Previdenciário", uma criação dos governos do neoliberal Fernando Henrique Cardoso e que o governo Lula quer manter - algo muito próximo das "novas" regras de cálculo que em Portugal os governos do PS e PSD/CDS também implantaram, degradando as pensões, a pretexto do aumento da expectativa de vida (!) e fazendo-as depender do valor do PIB.
Este acordo de traição, que mereceu a pomposa designação de "Acordão da Previdência", já firmemente denunciado pelas várias Federações de aposentados, foi rechaçado pelas CTB (Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Brasileiros, recentemente criada pela anterior Corrente Sindical Classista, de orientação maioritariamente comunista/PCdoB), pela Nova Central e pela Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas). Entidades que também são representativas da classe trabalhadora, como o FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores), a Intersindical e o Conlutas, embora não tenham participado da reunião das centrais com o governo, também já firmaram posição contra o acordo.

Este caso ilustra bem a situação de divisão profunda do sindicalismo brasileiro, divisão agravada pelas concepções e práticas "amarelas" predominantes. Trata-se da aplicação das tristemente famosas teses do "sindicalismo de resultados", que transforma os Sindicatos em entidades "negocistas", totalmente de costas viradas aos trabalhadores que dizem representar e que nas "mesas negociais" assinam sempre acordos com os patrões, mesmo que tais acordos se traduzam em legitimar perdas salariais reais, perda de direitos e regalias, redução de postos de trabalho, períodos de "lay-off" impostos pelo patronato, etc. A pretexto do estafado "combate à crise", nos últimos meses estes acordos/"negócios" tem sido frequentes, infelizmente para os trabalhadores brasileiros, traindo os seus interesses próprios e difundindo no seio do proletariado ideias de conciliação que tanto atrasam a elevação da sua consciência política de classe.

Trata-se das práticas e dos propósitos do "sindicalismo" reformista, economicista, tão do agrado do grande capital, uma orientação que "infecta" numerosos Sindicatos, tanto no Brasil como noutros países, Portugal incluído - neste caso, felizmente, muito circunscrito aos Sindicatos da UGT e pouco mais.
O sindicalismo "amarelo", de facto, desempenha um pernicioso papel de traição e divisão dos trabalhadores. Combatê-lo é tarefa central e permanente de todos os comunistas, de todos os marxistas-leninistas. Entre outros, existem dois métodos comprovados para travar este combate: uma efectiva democratização da vida e das actividades dos Sindicatos e uma real linha de massas na acção dos seus dirigentes.

Agindo para garantir constantemente a participação dos trabalhadores associados na intervenção geral do Sindicato, na discussão e decisão sobre as suas reivindicações, na definição das formas de luta adequadas para as conquistar, na eleição de fortes e actuantes estruturas de delegados sindicais, na construção amplamente alargada das listas de candidatos aos seus corpos dirigentes nos actos eleitorais, na elaboração de estudos sobre a classe, na realização frequente de Encontros, Conferências e Congressos que alarguem a participação da massa crítica dos trabalhadores, para melhor definir políticas e rumos de acção.

Trabalhando para uma efectiva e constante ligação do Sindicato e dos seus dirigentes aos locais de trabalho, um conhecimento profundo dos problemas vividos pelos trabalhadores, sindicalizados e não sindicalizados, efectivos ou precários, com uma informação permanente colhida directamente nas empresas e locais de trabalho sobre as suas realidades económicas, sociais, funcionais, políticas, uma auscultação permanente sobre o estado de espírito existente entre os trabalhadores, a adopção de medidas de informação - escrita, oral, virtual - que reforcem os sentimentos de unidade e de luta, procurar a participação da massa dos trabalhadores em todas as reivindicações e lutas a decidir, bem como o seu atento acompanhamento ao desenrolar dos processos de negociação da sua contratação colectiva com os patrões respectivos.


Começamos por um retrato rápido e limitado das lutas operárias no Brasil e terminamos com ideias sobre o combate ao "sindicalismo" fingido que é parte integrante do sistema de exploração e opressão do capitalismo.
Começamos com boas notícias sobre a disposição combativa daqueles trabalhadores, em luta pelos seus direitos e interesses e concluímos com uma tarefa de primeira grandeza dos revolucionários, a saber, o combate frontal e determinado contra uma manifestação particular, no movimento operário, das políticas conciliatórias típicas dos reformistas e dos revisionistas do marxismo-leninismo, uns e outros irmanados no propósito de mascarar o carácter desumano do capital e semearem ilusões sobre um mirífico "capitalismo bom", que aceitaria ser co-gerido pelos trabalhadores - com a "diligente" ajuda destes representantes de uma aristocracia operária vendida ao patronato explorador. A uns - os capitalistas - e a outros - os dirigentes sindicais "amarelos" - não podemos conceder tréguas. O desenvolvimento da luta de massas, esteio certo e insubstituível das transformações políticas progressistas, exige-nos muita firmeza e determinação. Os trabalhadores, nossos irmãos de classe, reclamam isso de nós. Saibamos cumprir aquilo que é um dever militante nosso.
Adenda (19/9)
A luta dos metalúrgicos intensifica-se e estende-se a mais empresas!
Na região do ABC paulista [1], cerca de 60 mil metalúrgicos dos setores de autopeças, máquinas e equipamentos e componentes ferroviários iniciaram greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira, após assembléia geral na noite de quinta-feira.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, os 60 mil trabalhadores reivindicam o mesmo acordo aprovado no sábado passado pelos trabalhadores de montadoras da região, de reajuste de 6,53%, mais abono correspondente a um terço do salário médio do grupo.
Metalúrgicos da General Motors (GM) em São Paulo decidiram nesta sexta-feira parar por tempo indeterminado, em protesto por reajuste salarial entre 10% e 14,65%, informaram sindicatos. Pela manhã, trabalhadores dos primeiros turnos da montadora em São José dos Campos e em São Caetano do Sul decidiram pela paralisação, e a tendência é que os demais turnos das fábricas sigam a decisão.
A GM em São Caetano do Sul emprega cerca de 10.500 funcionários e, em São José dos Campos, outros 8.500 trabalhadores.
Em São Caetano, a GM produz os modelos Astra, Vectra, Classic e família Corsa, a uma média de 852 veículos diários, segundo o sindicato de metalúrgicos, filiado à Força Sindical. Os trabalhadores da região pedem 10% de reajuste e R$ 2 mil de abono.
Em reunião na véspera com sindicatos de São Caetano e São José dos Campos, a empresa manteve oferta de 6,53% de reajuste, mas elevou a proposta de abono de R$ 1.500 para R$ 1.750.
Os trabalhadores de São José dos Campos pedem 14,65% de reajuste. A montadora produz na região modelos Corsa, picapes S10 e Montana e veículos desmontados para exportação (CKDs).
[1] Nota - designação para um conjunto de três municípios (Sto André, S. Bernardo e S. Caetano - na verdade são quatro, hoje também com Diadema), na região sudoeste da alargada malha urbana da grande São Paulo, de grande concentração industrial e onde "nasceram" o PT e o Lula, com a ajuda "desinteressada" da igreja e de mais alguns mecenas, ocupando um espaço que os comunistas não souberam/puderam ocupar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Muntazer al-Zaidi - O jovem patriota iraquiano acusa!


Muntazer al-Zaidi, o jornalista iraquiano que atirou os sapatos contra o ex-presidente dos EUA George W.Bush, foi ontem libertado e afirmou ter sido torturado.


Pouco tempo depois da sua prisão, foi desencadeada uma campanha mediática contra a dignidade deste jovem patriota iraquiano, com a imprensa chamada "ocidental" propalando a mentira que ele teria manifestado arrependimento e pedido desculpas ao títere "presidente" do Iraque. Muitos de nós, nessa altura, duvidamos de tais "notícias", sabendo o quanto a sua atitude digna e corajosa tinha deixado exposto ao ridículo o facínora Bush, e, despoletado uma enorme onda de solidariedade em todo o mundo, especialmente nos países árabes e muçulmanos mas que irradiou por numerosas capitais e cidades, com centenas de milhares de pessoas manifestando-se pelas ruas e deixando montanhas de sapatos espalhados, destinados ao alvo do gesto de revolta de Muntazer al-Zaidi. No acto da sua libertação, o jornalista iraquiano deu provas - de novo - da sua dignidade e do quanto foi justa a solidariedade para com ele de milhões de pessoas em todos os continentes.

Hoje e aqui, a notícia e o espaço voltam a ser-lhe destinados, como aquando das primeiras linhas escritas neste blog que o seu gesto muito inspirou, revelando como a atitude justa de um só indivíduo, no sítio e na hora certas, foi capaz de desencadear consequências políticas tão poderosas. Afirmando o valor e a relevância do factor subjectivo na luta e na história humanas.

Aqui ficam, a notícia e estas considerações, simples mas sentidas, como uma homenagem - renovada - à dignidade e à coragem deste jovem iraquiano, hoje de novo "cidadão do mundo".



"Fui torturado da forma mais violenta, espancado com cabos eléctricos e barras de aço", disse Muntazer al-Zaidi, no encontro com a imprensa, ontem em Bagdad. Momentos após ser libertado, o jornalista que atirou os seus sapatos contra o ex-presidente americano George W. Bush, exigiu que o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, lhe peça desculpas pela forma como foi tratado na prisão.
De barba e tendo ao pescoço um cachecol com as cores da bandeira do Iraque, reafirmou à imprensa não estar arrependido do que fez em Dezembro de 2008.
"Acredito que o que fiz foi correcto", afirmou Al-Zaidi, de 30 anos, no encontro que manteve no canal de televisão onde então trabalhava, Al-Baghdadia. E adiantou: "Foi contra o criminoso de guerra George W. Bush. Ele destruiu o meu país e destruiu a minha nação e seis anos depois veio a Bagdad, cantando vitória e desejando dizer adeus às suas vítimas."
Depois de tudo o que passou, o recém-libertado jornalista não pede indemnizações nem um tratamento especial mas apenas que o chefe do Governo iraquiano lhe peça desculpas por ter faltado à verdade. "Exijo ao primeiro-ministro que me peça desculpa por ter escondido a verdade", disse e explicou que "Maliki garantia ao país que não descansaria enquanto não tivesse a certeza do que se passava comigo, precisamente quando eu estava a ser barbaramente torturado." Uma prova óbvia? A falta de um dente que lhe foi partido quando o espancaram logo no dia em que foi detido.
"Me abandonaram em um local onde não estava protegido do frio", acrescentou, antes de afirmar ter sido vítima do afogamento simulado, uma técnica de interrogatório utilizada pela CIA com os suspeitos de terrorismo depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001
A família do jornalista revelou, por seu turno, que ele tinha sido queimado com cigarros e que os médicos da prisão lhe tinham "injectado substâncias desconhecidas" sempre que ele recusara escrever uma carta a pedir desculpas a Bush e a Maliki.
Ainda de acordo com declarações de familiares ao diário britânico Times, o repórter deve partir em breve para a Grécia, onde irá "receber cuidados médicos, físicos e psíquicos". Muntazer al-Zaidi, durante a sua permanência na Grécia, estará acompanhado por um dos seus três irmãos.
Adenda 1 (16/9):
Confirmando a coragem da sua atitude na denúncia dos serviços secretos norte-americanos, em entrevista colectiva concedida na sede da emissora em que trabalhava, Muntazer al-Zaidi afirmou que "os serviços de inteligência dos EUA e seus serviços afiliados não pouparão esforços para me apresentar como insurgente revolucionário", acrescentando que tais serviços secretos deverão usar "todos os meios para me matarem", tudo farão para liquidá-lo "física, social e profissionalmente".
Adenda 2 (17/9)
Segundo informação do "Avante!", recusando o título de herói e afirmando que herói é o povo do Iraque, Al Zaidi classificou o seu gesto como justificável face aos «mais de um milhão de mártires, centenas de milhares de estropiados de guerra e cinco milhões de deslocados». «Não conseguia descansar ao lembrar-me das imagens dos assassinados, viúvas e refugiados. As nossas cidades transformaram-se em casas de condolências», acrescentou citado pela EFE.«O que fiz foi uma reacção à injustiça, à humilhação, à destruição provocada ao povo iraquiano e ao nosso país», concluiu.

domingo, 13 de setembro de 2009

Chile, Setembro de 1973 - Recordar um Revolucionário

Desculpem-me não ter conseguido publicar, no dia do aniversário, este testemunho inapagável de fidelidade ao seu povo e à ideia da revolução por parte de um homem, socialista verdadeiro, que já enfileira na galeria dos heróis que a história da libertação dos povos regista: Salvador Allende.


"...Continuem vocês sabendo, que muito mais cedo do que tarde, novamente abrir-se-ão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores!
Compatriotas!
Seguramente esta é a última oportunidade em que possa me dirigir a vocês. A Força Aérea bombardeou as torres da Rádio Portales e da Rádio Corporação. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção, e serão elas o castigo moral para os que atraiçoaram o juramento que fizeram os soldados do Chile, comandantes em chefe titulares, o almirante Merino que se autodesignou, também o senhor Mendoza, general rasteiro... que somente ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao governo, também se nomeou diretor geral dos Carabineiros. Diante destes fatos, somente me cabe dizer aos trabalhadores: Eu não vou renunciar! Colocado num trânsito histórico, pagarei com a minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser segada definitivamente.
Eles têm a força, poderão nos avassalar, mas não se deterão os processos sociais nem com o crime... nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos. Trabalhadores da minha pátria: Quero lhes agradecer a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram num homem que somente foi interprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra para respeitar a Constituição e a lei e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que eu possa me dirigir a vocês, quero que aproveitem a lição. O capital estrangeiro, o imperialismo, unido à reação, criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, a que lhes ensinou Schneider e que o comandante Araya reafirmou, vitimas do mesmo setor social que hoje estará nas suas casas, esperando com mão alheia reconquistar o poder para continuar defendendo seus benefícios e privilégios.
Dirijo-me sobretudo, à modesta mulher da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós; à operária que trabalhou mais, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças. Dirijo-me aos profissionais da pátria, aos profissionais patriotas, aos que há alguns dias estiveram trabalhando contra a sedição auspiciada pelos Colégios profissionais, colégios de classe para defender também as vantagens que uma sociedade capitalista dá a uns poucos.
Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram, entregaram sua alegria e o seu espírito de luta.
Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos... porque em nosso país o fascismo já esteve, há muitas horas, presente nos atentados terroristas, estourando pontes, cortando estradas de ferro, destruindo os oleodutos e gasodutos, diante do silêncio dos que tinham a obrigação de proceder: estavam comprometidos.
A história os julgará. Certamente a Rádio Magallanes será silenciada e o metal tranquilo da minha voz não chegará até vocês. Não importa, continuarão ouvindo. Sempre estarei junto de vocês. Pelos menos, minha memória será a de um homem digno que foi leal à lealdade dos trabalhadores. O povo deve se defender, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem crivar, mas tampouco pode se humilhar.
Trabalhadores da minha pátria: tenho fé no Chile e no seu destino. Superarão outros homens este momento gris e amargo, onde a traição pretende se impor. Continuem vocês sabendo, que muito mais cedo do que tarde, novamente abrir-se-ão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores!
Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, haverá uma lição moral que castigará a felonía, a covardia e a traição.
Discurso de despedida de Salvador Allende, gravado no Palácio La Moneda, em Santiago do Chile, e transmitido pela Rádio Magallanes, na manhã de 11 de setembro de 1973.
(Fonte: Fundacion Salvador Allende)

sábado, 12 de setembro de 2009

Brecht tem - continua a ter - carradas de razão


Quase tudo à nossa volta, veiculado pela ideologia dominante através da televisão, da rádio, dos jornais, da publicidade, do ensino, da cultura, das artes, da religião - ainda mais, apoiando-se em hábitos de um pesado lastro atávico de séculos de submissão social e política aos poderosos e às suas estruturas de um Estado construído para estar ao serviço das classes exploradoras -, quase tudo, no nosso dia-a-dia, nos induz a aceitar como verdadeiras, e únicas, e inevitáveis, e boas, as práticas dos governos de turno ao serviço ao capital.
Visando obter a nossa resignação, a nossa aceitação das desigualdades, das humilhações, num exercício que nos conduza à desistência e à omissão da nossa própria vontade, confrontam-nos com mil formas enganosas para nos "cegar" a visão das realidades, para nos mascarar e ocultar as gritantes realidades da exploração e da injusta e desumana organização das sociedades capitalistas.

As derrotas sofridas no final do século passado, pelas nações europeias e asiáticas que intentavam a construção de sociedades socialistas - nações e povos que foram vencidos pela ofensiva exterior do imperialismo e pelas criminosas deserções e traições internas dos seus dirigentes -, agravaram o quadro mundial de correlação de forças, no qual se trava a incessante luta de classes, originando acrescidas dificuldades na formação da consciência social de classe por parte dos trabalhadores e dificultando o avanço político dos povos.

Aos agentes políticos do capitalismo - neste caso, em particular aos dirigentes sindicais e sociais corruptos - o capital atribui o sujo papel do permanente e demagógico fingimento de se fazerem passar por pessoas como nós, aparentando estarem preocupados com os nossos problemas, fingindo toda a hora e cada minuto que vão agir em defesa dos nossos direitos, empenhados em resolverem, por nós, as nossas dificuldades. Eles vão "questionar", eles vão "reivindicar", eles vão "lutar", eles vão "argumentar", eles vão"negociar", eles vão fazer "todos os possíveis" para "tentarem" obter para nós - e, atenção, por nós! - aquilo que já conseguimos vislumbrar que é justo e de direito nosso.


Eles são todos os oportunistas, rasteiros ou emproados, de condição social modesta, média ou superior, em mangas de camisa ou engravatados, sem os quais passaríamos muito melhor. Uns são indivíduos populares, com baixas habilitações de ensino, outros são intelectuais, doutorados e com teses publicadas. Uns são dirigentes e chefias locais, outros são administradores e ministros. Mas todos, sem excepção, possuem duas características que claramente os diferenciam de nós, dos trabalhadores e cidadãos comuns, a saber: a) todos venderam a consciência e a alma aos grandes detentores do capital, em muitos casos "por um prato de lentilhas" (alguns, por algo mais), colocando-se ao serviço da política de perpetuação da exploração; b) todos se dizem muito nossos amigos, arvorando-se em defensores dos nossos interesses de classe e propondo-nos, constantemente, que fiquemos descansados, calados e quietos, pois que eles farão o seu melhor pelos nossos direitos, numa palavra, todos anunciam que farão por nós "tudo o que a nós diz respeito!"

Viveremos estas semanas, mais uma vez e fruto de uma nova campanha eleitoral para a eleição de deputados à Assembleia da República, uma etapa na vida política dos portugueses na qual muita dessa gentalha vai esbracejar, garantir, vociferar, pedir, apelar, prometer, chantagear, jurar, implorar, enfim, vão de novo pedir-nos o voto e querer vender-nos "gato por lebre", anunciando que não há melhor preço no mercado que o deles. Deixe-mo-los faladrar, acompanhando as suas actividades eleitorais, como democratas sinceros e verdadeiros que somos.
Entretanto, aos nossos camaradas de trabalho, às pessoas com as quais constituímos a rede social de que fazemos parte, a todo o nosso povo afirmemos alto e bom som que, todos unidos na luta, devem rejeitar com firmeza o "remendo" que nos oferecem. Nós não aceitamos "remendos", ainda por cima "amarelos", fingidos e esgarçados; queremos para o nosso povo o "casaco", limpo e inteiro, que há muito nos devem e merecemos! O "Casaco" que Abril já nos permitiu vislumbrar no horizonte e que nos foi miseravelmente roubado!


Canção do Remendo e do Casaco

Sempre que a nosso casaco se rasga
Vocês vêm correndo dizer: assim não pode ser
Isso vai acabar, custe a que custar!
Cheios de fé vão aos senhores
Enquanto nós, cheios de frio, aguardamos.
E ao voltar, sempre triunfantes
Nos mostram o que por nós conquistam:
Um pequeno remendo.
Ótimo, eis o remendo
Mas onde está
O nosso casaco?


Sempre que nós gritamos de fome
Vocês vêm correndo dizer: Isso não vai continuar
É preciso ajudá-los, custe a que custar!
E cheios de ardor vão aos senhores
Enquanto nós, com ardor no estômago, esperamos.
E ao voltar, sempre triunfantes
Exibem a grande conquista:
Um pedacinho de pão.
Que bom, este é o pedaço de pão
Mas onde está
O pão?


Não precisamos só do remendo
Precisamos o casaco inteiro.
Não precisamos de pedaços de pão
Precisamos de pão verdadeiro.
Não precisamos só do emprego
Toda a fábrica precisamos.
E mais a carvão
E mais as minas
O povo no poder.
É disso que precisamos.
Que têm vocês
A nos dar?


Bertold Brecht

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Carta de um académico iraquiano ao presidente de turno nos EUA


Carta ao Presidente Obama
2 de Setembro de 2009
Dr. Ayad Abdullah, Académico Iraquiano

Em nome de Deus, o Misericordioso
Presidente Barack Obama, Casa Branca, Washington
Muito obrigada por assinalar o mês sagrado do Ramadão para o povo Islâmico. Espero que tenha tempo para ler esta carta de um Árabe Muçulmano do Iraque.
O senhor mencionou que o Ramadão, recordando os valores comuns partilhados com o Islão tais como a justiça, a tolerância e o respeito pela dignidade humana. Eu concordo consigo, Senhor Presidente, que estes valores são comuns ao Islão e ao Cristianismo e sendo eu um Muçulmano, eu acredito e trabalho com palavras e acções; acredita, senhor presidente, trabalhar para estes valores comuns? Se for honesto e é isso que eu espero de si, creio que acredita na justiça, na tolerância e no respeito pela dignidade humana.
Eu sou um Muçulmano iraquiano, as suas forças ocuparam o meu país há seis anos e destruíram tudo. Por favor responda às minhas perguntas e espero que não fique aborrecido com as seguintes questões:
1. Foi um acto de justiça, de tolerância e de respeito pela dignidade humana, a imposição do embargo económico ao Iraque durante 13 anos a pretexto da posse de armas de destruição maciça, que nunca foi provada a sua ilusória existência, e mais de 1 milhão e 500 mil crianças iraquianas mortas devido a esse embargo?
2. Foi um acto de justiça e tolerância o bombardeamento do Iraque pelas suas forças bélicas, com bombas de urânio empobrecido e de fósforo branco, internacionalmente proibidas?
3. É justiça, Senhor Presidente, as suas tropas terem invadido o meu país, o Iraque, em 2003, e hoje aí permaneceram ou há ainda o pretexto das alegadas armas de destruição maciça? Note que o meu país é membro das Nações Unidas e a ocupação tem ultrapassado todas as leis internacionais.
4. É justiça e tolerância que mais de 1.5 milhões de pessoas tivessem sido mortas pelas suas tropas e pelas milícias que vieram com elas?
5. É tolerância e respeito pela dignidade humana que desde 2003, 4 milhões de cidadãos iraquianos tenham sido obrigados, pelas suas tropas e pelas milícias sectárias, a abandonar as suas casas e o seu país?
6. É para si justiça, que mais de meio milhão de iraquianos estejam detidos em prisões dos EU ou em prisões locais , sob a supervisão das suas tropas, muitos dos quais sem culpa formada e outros apenas por manifestarem a sua liberdade de opinião ao dizerem não à ocupação e ao governo sectário?
7. É para vós, estadounidenses, justiça, tolerância e respeito pela dignidade humana, a violação de mulheres e de homens?
8. É justiça nos EU, a prisão de líderes do Iraque , o assassinato de outros e o do seu presidente, como resposta às condições impostas pelo Irão para cooperação com os EUA ?
9. É para vós, justiça, tolerância e respeito pela dignidade humana, o afastamento e a destruição de mais de dois milhões de pessoas, civis e militares, professores universitários e funcionários públicos das suas profissões, privando-os do seu único sustento, pelas ordens de Paul Bremer, em 2003?
10.É justiça, Senhor Presidente, a destruição do meu país, a sabotagem das infra estruturas e deixar o povo iraquiano viver na miséria, na necessidade, no medo e no pânico, causados pelas suas tropas e pelas milícias de partidos sectários?
11.É justiça ou respeito pela dignidade da humanidade o roubo, o assalto e a destruição do património cultural do Iraque?
Eu peço, senhor presidente, que responda às minhas perguntas, se realmente acredita nos valores comuns partilhados pelo Islão e pelo Cristianismo, incluindo a justiça, a tolerância e o respeito pela dignidade humana.
Contudo, Senhor Presidente, posso dizer-lhe que não há qualquer dignidade na ocupação do meu país, o Iraque. Não há justiça com a presença das suas tropas. Não há tolerância enquanto prestar atenção aos demónios dos traidores e seus agentes que constituem o governo do Iraque. Cada dia extra em que as suas forças permanecem no Iraque, significa mais iraquianos mortos; mais crianças mortas; mais violações de mulheres e homens em prisões e centros de detenção; mais sangue iraquiano e estadunidense; mais biliões de dólares perdidos. Se acredita verdadeiramente no que disse, nos valores comuns, Senhor Presidente, seja suficientemente corajoso e mande retirar as suas tropas do meu país e deixe o Iraque ao seu povo e não diga nada sobre a mentira da democracia promovida pelo seu antecessor.

Com os meus sinceros cumprimentos,
Dr. Ayad Abdullah/ Académico Iraquiano
23 de Agosto , 2009
(Original em Tribunal Iraque)

domingo, 6 de setembro de 2009

O povo hondurenho resiste e luta! Viva a solidariedade internacional!




A marcha na quinta-feira, 3 de setembro.


Eles deixaram o Carrizal, em frente ao quartel dos bombeiros, em Comayagüela. Visitaram várias comunidades e bairros marginais, passando o Carrizal nº. 4, La Ulloa, El Divino Paraíso, Nueva Danli e muitas outros bairros, que só são visitadas a cada quatro anos, quando chega as eleições.
Em seguida, eles caminharam pelo Periférico, entrando finalmente na comunidade centro-américa oeste, onde se concluiu com êxito a caminhada e como de costume, prometeram voltar no dia seguinte, e cada dia que for preciso para retirar os usurpadores do poder.Foi incrível ver homens, mulheres e crianças, a partir dessas comunidades abandonadas a própria sorte, ir ao encontro dos manifestantes gritando-lhes vivas; somando potes e panelas; agitando bandeiras e cartazes com fotos de Mel Zelaya e a Quarta Urna; dando-lhes coragem e gritando: "Adelante, adelante, que la lucha es constante!” em uma demonstração de contagiante alegria.
Os jovens manifestantes pretendiam não grafitar nas casas humildes, mas este objetivo não pôde ser cumprido porque muitas pessoas exigiram que suas casas fossem pintadas com frases contra os golpistas, em uma clara manifestação de repúdio aos Goriletis e de solidariedade com a Frente de Resistência.As demonstrações de carinho aos manifestantes foram tantos, que vimos as pessoas humildes oferecerem água e alguns “burritos” para que os caminhantes pudessem comer algo. Este belo gesto humano diz muito, porque vem de pessoas humildes, que não possuem muitas comodidades básicas. Inclusive, em alguns desses lugares, as pessoas comprar água em tambores para as suas necessidades, mas são mais ricos que qualquer um, por sua clara consciência social.
Por isso e muito mais, é que os(as) Incansáveis, por todo o território nacional, marcham orgulhosos(as), porque entendem que sua luta não é em vão, enquanto houver hondurenhos protestando nas ruas e apoiando nas casas das mulheres valentes, e isso não vão poder deter jamais.A resistência está mais viva do que nunca.
O que a princípio acreditavam os golpistas fosse um passeio de triciclo, complicou-lhes de tal maneira, que o labirinto que Dédalo enfrentou para prender o Minotauro, era mais curto.
A dor, juntamente com o quebra cabeças, que os manifestantes causam nos traidores usurpadores é permanente, porque eles não entendem como é que poderia acontecer este fenômeno social que lhes encurralam. Por isso, fazem até o impensável para parar os manifestantes, até recorrer às bárbaras repressões fascistas, sem nenhum resultado, como as seguintes:
a) Assassinam os manifestantes acreditando que com isto poderiam lhes parar, mas o resultado dessas ações foi o oposto do que esperavam, pois por um que mataram, saem cem nas ruas, mais furiosos do que nunca.
b) Mentem todos os dias, por seus meios de comunicação ruins, mas o povo não cai na armadilha, porque aprendeu a diferenciar a água do lodo. Eles enviam mensagens subliminares a cada dia e não obtêm resultados, porque as pessoas deixaram os dias de obscurantismo.
c) Os politiqueiros golpistas, iniciaram a campanha eleitoral, colocando anúncios publicitários e, ao invés, os hondurenhos lhes recebem com ovos e tomates, e os anúncios desaparecem.
d) Raptaram, algemaram e deram o golpe de Estado contra o presidente Mel, e obtiveram com isso, que sua digna esposa, a Primeira Dama Sra. Xiomara Castro de Zelaya, e sua filha, carinhosamente chamada de "La Pichu", juntamente com o povo, tomassem as ruas para protestar vigorosamente.
e) Dizem aos quatro ventos que em Honduras não ocorre nada, que vivemos em um paraíso de leite e mel, mas também há greve ao alcance das vistas, os preços sobem, os combustíveis também, e os “invisíveis” manifestantes, junto à comunidade internacional, estão lhes estrangulando.
f) Alegam que o que fizeram foi uma "sucessão presidencial”, mas em vez disso, o mundo condena-os, afirmando que se trata de um golpe.
Em conclusão, estão com a corda no pescoço, porque um povo decidido a lutar pelos seus direitos, não pode ser parado, tanto assim que a revolução social desencadeada, que tanta falta fazia a Honduras, se encontra mais viva do que nunca, na resistência constante pelas ruas hondurenhas.

“La lucha sigue, el ideal morazánico está más presente que nunca en la batalla diaria!”
União dos Escritores e Artistas de Honduras (UEAH), membro da Frente Nacional de golpe contra.
Original em: HIBUERAS
in http://convencao2009.blogspot.com/Tradução: Robson Ceron.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A Festa dos comunistas portugueses abriu as suas portas aos trabalhadores e ao povo

Pelo seu conteúdo - embora necessáriamente curto -, bem caracterizador da Festa e do partido que a realiza, abaixo se transcreve a intervenção do Secretário-Geral do PCP, camarada Jerónimo de Sousa, no acto de abertura da Festa do "Avante!"


Franqueadas as portas da 33ª edição da Festa do Avante! a nossa primeira saudação vai para os cerca de 7500 obreiros que, realizando mais de 50 mil horas de trabalho militante – projectando, arquitectando, construindo – edificaram esta cidade de 3 dias.
E mais valor damos a essa generosa militância dos comunistas, da juventude – e sublinho, da juventude e da JCP, que dão uma marca impressiva de alegria, irreverência e criatividade à nossa Festa - de muitos amigos da Festa, quando ela foi erguida num quadro e num período excepcionais.
Em que tivemos de travar, com êxito, a batalha das eleições para o Parlamento Europeu, em que tivemos de preparar as eleições legislativas de 27 de Setembro, de construir listas tanto para a Assembleia da República como para as Autárquicas de 11 de Outubro, as listas CDU que envolveram mais de 45 mil candidatos, 14 mil dos quais independentes, com um número de listas que é o maior dos últimos 20 anos.
Construímos esta Festa em movimento, desenvolvendo uma intensa actividade política e eleitoral. Quando nos orgulhamos do Partido que temos e do Partido que somos, quando valorizamos este grande colectivo partidário, damos como exemplo único no panorama politico-partidário esta obra humana só possível porque na nossa mente e no nosso coração pulsa a convicção e a força de um ideal de transformação social e do empenhamento dos comunistas portugueses na senda de uma vida melhor para o país e para os portugueses.
Uma saudação às dezenas de delegações estrangeiras presentes, que nos honraram aceitando o nosso convite, reforçando assim as nossas relações e a solidariedade internacionalista, delegações que, conhecendo a nossa Festa, ficam a conhecer melhor o Partido e a sua luta.
Um saudação aos visitantes - em particular aos que vencendo preconceitos, nos visitam pela primeira vez, e que, querendo ver e desfrutar da dimensão popular, cultural, desportiva, da gastronomia das nossas gentes, presente na Festa vindos de todo o território continental, das regiões autónomas, mesmo da emigração - visitantes que assim nos olhando conhecem melhor o que somos e o que queremos.
Ano excepcional este de 2009. Excepcional tendo em conta a inquietante situação de crise económica e social que o país atravessa. Excepcional porque é ano de eleições que vão determinar muito da evolução da vida política nacional nos próximos anos.
Num tempo em que os responsáveis e executantes, actuais ou do passado recente, da política de direita ensaiam operações de apagamento das malfeitorias e injustiças praticadas, a atirar fora o lastro das suas responsabilidades directas na situação e nos problemas, a prometer o prometido, lavar a fachada dando um ar fresco ao que está requentado, não podemos permitir que ponham o conta quilómetros “a zero”.
Mas precisamos simultaneamente de demonstrar que há outro rumo para a política nacional, que é não só possível como necessário: a ruptura e a mudança, com uma política alternativa patriótica e de esquerda.
Que é no PCP e na CDU, no seu reforço, que reside a esperança e a real possibilidade de encetar com mais solidez e segurança essa caminhada para uma alternativa política.
Não é uma mera declaração de vontade ou posicionamento de circunstância fruto da conjuntura eleitoral.
Esta força transporta consigo um património ímpar de luta e de proposta. De luta, quando o tempo, a ideologia e o poder dominantes ordenaram aos trabalhadores e às populações a aceitação inevitável dos sacrifícios, o aumento da exploração, o desemprego, a redução ou eliminação de interesses e direitos legítimos, a ruína de micro e pequenas empresas e explorações agrícolas e de actividade das pescas, para continuar a manter intocáveis e abundantes os privilégios, benefício e lucros abissais de uns quantos grupos económicos e financeiros.
Nos momentos mais agrestes ali estávamos, ali estivemos, sacudindo o desânimo e a desesperança, estimulando, libertando energias, dando confiança à luta que, tendo os trabalhadores como motor, envolveu quase todas as classes e camadas antimonopolistas.
Nas propostas do PCP lá se encontra o que resultou dos problemas e das aspirações, reivindicações e legítimos interesses dos portugueses fustigados pela política de direita do Governo PS.
São propostas elaboradas, não por uns assessores e uns quantos sábios de gabinete, mas propostas construídas com base na participação, opinião, sentir e saber dos trabalhadores e das suas organizações, dos intelectuais e quadros técnicos, dos reformados, dos professores, dos enfermeiros, dos agentes das forças de segurança, dos profissionais da justiça, dos militares, de micro, pequenos e médios empresários, de associações de agricultores, de estudantes, de democratas preocupados com o seu país.
Eis porque nos apresentamos como Partido de luta e de proposta.
E prontos para as batalhas que aí estão.
Batalhas em que esta Festa do Avante! assume uma importância singular.
Não é ponto de partida mas um momento alto na dinâmica eleitoral. Uma marcha alicerçada na confiança de uma CDU a avançar e a crescer, força de provas dadas, força que não trai compromissos nem a verdade, força que garante ao povo português que, para lá dos resultados eleitorais, estará no dia seguinte nas primeiras fileiras do combate às injustiças, mas que precisa de mais força eleitoral para dar mais força à luta.
Força imensa porque dispõe da disponibilidade generosa, da inteligência, de valores e de um projecto que mobilizam milhares de homens, mulheres e jovens naquilo que há de mais nobre num ser humano.
É verdade camaradas! Depois da nossa Festa, bem mereciam um justo descanso. Mas não. No cansaço bom que cada um sente, agora que a Festa está de pé, no esforço que temos de fazer nestes 3 dias para as coisas correrem bem, temos de encontrar energias redobradas e renovadas para em 27 de Setembro e até 11 de Outubro, conseguir os objectivos que nos animam. Vai valer a pena camaradas, vai valer a pena!
Declaro aberta a 33ª edição da Festa do Avante!
Viva a amizade e a solidariedade internacionalista!
Viva a luta dos trabalhadores e dos povos!
Viva a CDU!
Viva a juventude e a JCP!
Viva o Partido Comunista Português!

domingo, 30 de agosto de 2009

Lénine, o leninismo e a actualidade (III)


Com este texto (III) vamos concluir estas incursões no conteúdo do "Que Fazer?", escrito por Lénine e publicado no distante ano de 1902. As transcrições agora seleccionadas, sendo as seguintes na sequência do próprio texto, abordam os problemas de uma política justa para a organização e as lutas dos operários, tratando detalhadamente o combate travado entre a orientação sindical/espontaneísta, defendida por aqueles que entendiam ser desnecessária a direcção política do movimento operário, e a orientação defendida pela linha revolucionária do partido, encabeçada por Lénine.

A atenção prioritária dada à organização e à actividade dos comunistas entre os operários - justificada pela sua situação particular e única no processo produtivo capitalista - foi sempre uma orientação central no pensamento e na actividade revolucionária do partido criado sob a direcção das ideias de Lénine. Perdoem-me os leitores o "desvio" mas penso valer bem a pena abrirmos um rápido parênteses, para mencionar um outro texto seu, igualmente datado nos primórdios das suas tentativas de criação de um "partido de novo tipo". Trata-se do texto intitulado "Carta a um camarada", datado de Setembro do mesmo ano (1902) e do qual transcrevo as duas passagens seguintes :


"Primeiramente assinalarei a minha completa concordância com a sua explicação sobre a inutilidade da organização anterior da "União" ("de círculos", como a denomina). Você chama a atenção para a ausência de uma séria preparação e de uma educação revolucionária entre os operários de vanguarda, para o assim chamado sistema eleitoral tão orgulhosa e veementemente defendido pelos membros do 'Rabotchéie Diélo' em nome dos princípios "democráticos" e, a alienação dos operários de todo trabalho activo.
Trata-se exactamente disso: 1) a ausência de uma preparação séria e de uma educação revolucionária (não somente entre os operários, como também entre os intelectuais); 2) a utilização inadequada e excessiva do princípio eleitoral; e 3) o afastamento dos operários da verdadeira actividade revolucionária. Neste ponto, encontra-se o principal defeito, não somente da organização em São Petersburgo, mas também de muitas outras organizações locais de nosso partido."


Mais à frente, e depois de tratar aspectos gerais da estruturação orgânica do partido a criar, passa a desenvolver detalhada e demoradamente como deve ser criada a organização dos operários nos seus locais de trabalho:


"Passemos agora aos círculos de fábrica. Estes são particularmente importantes para nós; já que a força fundamental do movimento reside no grau de organização dos operários das grandes fábricas, nas quais se concentra a parte mais importante da classe operária, não só quanto ao número como também por sua influência, grau de desenvolvimento e capacidade de luta. Cada fábrica deverá ser para nós uma fortaleza. E, para isso, a organização operária "de fábrica" deverá ser tão conspirativa em seu interior, quanto "ramificada" no seu exterior, isto é, nas suas relações externas deverá levar seus tentáculos tão longe e nas mais diferentes direcções, quanto qualquer outra organização revolucionária. Saliento que o núcleo dirigente deverá ser também aqui, obrigatoriamente, o grupo de operários revolucionários. Deveremos romper radicalmente com a tradição tipicamente operária ou de tipo profissional das organizações social democratas, inclusive com aquela dos "círculos de fábrica". O grupo ou comité de fábrica (com o fim de separá-lo de outros grupos, os quais devem ser inúmeros) deverá ser composto de um reduzido número de revolucionários, encarregados directamente pelo comité, e com plenos poderes para dirigir todo o trabalho social-democrata na fábrica. Todos os membros do comité de fábrica deverão ser considerados como agentes do comité, obrigados a submeterem-se a todas as suas decisões e a observarem todas as "leis e costumes" deste "exército em campanha" ao qual se filiaram e do qual não têm o direito de sair em tempo de guerra, sem a permissão do comando. Por isso, a composição do comité de fábrica tem um grande significado, tanto que uma das principais preocupações do comité de fábrica deverá ser a de criar correctamente os subcomitês. Penso que isso deverá ser assim: o comité designará alguns de seus membros (mais algumas pessoas entre os operários que não façam parte do comité por quaisquer razões, mas capazes de ser úteis por sua experiência, seu conhecimento sobre as pessoas, sua inteligência ou suas relações) para organizar em todas as partes os subcomitês de fábrica."


Hoje, ao ler estas linhas, quem não reconhecerá nelas traços essenciais de uma justa orientação, e, o carácter prioritário e essencial para a organização de um partido comunista - as suas células de empresa? Evidentemente, todos podemos constatar a semelhança.


Daquela época para o presente, muito se evoluiu na criação destas organizações de base verdadeiramente decisivas, bem como na consolidação das regras organizativas para as células de empresa. As células de empresa (ou de local de trabalho), constituem a vanguarda política dos destacamentos mais avançados e combativos do proletariado na luta de classes, indispensáveis e insubstituíveis na actividade geral de um partido revolucionário.


Nos nossos dias, a questão é aplicá-las, levá-las à prática, de forma perseverante, determinada e consequente.


Após esta incursão, que funciona como nota introdutória , retomemos agora a leitura dos excertos seleccionados do "Que Fazer?", todos eles relacionados com este mesmo tema, cujo estudo é indispensável na formação teórica e na prática política dos comunistas, qualquer que seja a sua localização geográfica, a sua área de actividade política, a sua tarefa.



"Os operários, já dissemos, não podiam ter ainda a consciência social-democrata. Esta só podia chegar até eles a partir de fora. A história de todos os países atesta que, pela próprias forças, a classe operária não pode chegar senão à consciência sindical, isto é, à convicção de que é preciso unir-se em sindicatos, conduzir a luta contra os patrões, exigir do governo essas ou aquelas leis necessárias aos operários etc. Quanto à doutrina socialista, nasceu das teorias filosóficas, históricas, económicas elaboradas pelos representantes instruídos das classes proprietárias, pelos intelectuais. Os fundadores do socialismo científico contemporâneo, Marx e Engels, pertenciam eles próprios, pela sua situação social, aos intelectuais burgueses. Da mesma forma, na Rússia, a doutrina teórica da social-democracia surgiu de maneira completamente independente do crescimento espontâneo do movimento operário; foi o resultado natural, inevitável, do desenvolvimento do pensamento entre os intelectuais revolucionários socialistas. Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário. Não seria demasiado insistir sobre essa ideia, numa época onde o entusiasmo pelas formas mais limitadas da ação prática aparece acompanhado pela propaganda em voga do oportunismo."


"Isto mostra (o que não pode chegar a compreender o 'Rabótcheie Dielo'), que todo o culto da espontaneidade do movimento operário, toda a diminuição do papel do "elemento consciente", do papel da social-democracia significa - quer se queira ou não - um reforço da influência da ideologia burguesa sobre os operários. Todos aqueles que falam de "sobrestimação da ideologia", de exagero do papel do elemento consciente etc., imaginam que o movimento puramente operário é, por si próprio, capaz de elaborar, e irá elaborar para si, uma ideologia independente, com a única condição de que os operários 'arranquem sua sorte das mãos de seus dirigentes'."


"No momento, não seria possível falar de uma ideologia independente, elaborada pelas próprias massas operárias no curso do seu movimento, o problema coloca-se exclusivamente assim: ideologia burguesa ou ideologia socialista. Não há meio-termo (pois a humanidade não elaborou uma "terceira" ideologia; e, além disso, em uma sociedade dilacerada pelos antagonismos de classe não seria possível existir uma ideologia à margem ou acima dessas classes). Por isso, toda diminuição da ideologia socialista, todo distanciamento dela implica o fortalecimento da ideologia burguesa. Fala-se de espontaneidade. Mas o desenvolvimento espontâneo do movimento operário resulta justamente na subordinação à ideologia burguesa, efectua-se justamente segundo o programa do "Credo", pois o movimento operário espontâneo é o sindicalismo, a Nur-Gewerkschafilerei: ora, o sindicalismo é justamente a escravidão ideológica dos operários pela burguesia. Por isso, a nossa tarefa, a da social-democracia, é combater a espontaneidade, desviar o movimento operário dessa tendência espontânea que apresenta o sindicalismo para se refugiar sob as asas da burguesia, e atraí-lo para a social-democracia revolucionária."


"Constatamos, assim, que o erro fundamental da "nova tendência" da social-democracia russa é inclinar-se diante da espontaneidade; é não compreender que a espontaneidade da massa exige de nós, sociais-democratas, uma consciência elevada. Quanto maior for o impulso espontâneo das massas, mais amplo será o movimento, e de forma ainda mais rápida afirmar-se-á a necessidade de uma consciência elevada no trabalho teórico, político e de organização da social-democracia. O impulso espontâneo das massas na Rússia foi (e continua a ser) tão rápido que a juventude social-democrata encontrou-se pouco preparada para realizar essas imensas tarefas. A falta de preparação, nossa infelicidade comum, constituí a infelicidade de todos os sociais-democratas russos. O impulso das massas não cessou de crescer e de se estender sem solução de continuidade; e longe de interromper-se onde foi iniciado, estendeu-se a novas localidades, a novas camadas da população (o movimento operário provocou um redobramento da efervescência entre a juventude das escolas, dos intelectuais em geral, e mesmo entre os camponeses). Os revolucionários atrasaram-se quanto à progressão do movimento, e em suas "teorias" e actividade, não souberam criar uma organização que funcionasse sem solução de continuidade, capaz de dirigir todo o movimento.


Vejamos ainda , a terminar estas transcrições escolhidas, algumas notas de Lénine ao seu texto.


"Naturalmente, isto [falar de uma ideologia independente, elaborada pelas próprias massas operárias no curso de seu movimento] não significa que os operários não participem dessa elaboração. Mas não participam na qualidade de operários, participam como teóricos do socialismo, como os Proudhon e os Weitling; em outras palavras, não participam senão na medida em que conseguem adquirir os conhecimento mais ou menos perfeitos da sua época, e fazê-los progredir. E para que os operários o consigam com maior frequência, é preciso esforçar-se o mais possível para elevar o nível da consciência dos operários em geral; é preciso que não se limitem ao quadro artificialmente restrito da "literatura para operários", mas que saibam assimilar cada vez melhor a literatura para todos. Seria mesmo mais exacto dizer, em lugar de "se limitem", não sejam limitadas, porque os próprios operários lêem e desejariam ler tudo o que se escreve também para os intelectuais: somente alguns intelectuais (deploráveis) pensam que é suficiente falar "aos operários" da vida da fábrica e repisar aquilo que eles já sabem há muito tempo."


Diz-se frequentemente: a classe operária vai espontâneamente para o socialismo. Isto é perfeitamente justo no sentido de que, mais profunda e exactamente que as outras, a teoria socialista determina as causas dos males da classe operária: é por isso que os operários assimilam-na com tanta facilidade, desde que esta teoria não capitule, ela própria, diante da espontaneidade, desde que se submeta a essa espontaneidade. Isto está, em geral, subentendido, mas o Rabótcheie Dielo esquece-se precisamente desse subentendido, ou deturpa-o. A classe operária vai espontâneamente para o socialismo, mas a ideologia burguesa mais difundida (e constantemente ressuscitada sob as mais variadas formas) é, porém, aquela que mais se impõe espontâneamente, sobretudo ao operário."


"O Rabótcheie Dielo, tal como os autores da cantata economista, no número 12 do Iskra, deveriam "perguntar-se por que os acontecimentos da primavera provocaram uma tal reanimação das tendências revolucionárias não sociais-democratas, em lugar de reforçar a autoridade e o prestígio da social-democracia". A razão é que não estávamos à altura de nossa tarefa, que a actividade das massas operárias ultrapassou a nossa, que não tínhamos dirigentes e organizadores suficientemente preparados, que conhecessem perfeitamente o estado de espírito de todas as camadas da oposição e soubessem colocar-se à cabeça do movimento, transformar uma manifestação espontânea em manifestação política, ampliar-lhe o carácter político etc. Dessa forma, os revolucionários não sociais-democratas, mais desembaraçados, mais enérgicos, explorarão necessariamente nosso atraso, e os operários, por maior que seja sua energia e abnegação nos combates contra a polícia e contra as tropas, por mais revolucionária que seja sua ação, serão apenas uma força de sustentação desses revolucionários, a retaguarda de democracia burguesa, e não a vanguarda social-democrata."





Desta vez, neste terceiro post e propositadamente, as transcrições feitas estão seguidas e sem apontamentos sobre o conteúdo de cada uma delas. Manter o encadeamento das ideias originais, presentes em cada período transcrito, pareceu-me o mais apropriado, a forma mais útil para uma boa compreensão das ideias de Lénine, da sua fundamentação e dos seus objectivos.


Numerosos e diversificados são actualmente as linhas de diversão e dessoramento ideológico. Práticas sindicais economicistas, orientadas pela errónea ideia da "independência política" dos sindicalistas, tão cara à colaboração de classes desejada pelo patronato explorador; defesas variadas de um espontaneismo de massas que, fingindo valorizar as lutas e a componente espontânea que contêm, visam impedir a ligação dos movimentos à teoria marxista-leninista e ao seu papel simultaneamente guia e integrador, numa linha geral contra o sistema; recusa da intervenção política "dos partidos", aparentando a defesa da unidade dos movimentos de massas, como máscara para ocultar o propósito de tudo fazerem para isolá-los do partido comunista, afinal o único alvo deste falso"unitarismo" ; rejeição activa e multifacetada, pelas ideias e práticas reformistas, da necessidade de uma construção teórica independente e de classe, de uma teoria revolucionária e de uma ideologia que, a partir de fora e transformando a "classe em si" na "classe para si", seja um guião das lutas da classe operária, tornando-as políticamente consequentes. Enfim, numerosas são as "pontes" que podemos realizar entre este texto de Lénine e a actualidade.


Lidas/relidas hoje, com o leitor buscando apreender o que contêm de universal, atento à sua cuidada transposição para as realidades presentes, julgo que as ideias leninistas preservaram toda a frescura e potencial educativo e transformador no nosso próprio mundo contemporâneo.

No embate geral de classes, muitas são na actualidade as teses defendendo existir, por parte dos revolucionários, um excesso de actividade teórica, uma excessiva valorização dos factores subjectivos. Muitos são os que, até citando os clássicos do marxismo - deturpando e falseando o seu pensamento -, visam persuadir os mais incautos da errónea ideia que só contam "as condições objectivas", ocultando que a acção teórica conduz a acção prática e que entre as ideologias da burguesia e do proletariado não existe espaço para "terceiras vias". Perante estes "teóricos", defensores da inutilidade/incapacidade dos operários aprenderem e usarem a teoria, as palavras de Lénine, num dos trechos transcritos acima, surgem-nos luminosas e reconfortantes. Vale a pena repeti-las:


"Seria mesmo mais exacto dizer, em lugar de 'se limitem', não sejam limitadas, porque os próprios operários lêem e desejariam ler tudo o que se escreve também para os intelectuais: somente alguns intelectuais (deploráveis) pensam que é suficiente falar "aos operários" da vida da fábrica e repisar aquilo que eles já sabem há muito tempo."


Tal como Lénine na sua época testemunhou, com claro sentido crítico e auto-crítico, também nós hoje devemos afirmar que temos pela frente um vasto trabalho de investigação e formulação teórica. Sempre firmemente ancorados na nossa própria ideologia de classe, usando esse poderoso instrumento interpretativo da realidade a que damos o nome de marxismo-leninismo, enriquecendo o seu conjunto de teorias e vencendo os nossos próprios atrasos.





sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eleições na Alemanha e em Portugal: A cartilha única do capital


Como uma linha de fundo da acção ideológica mistificadora do capital, todos os dias constatamos que está em desenvolvimento uma campanha mundial, usando os grandes meios de comunicação ao seu serviço, visando persuadir os trabalhadores e os povos que a crise do sistema é conjuntural e que está a terminar, para tal encenando massivamente "dados", "sinais", "indicativos", índices da propalada "retoma".

Devemos reconhecer que esta "retoma" é em parte verdadeira; para os grandes banqueiros e grupos económicos, à custa de colossais recursos financeiros públicos que os governos lhes entregaram de bandeja, a crise (a deles!) vai sendo "debelada". Prossegue o saque e a concentração e centralização típicas do capitalismo, agora enormemente aceleradas pelo fenómeno da crise sistémica em curso.

Entretanto, no outro pólo social, constituído pelos assalariados, pelos pequenos agricultores, pelos pequenos empresários - afinal, a imensa maioria da população mundial - a crise prossegue. Aprofunda-se, desenvolve-se regionalmente, atingindo o tecido económico-financeiro real e desencadeando, no seu inevitável percurso de destruição de forças produtivas - com maior violência nas economias periféricas e dependentes do sistema global -, crescentes e dramáticas consequências sociais para os países e povos.

Por coincidência, estão convocadas para o mesmo dia (27/Set) eleições legislativas na Alemanha e em Portugal. No jornal "Avante!", na sua última edição (27/8), saiu publicada a notícia que se transcreve:
"Crise na Alemanha. Patrões admitem despedimento em massa. Despedimentos depois do voto.
O governo alemão tem um acordo tácito com a indústria para evitar despedimentos até às legislativas de 27 de Setembro, mas depois haverá reduções de postos de trabalho. «De momento, a Alemanha está preservada contra mudanças, mas depois das eleições a mensagem será outra, o que é normal», reconheceu Hakan Samuelsson, presidente executivo da MAN, uma das 30 maiores empresas germânicas, ao jornal Financial Times Deutschland.
O matutino recorda, na sua edição de segunda-feira, 24, que já nas legislativas de 2005 foram tomados cuidados especiais com a questão do desemprego, embora o governo da altura, liderado pelo social-democrata, Gerhard Schroeder, tenha acabado derrotado nas urnas. Evitando sobressaltar a opinião pública em vésperas de eleições, empresas como a Siemens, o maior empregador alemão, esperaram que o sufrágio se realizasse para, no dia seguinte, anunciarem o despedimento de milhares de trabalhadores.
O mesmo está a verificar-se neste momento, alerta o FTD, notando que continua a haver um excesso de mão-de-obra e de capacidade de produção, sobretudo na indústria automóvel e na metalomecânica, expoentes da economia germânica e a base das suas exportações.Recorrer ao regime de trabalho parcial, como já aconteceu em milhares de empresas alemãs, afectando cerca de um milhão de trabalhadores, já «não basta, porque as empresas estão a sofrer», disse ao FTD o empresário Reinhold Wuerth, dono da grande fábrica de parafusos com o mesmo nome. Segundo cálculos da Agência Federal de Trabalho (BA), as empresas alemãs já gastaram este ano entre 4,2 e 6,2 mil milhões de euros para evitar despedimentos e financiar o trabalho parcial, apesar de este regime também ser fortemente apoiado por verbas do Estado. Porém, as empresas também beneficiam com o trabalho parcial, porque de outra forma teriam de pagar em média indemnizações de sete mil euros para despedir um trabalhador com pouca qualificação e 32 mil euros para despedir um operário especializado, ainda de acordo com o estudo citado pelo jornal alemão.
A agência estatal calcula que ao longo do ano haverá 1,1 milhões de trabalhadores em regime de trabalho parcial e que o número de horas trabalhadas no país diminuirá 38 por cento. Partindo de uma média anual de 1500 horas por trabalhador, tal quebra corresponderá a uma redução de 630 milhões de horas laborais, calculou a agência."


Anos atrás, quando os comunistas portugueses desmascararam corajosamente as mentiras da propaganda socialista e apontaram as consequências profundamente negativas para o seu povo que resultariam da integração de Portugal na C.E.E. - hoje U.E. -, caracterizaram simbolicamente essa integração com a célebre fábula infantil (mas carregada de sentido para os mais velhos) da panela de ferro e a panela de barro(1), de La Fontaine, afirmando que a frágil economia portuguesa, ligada/subordinada às economias europeias mais fortes, sairia irremediavelmente a perder. Os acontecimentos posteriores vêm-lhes dando inteira razão. Voltando à notícia, transcrita do nosso "Avante!": se o que está a tramar-se pelo grande capital na Alemanha (aqui, a nossa panela de ferro), descaradamente anunciado por elementos seus, é um aumento dos despedimentos logo a seguir às eleições, é fácil perspectivar o que irá passar-se em Portugal (a panela de barro da história).


Aqui fica a chamada de atenção, dirigida principalmente aos trabalhadores portugueses, e em especial àqueles politicamente menos preparados, mais ingénuos, para que meditem sobre o significado daquelas veladas ameaças do grande patronato alemão, sobre o que farão por lá depois das eleições de 27 de Setembro. Porque, sendo a cartilha deles a mesma, vale a pena interrogar o que farão também os grandes grupos económicos em Portugal.


E já agora, por falar em ingénuos, aproveito ainda para transcrever um trecho do editorial do mesmo jornal comunista "Avante!", publicado nesta mesma edição de 27/8:



"Por isso, é tempo de esses ingénuos (sinceros ou não) demonstrarem o suposto erro de análise do PCP e de explicitarem de uma vez por todas a que «diferenças substanciais» se referem, que «diferenças» concretas descobrem entre a política praticada, por exemplo e para não irmos mais longe, pelos governos de António Guterres e José Sócrates e os governos de Cavaco Silva e Durão Barroso - para além, é claro, das ligeiras e cada vez mais ténues diferenças de método que de forma alguma escondem a convergência total no conteúdo e nas consequências. A verdade é que, como há dias sublinhou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em matéria de política governamental, PS e PSD são «farinha do mesmo saco» - o «saco» da submissão total do poder político ao poder económico; o «saco» da destruição do aparelho produtivo nacional; o «saco» do desprezo pelos direitos e interesses dos trabalhadores e da reverência absoluta aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros; o «saco» do desemprego, do emprego precário, do lay-off, dos salários em atraso, das pensões e reformas de miséria, das brutais injustiças sociais, do agravamento sistemático das condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses; o «saco» da subserviência aos ditames do imperialismo, do envolvimento em criminosas guerras de ocupação com centenas de milhares de mortos e da venda a retalho da soberania e da independência nacional; o «saco» do desrespeito frontal pela Constituição da República Portuguesa; o «saco» do empobrecimento constante do conteúdo democrático do regime nascido da revolução de Abril."




(1) Nota: Já agora, vale a pena recordar esta fábula e a sua moral final, p. ex., aqui:










quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Mais um trabalhador sem terra é assassinado pelo poder dos latifundiários

O sem terra Elton Brum da Silva foi morto na manhã da passada sexta-feira (21) em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, com um tiro pelas costas, desferido por uma espingarda calibre 12 durante desocupação, pela Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha), da Fazenda Southall. O assassinato ocorreu por volta das 8 horas da manhã. Elton deu entrada no hospital quase duas horas depois. Não é a primeira vez que a Brigada Militar usa de truculência durante reintegrações de posse, aliás, a violência contra os movimentos sociais instaurada desde o início do Governo Yeda denota opção clara por tratar as questões sociais, como a Reforma Agrária, como caso de polícia.

“Eu não estava tão próximo no momento dos tiros porque a gente se dividiu em dois grupos. Quando Elton foi atingido, ele estava na frente da trincheira e a cavalaria da Brigada entrou por trás, eram cerca de 80 deles, com espadas. A ação foi muito violenta, tem companheiro nosso com a perna cortada por espada. Quando eu ouvi os disparos, a gente tentou ver o que tinha acontecido, mas foi formado um cordão ao redor pelo batalhão. Nós não podíamos nem abrir os olhos, todos no chão, e eles continuavam batendo. Isso durou uns vinte minutos. Bombas de gás foram jogadas nas crianças, que estavam em grupo que tentávamos proteger. Depois que tudo acalmou, deixaram que nós entrássemos de 10 em 10 pessoas para recolher colchões e coisas do género. Foi aí que vimos que, onde aconteceram os tiros, havia uma lona preta, com muito sangue em baixo”. O relato é de Rodrigo Escobar, militante do MST, que esteve na ação em São Gabriel. Escobar contou que muitas crianças foram levadas ao hospital e que os números de feridos divulgados pela imprensa durante o dia não são nem uma pequena amostra do que aconteceu na Fazenda Southall.
Quase duas horas depois, Brum chegou sem vida ao Hospital Santa Casa de Caridade, por volta das 9h40min da manhã. Uma mulher e uma criança também ficaram feridas no confronto. Nas primeiras horas da manhã, as informações repassadas à imprensa pela Brigada Militar atribuíam a morte de Brum a um mal súbito. O assassinato só foi confirmado na metade da manhã. O ex-ouvidor agrário do Governo Yeda e também ex-ouvidor da Segurança Pública, Adão Paiani, disse que o sem-terra Brum foi morto pela Brigada Militar. Paiani relatou que foi procurado, na condição de ex-ouvidor da segurança pública, por um oficial da BM que assistiu à desocupação da fazenda. Esse oficial teria relatado que o manifestante foi morto durante discussão com um oficial da BM que atua na região da Fronteira. Brum teria dito alguns palavrões para o oficial, que revidou com um tiro de espingarda.
Lisiane Vilagrande, promotora de São Gabriel, acompanhou a ação da Brigada durante a desocupação desde as 5h da manhã desta sexta-feira. Segundo ela, a ação “foi extremamente profissional. Em momento nenhum eu senti alguma tensão ou nervosismo por parte dos policias militares que executavam a ação. Foi tudo muito rápido”.
(Transcrito de "Carta Maior")

O condenável currículo desta fazenda Southall, em intimidações e agressões, é extenso. A observação da foto, e um conhecimento mínimo do tipo de arma e da munição usada, chegam para constatarmos tratar-se de um tiro a curta distância (não mais que 5/6 metros, no máximo), o que denuncia o propósito de matar - melhor, de assassinar legalmente.
Em todo o mundo, a luta pela Reforma Agrária vem cobrando um preço demasiadamente elevado em agressões, crimes impunes, vidas ceifadas, pelas forças policiais às ordens dos interesses dos latifundiários e a mando dos governos que os servem. Neste caso, trata-se de mais uma vítima entre aqueles trabalhadores agrícolas que no Brasil lutam por uma das mais justas e universais palavras de ordem dos explorados: "A Terra a Quem a Trabalha".
A justificar a denúncia e a solidariedade de todos os verdadeiros democratas para com a vítima e os seus companheiros de luta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Lénine, o leninismo e a actualidade (II)



Após um intervalo forçado, retomemos o propósito enunciado no texto (I), isto é, analisarmos algumas partes do "Que Fazer?", com o objectivo de as utilizarmos como ferramenta interpretativa de situações e "teorias" da actualidade.
Como dizíamos, com o cuidado atento de procurar ler a sua obra em correlação permanente com a marcha dos acontecimentos da sua época - acontecimentos e situações que ele visava interpretar/influir/dirigir - todos os seus escritos contêm ensinamentos e, simultâneamente, todos evidenciam o seu método rigoroso, polémico, dialéctico, frontal, que tanto nos estimula e atrai para o seu estudo e aplicação no presente.
Daqui resultam a justificação e o objectivo deste texto (II). Transcrevem-se períodos desta sua obra, intercalando-os com apontamentos sobre a sua possível aplicação ao nosso tempo presente. Recomecemos, então:


"De facto, não constitui mistério para ninguém que, na social-democracia internacional de hoje, se tenham formado duas tendências, cuja luta ora “se anima e se inflama, ora se extingue sob as cinzas das grandiosas resoluções de tréguas”. Em que consiste a “nova tendência que "critica” o "velho” marxismo "dogmático", disse-o Bernstein, e demonstrou-o Millerand com suficiente clareza. A social-democracia deve transformar-se de partido da revolução social em partido democrático de reformas sociais. Essa reivindicação política, foi cercada por Bernstein com toda uma bateria de "novos" argumentos e considerações muito harmoniosamente orquestrados. Nega ele a possibilidade de se conferir fundamento científico ao socialismo e de se provar, do ponto de vista da concepção materialista da história, sua necessidade e sua inevitabilidade, nega a miséria crescente, a proletarização e o agravamento das contradições capitalistas; declara inconsistente a própria concepção do "objetivo final", e rejeita categoricamente a ideia da ditadura do proletariado; nega a oposição de princípios entre o liberalismo e o socialismo, nega a teoria da luta de classes, considerando-a inaplicável a uma sociedade estritamente democrática, administrada segundo a vontade da maioria, etc.
Assim, a exigência de uma mudança decisiva - da social-democracia revolucionária para o reformismo social burguês - foi acompanhada de reviravolta não menos decisiva em direcção à crítica burguesa de todas as ideias fundamentais do marxismo. E como essa crítica, de há muito, era dirigida contra o marxismo do alto da tribuna política e da cátedra universitária, em uma quantidade de publicações e em uma série de tratados científicos: como, há dezenas de anos, era inculcada sistematicamente à jovem geração das classes instruídas, não é de se surpreender que a "nova” tendência "crítica” na social-democracia tenha surgido repentinamente sob sua forma definitiva, tal como Minerva da cabeça de Júpiter. Em seu conteúdo, essa tendência não teve de se desenvolver e de se formar; foi transplantada directamente da literatura burguesa para a literatura socialista."(...)

Sabemos, claro, que algumas designações usadas por Lénine devem ser por nós transpostas para as que actualmente utilizamos. Exemplo disto é a designação "social-democrata", que hoje significa comunista. Mas, corrigidos estes pormenores, a leitura deste período de uma obra de Lénine escrita há mais de um século surge-nos hoje espantosamente actual! Se procedermos à substituição dos nomes de alguns dos actores, substituindo-os pelos nomes "correspondentes" da actualidade, a sua análise parece-nos escrita hoje, caracterizando as nossas próprias realidades políticas. Constitui um bom exemplo da genialidade política de Lénine.
Devidamente contextualizado, este trecho tem plena aplicação ao panorama actual dos partidos comunistas, defrontando correntes reformistas externas e também internas. E isto conduz-nos a duas conclusões simples: a primeira, que não é a marcha do tempo e a acumulação de novas experiências e conhecimentos - próprios e alheios - que torna hoje os partidos que se reclamam operários imunes aos fenómenos oportunistas; a segunda conclusão, eventualmente mais dolorosa de enfrentarmos, que também no interior dos partidos o embate político e ideológico está presente, revelando-nos que a luta de classes não fica lá fora, à entrada das nossas portas. Frequentemente, encontramos camaradas com uma concepção falsa - idealista, afinal - sobre os partidos comunistas, aliás explicável pela necessidade constante de preservarmos a nossa unidade e a nossa coesão, razão essencial da força dos partidos "de novo tipo", apresentando a imagem de um partido sólido, coerente, convicto. Uma imagem que, ela própria, seja um factor importante para coesionar e mobilizar a classe e as massas populares na luta que travamos. De tanto defendermos a unidade do partido, somos nós próprios conduzidos à falsa noção de um unanimidade que, mal-grado os nossos desejos e aspirações, não corresponde à realidade.

O combate, tantas vezes áspero e renhido, travado durante os últimos anos - já décadas -, para afirmar a justa concepção de um partido marxista-leninista, contra aqueles que tudo fizeram para o descaracterizar e mesmo destruir, aí estão a confirmar que as batalhas que Lénine no seu tempo teve que travar contra as correntes oportunistas voltam e retornam sempre, assumindo novos formatos e "teorias" mas igualmente visando a liquidação das nossas características essenciais. Outros partidos comunistas - são disto exemplos o espanhol, o francês, o italiano, entre outros - omitindo o trabalho teórico, desprezando a necessidade de um activo e constante combate às teses oportunistas, deixando durante anos e anos que tais ideias fossem medrando no seu seio, "dissolvidos" internamente pela acção dos "reformadores", acabaram totalmente destruídos e hoje deles já nada resta, daqueles que no passado foram grandes partidos operários europeus.

Na luta das ideias, a acção anti-partido das concepções oportunistas é um fenómeno inevitável e intemporal, inerente ao capitalismo e ao seu sistema ideológico dominante. Assim, robustece-nos mais esta ideia da sua objectiva inevitabilidade , permitindo-nos dar-lhe as respostas a cada momento necessárias e adequadas, do que adoptarmos uma concepção idealista do partido, recusando ver os confrontos de ideias que ocorrem - e ocorrerão sempre - no seu seio. A luta de classes está presente em todas as actividades humanas. Entre nós de modo bastante amortecido - felizmente - mas também se manifesta.

(...)"Millerand deu um exemplo brilhante desse bernsteinismo prático; também, com que empenho Bernstein e Volimar apressaram-se em defender e louvar Millerand! De fato, se a social-democracia não constitui, no fundo, senão um partido de reformas e deve ter a coragem de reconhecê-lo abertamente, o socialismo não somente tem o direito de entrar em um ministério burguês, como também deve mesmo aspirar sempre a isso. Se a democracia significa, no fundo, a supressão da dominação de classe, por que um ministro socialista não seduziria o mundo burguês com discursos sobre a colaboração das classes? Por que não conservaria ele sua pasta, mesmo após os assassínios de operários por policiais terem demonstrado pela centésima e pela milésima vez o verdadeiro carácter da colaboração democrática das classes? Por que não facilitaria pessoalmente o czar a quem os socialistas franceses não chamavam senão de knouteur, pendeur et déportateur? E para contrabalançar esse interminável aviltamento e auto-flagelação do socialismo perante o mundo inteiro, essa perversão da consciência socialista das massas operárias - única base que nos pode assegurar a vitória -, são-nos oferecidos os projectos grandiloquentes de reformas insignificantes, insignificantes ao ponto de se poder ter obtido mais dos governos burgueses! Aqueles que não fecham os olhos, deliberadamente, não podem deixar de ver que a nova tendência “crítica” no socialismo nada mais é que uma nova variedade do oportunismo."(...)


A obra leninista é esta magnífica claridade de pensamento, este enfrentamento do real sem titubear, esta exemplar capacidade de discernir campos, explicar os seus significados e, pela polémica profundamente dialéctica, buscar a linha de orientação certa.

Em Portugal, é costume dizermos que, se o quiséssemos, há muito que integraríamos os sucessivos governos. Para tal, bastava-nos (!?) aceitar as políticas falsamente chamadas de "unidade das esquerdas", de "conciliação" dos interesses ditos nacionais, mas de facto ao serviço do grande capital e da conciliação de classes. Há mais de três décadas no lado da resistência e da luta contra a política de direita, ao lado dos trabalhadores e do povo, o PCP soube rejeitar firmemente os "cantos de sereia" que, vindos constante e insidiosamente do exterior, encontraram dentro do partido quem as advogasse. Tal como o texto leninista transcrito acima, também não nos "faltaram" os candidatos a ocupantes de ministérios e/ou secretarias de estado e sempre - é muito importante sublinhá-lo! - apresentando argumentos "de esquerda", anunciados tendo por esteio a necessidade de nos "modernizarmos", de sermos actuais e não fossilizados, abertos às "mudanças em curso no mundo". Pois é: por aqueles que, como Gorbachev nos seus tempos áureos, sempre afirmavam ser indispensável "renovar" o partido para sermos ainda mais verdadeiramente comunistas. Foram rechaçados, desistiram cá dentro de terem o acesso às mordomias que ambicionavam, alguns foram obtê-las ingressando nas formações políticas - PS e PSD - de facto as indicadas para eles. Mas, atenção: este fenómeno não foi definitivamente extirpado do tecido político do partido, das suas organizações. O que nos reclama prosseguirmos com atenção uma cuidada política de quadros.


(...)"Pequeno grupo compacto, seguimos por uma estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão. De todos os lados, estamos cercados de inimigos, e é preciso marchar quase constantemente debaixo de fogo. Estamos unidos por uma decisão livremente tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e não cair no pântano ao lado, cujos habitantes desde o início nos culpam de termos formado um grupo à parte, e preferido o caminho da luta ao caminho da conciliação. Alguns dos nossos gritam:' Vamos para o pântano!' E quando lhes mostramos a vergonha de tal ato, replicam:'Como vocês são atrasados! Não se envergonham de nos negar a liberdade de convidá-los a seguir um caminho melhor!' Sim, senhores, são livres não somente para convidar, mas de ir para onde bem lhes aprouver, até para o pântano; achamos, inclusive, que seu lugar verdadeiro é precisamente no pântano, e, na medida de nossas forças, estamos prontos a ajudá-los a transportar para lá os seus lares. Porém, nesse caso, larguem-nos a mão, não nos agarrem e não manchem a grande palavra liberdade, porque também nós somos “livres” para ir aonde nos aprouver, livres para combater não só o pântano, como também aqueles que para lá se dirigem!"(...)

Este período escrito por Lénine, já um "clássico" das suas citações, fala por si. Revela a dureza do percurso de um partido de princípios e de fidelidade aos trabalhadores e a necessidade da permanente rejeição daqueles que gostariam de nos ver, como eles, no "pântano". Vejamos o que o autor nos diz em seguida, de novo uma espantosa descrição das realidades da sua época e que nos surge quase premonitória, tão bem ela se aplica aos tempos actuais e nas várias latitudes.

(...)"As manifestações do actual oportunismo internacional, em toda a parte idêntico em seu conteúdo social e político, variam segundo as particularidades nacionais. Em um país, os oportunistas há muito agrupam-se sob uma bandeira distinta; em outro, desdenhando a teoria, seguem praticamente a política dos socialistas radicais; em um terceiro, alguns membros do partido revolucionário, que se passaram para o campo do oportunismo, desejam atingir os seus fins, não através de luta aberta por princípios e tácticas novas, mas através de corrupção gradual, imperceptível e, se é que se pode dizer, não passível de punição pelo seu partido; enfim, em outro lugar, esses desertores empregam os mesmos procedimentos nas trevas da escravatura política, onde a relação entre a actividade "legal" e a actividade "ilegal", etc., é completamente original. Fazer da liberdade de crítica e da liberdade do bernsteinismo a condição da união dos sociais democratas russos, sem uma análise das manifestações concretas e dos resultados particulares do bernsteinismo russo, é falar sem nada dizer."(...)

O período a seguir justifica a sua transcrição pela relevância do problema que trata, isto é, as alianças, a indispensabilidade de uma política de alianças para o proletariado e para o seu partido, e, conexa, a questão do seu justo entendimento e da sua prática correcta.

(...)"Evidentemente, a ruptura não se deve ao fato de os "aliados” se terem declarado democratas burgueses. Ao contrário, os representantes dessa última tendência constituem, para a social-democracia, aliados naturais e desejáveis, sempre que se trate de tarefas democráticas que a situação actual da Rússia coloca em primeiro plano. Mas, a condição necessária para tal aliança, é que os socialistas tenham a plena possibilidade de revelar à classe operária a oposição hostil entre os seus interesses e os da burguesia. Ora, o bernsteinismo e a tendência "crítica" a que aderiram, em geral, os marxistas legais, em sua maioria, removiam essa possibilidade e pervertiam a consciência socialista, aviltando o marxismo, pregando a teoria da atenuação dos antagonismos sociais, proclamando absurda a ideia da revolução social e da ditadura do proletariado, reconduzindo o movimento operário e a luta de classes a um sindicalismo estreito e à luta "realista” por reformas pequenas e graduais. Isso equivalia perfeitamente à negação, para a democracia burguesa, do direito do socialismo à independência e, por conseguinte, de seu direito à existência; e, na prática, tendia a transformar o movimento operário, então em seus primórdios, em apêndice do movimento liberal."(...)

Em prejuízo do desenvolvimento das lutas que podem conduzir a avanços reais na transformação da actual correlação de forças em diversos teatros nacionais, esta tendência oportunista de ocultação/diluição dos ideais, do programa e dos objectivos centrais, da própria razão da sua existência, marca negativamente a prática política de numerosos partidos que se afirmam comunistas, conduzindo-os predominantemente para os terrenos institucionais, em prejuízo da sua presença e da sua actuação, activa e constante, junto dos trabalhadores e das massas populares.

Na sequência, observemos o que Lénine escreveu sobre o dessoramento ideológico, sobre a penetração do ecletismo e da ignorância dos princípios no pensamento e na vida do partido. Vale a pena chamar a atenção para a terminologia utilizada pela corrente oportunista da sua época, tão grande a semelhança com designações da actualidade, e, como um aparente apelo à liberdade de crítica mascara afinal o real desinteresse dos oportunistas pela teoria, rejeitando a necessidade do desenvolvimento teórico do partido, desenvolvimento da teoria que permite fortalecer, a cada momento, a actividade partidária.

(...)" 'O dogmatismo', o 'doutrinarismo', 'a fossilização do Partido, castigo inevitável do estrangulamento forçado do pensamento', tais são os inimigos contra os quais entram na arena os campeões da "liberdade de crítica" do Rabótcheie Dielo. Apreciamos que esta questão tenha sido colocada na ordem do dia; apenas proporíamos completá-la com esta outra questão: Mas, quem são os juízes?"(...)"Vê-se assim, portanto, que as grandes frases contra a fossilização do pensamento, etc., dissimulam o desinteresse e a impotência para fazer progredir o pensamento teórico. O exemplo dos sociais democratas russos ilustra, de uma forma particularmente notável, esse fenómeno comum à Europa (e de há muito assinalado pelos marxistas alemães), de que a famosa liberdade de crítica não significa a substituição de uma teoria por outra, mas a liberdade com respeito a todo sistema coerente e reflectido; significa o ecletismo e a ausência de princípios."(...)

E ainda neste plano da actividade teórica do partido e as manifestações oportunistas, o período seguinte pode ser-nos muito útil e oportuno, ao colocar-nos de sobreaviso quanto ao pensamento real de muitos indivíduos que se reclamam marxistas; escrevem com frequência sobre temas políticos, usam uma linguagem aparentemente de esquerda e utilizam citações dos clássicos como suporte para as suas ideias, mas afinal tripudiam o seu significado e violam o pensamento real dos clássicos. Curiosamente, com citações de Marx, já Lénine discutia no seu tempo o carácter ilegítimo de tais citações. Assenta como uma luva em muitos teóricos de grande notoriedade nos tempos presentes! Apreciem:

(...)" 'Cada passo avante, cada progresso real valem mais que uma dúzia de programas'. Repetir tais palavras nesta época de dissensão teórica equivale a dizer à vista de um cortejo fúnebre: "Tomara que sempre tenham algo para levar!" Além disso, essas palavras são extraídas da carta sobre o programa de Gotha, na qual Marx condena categoricamente o ecletismo no enunciado dos princípios. 'Se a união é verdadeiramente necessária', escrevia Marx aos dirigentes do partido, 'façam acordos para realizar os objectivos práticos do movimento, mas não cheguem ao ponto de fazer comércio dos princípios, nem façam "concessões" teóricas'. Tal era o pensamento de Marx, e eis que há entre nós pessoas que, em seu nome, procuram diminuir a importância da teoria!"(...)

Já vai longo este post e é tempo de o fechar. Terei que deixar para mais uma nova postagem a selecção restante sobre o que Lénine nos deixou no seu escrito "Que Fazer? (as questões palpitantes do nosso movimento)". Nele tratou da construção do partido, numa sua fase ainda enbrionária, constitutiva, mas os problemas que trata continuam ainda hoje actuais, constituindo preciosos ensinamentos para todos os partidos e militantes comunistas.

Oxalá tenha conseguido contribuir para relembrar/despertar o interesse pela sua leitura, tornando-a tão palpitante quanto o são as ideias revolucionárias que nos legou.