sábado, 29 de maio de 2010
Um dia muito feliz na vida e na luta de um povo!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
29/5: Jornada de luta dos trabalhadores portugueses - também no Brasil
Todas as informações que nos chegam, sobre a preparação e mobilização em Portugal para a grande Jornada de Luta dos Sindicatos da CGTP-IN, no próximo sábado, 29, indicam estarmos prestes a confirmar a realização de uma das maiores manifestações desde sempre realizadas no país. De facto, as razões dos trabalhadores e de outras camadas produtivas para tal não são para menos; roubo nos salários e pensões, novos assaltos do Fisco, com aumento nos impostos indirectos, cortes nos apoios sociais, designadamente no subsídio de desemprego – num quadro de recessão económica! -, cortes nos investimentos públicos, novas privatizações de empresas nacionalizadas após o 25 de Abril, ameaça de novas alterações na legislação dos direitos do trabalho, enfim, uma violentíssima ofensiva do governo “socialista” do PS, apoiado pelos partidos tradicionais da direita.
Da violência desta ofensiva do grande capital europeu e internacional, contra os trabalhadores e os povos do sul da Europa, e da disposição do movimento operário e popular para lhe resistir, fala também a mobilização de emigrantes portugueses no Brasil.
Por iniciativa do Centro Cultural 25 de Abril, herdeiro político da importante acção desenvolvida em terras brasileiras pelo jornal “Portugal Democrático” durante os anos de fascismo em Portugal, um grupo de emigrantes aqui radicados organiza um acto cívico, no mesmo dia e à mesma hora em que decorre a manifestação em Lisboa. Iniciativa de solidariedade e de luta, aberta à participação dos democratas brasileiros amigos de Portugal, surge com o claro propósito de afirmar as características verdadeiramente nacionais da Jornada de 29/5, devendo constituir um estímulo para que outras comunidades emigrantes se unam também na luta.
Transcrevem-se em seguida os textos do Manifesto e do Convite que estão a ser dirigidos a camaradas e a amigos e à comunidade portuguesa aqui emigrada, com divulgação junto da Imprensa brasileira local.
Manifesto à Comunidade Portuguesa e aos Amigos Brasileiros
“A direção do Centro Cultural 25 de Abril, fiel aos princípios democráticos e populares que desde sempre guiam as posições e atividades desta Associação, perante as notícias que nos chegam de Portugal, com informações que reputamos graves para o bem-estar e futuro próximo dos nossos compatriotas, decide manifestar as seguintes considerações:
1- Afirmar a sua veemente oposição e repúdio perante a violenta ofensiva que nestes dias decorre no nosso país de origem, pela mão do atual governo PS/Sócrates e com o declarado apoio do PSD, com o propósito de cometer um autêntico assalto aos rendimentos dos trabalhadores portugueses e para benefício exclusivo dos banqueiros e outros setores do grande capital nacional e estrangeiro;
2 – Com efeito, as tentativas do governo português para aplicar novas taxas de IRS, preparando-se para descontar mais um imposto adicional entre 1 e 1,5% nos salários e pensões e anulando deduções à coleta relacionados com despesas com saúde e educação, a par do agravamento da taxa do IVA em mais 2% e fazendo-a incidir sobre todos os artigos de primeira necessidade, nomeadamente alimentos, são medidas que configuram um verdadeiro roubo a todos os que vivem do seu trabalho e que constituem a esmagadora maioria da população;
3 – A somar a estas medidas de espoliação, o governo português prepara planos para anular numerosas prestações sociais indispensáveis à sobrevivência das famílias mais pobres e, no momento em que os dados oficiais do desemprego já atingem os 10,6% (só no último ano, mais cerca de cem mil desempregados!), quer reduzir e liquidar mesmo o subsídio de desemprego que hoje já só é recebido por pouco mais de 40% dos desempregados, criando assim um quadro de miséria generalizada em vastas regiões do país;
4 – Com o falso e hipócrita argumento da “crise”, e depois de ter desviado das finanças públicas a colossal verba de 20.000 milhões de euros para alegadamente “socorrer” os bancos envolvidos na especulação e nas fraudes financeiras – bancos que, só os cinco maiores portugueses, registraram este ano lucros de 5,5 milhões de euros por dia! -, o governo português comporta-se como um autêntico “pau mandado” dos governos das maiores potências da U.E. e da sua Comissão, submetendo-se a todas as ordens recebidas desta com o objetivo de drenar para os bolsos dos banqueiros alemães e franceses os já limitados recursos do Estado, para mais recursos quase totalmente suportados pelos impostos pagos pelos que menos têm, ao mesmo tempo que se preparam para abocanhar as poucas empresas e serviços públicos ainda não privatizadas, sacrificando assim o desenvolvimento e a independência da nossa economia nacional;
5- Este servilismo aos interesses do grande capital levou a Espanha e a Argentina, alunas aplicadas das “receitas mágicas” e “recomendações” de economistas a serviço das grandes negociatas, à situação de penúria orçamental atual e à recessão. Ou ao “sucesso exemplar” da Letônia, como é classificado o país em The Economist, que sofreu queda do PIB de 25%, desemprego de 22%, mas não deixou de pagar os credores e tem seus restaurantes de luxo cheios. Os países que, na América Latina, na Ásia e em África, souberam resistir às chantagens do FMI, declararam o não pagamento das “dívidas” que justamente consideraram ilegítimas, apostaram no aumento da sua capacidade produtiva, gerando mais empregos, mais riqueza, melhores salários, melhores condições de vida para os seu povos.
6- Denunciando esta situação, acreditamos que há outra solução e outro caminho, para Portugal e para os portugueses, assente no aumento da produção nacional, no aumento do investimento público em obras estratégicas para induzir o crescimento econômico, no aumento dos salários e pensões que estimule o mercado interno, no apoio decidido a melhores serviços públicos prestados à população (na Saúde, no Ensino, na Habitação, nos Transportes, na Seg. Social), com uma política fiscal que faça pagar ao fisco aqueles que mais têm e acabe com o escândalo dos “off-shores”, tributando fortemente a especulação bolsista, enfim, é possível uma outra política, democrática e patriótica que aposte nas capacidades e no trabalho dos portugueses e recuse a subserviência perante os grandes da U.E.;
7 – Valorizando a justíssima decisão dos Sindicatos portugueses da CGTP, que convocaram uma importante jornada nacional de luta para protestar e contestar estas últimas medidas antissociais do governo português, marcando uma Grande Manifestação Nacional para o Próximo sábado, dia 29/5, em Lisboa, o Centro Cultural 25 de Abril de São Paulo, inteiramente solidário com os objetivos desta Manifestação em Portugal, decide realizar nesta mesma data um ato público de solidariedade e protesto, a ter lugar na Praça Mestre de Avis, às 11h, para o qual convoca todos os membros da comunidade emigrante portuguesa, bem como apela ao apoio e solidariedade dos democratas brasileiros amigos de Portugal e do Povo Português, para que se integrem e nos acompanhem neste ato público que, acreditamos, também pretende resgatar a nossa dignidade e o nosso patriotismo, lutando juntos contra a ditadura capitalista da União Europeia, que nestes dias agride os legítimos e inalienáveis interesses do povo português e dos outros povos da Europa.
Contamos com a presença de todos vós, compatriotas e amigos de Portugal e apoiantes dos mais belos propósitos da Revolução dos Cravos de 25 de Abril!
Todos no próximo sábado, dia 29, à Concentração na Praça Mestre de Avis, a partir das 11 h, junto ao Monumento ao 25 de Abril. Até lá!”
O Centro Cultural 25 de Abril, convida a Comunidade Portuguesa de São Paulo a comparecer dia 29 de maio de 2010, (sábado) às 11:00h junto ao Monumento “As Portas Que Abril Abriu”, localizado na Pça. Mestre de Aviz na av. Ibirapuera em S. Paulo e erguido em homenagem à Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974, para participarem de ato cívico de apoio aos trabalhadores portugueses e à CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional) neste momento de crise que Portugal enfrenta.
domingo, 23 de maio de 2010
Um olhar argentino sobre a actual situação na Europa
Após causar estragos na sua terra natal, os Estados Unidos, o vírus "neoliberal", para usar a expressão correta de Samir Amin, já infectou a Europa. Confrontado com sintomas inocultáveis da crise, os mercados reagiram com uma mistura explosiva de cobiça e irracionalidade e mostram o seu cepticismo sobre as receitas para sair da crise produzida pelo G-20, o FMI e o BM. Para piorar as coisas, este fim de semana, Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, disse que "o resgate de um bilhão de dólares aprovado pela União Europeia e do FMI é só para ganhar um pouco de tempo." Esta opinião foi apoiada pelo economista chefe do BCE Juergen Stark, que também disse que "quando os mercados ficam loucos, ninguém pode prever as consequências".
A natureza estrutural e de longa duração da crise é evidente, e suas dimensões são impressionantes: na Grécia, o défice fiscal em relação ao PIB é próximo dos 14%, na Irlanda, quase 15%, em Espanha, está praticamente nos 12% , em Portugal ultrapassa já os 9% e no Reino Unido, do qual poucos falam, o défice orçamental é apenas um centésimo menor do que a Grécia: 13%. Estes números desviam-se brutalmente daqueles estipulados pelo defunto Tratado de Maastricht, pelo qual os países europeus se comprometeram a manter o seu défice orçamental abaixo dos 3% do PIB. Tudo isso acontece porque, com a eclosão da crise, no Verão de 2008, os governantes ordenaram ao Banco Central Europeu e aos seus próprios bancos para resgatarem as grandes empresas afectadas pela crise, como haviam feito Bush e Obama nos EUA, demonstrando, a título de exemplo, que a doutrina da "autonomia do Banco Central" é uma ilusão para consumo somente dos governos subservientes da periferia.
O problema com esta ajuda é que, mais cedo ou mais tarde, os fenomenais pagamentos feitos pelos governos tornam-se uma dívida de enormes proporções, causando um crescimento incontrolável do deficit fiscal. Desde há algumas semanas, o problema não suscitou maior atenção - o FMI absteve-se até mesmo de enviar um aviso para o mundo desenvolvido (quando por défices muito menores enviam as suas missões mortais para qualquer país do Terceiro Mundo) - excepto entre os poucos que estavam realmente conscientes da situação e não acreditam em metáforas inteligentes usados pelos gurus do capitalismo, que desde há um ano vinham falando sobre "sinais no verde", que anunciavam o fim da crise.
As propostas para gregos e espanhóis são uma cópia das impostas pelo FMI na América Latina que serviram apenas para acelerar o colapso e o caso argentino é o reflexo mais fiel do que provavelmente espera muitos dos países da União Europeia que ainda se agarram ao catecismo neoliberal. O "Wall Street Journal" de 12 de Maio afirmava que "na zona do euro e em menos de um mês, o FMI deixou de ser um pária para se tornar uma instituição essencial cuja bênção é necessária para países que precisam de pacotes de resgate." Este autêntico Dr. Mengele das economias - que continua a ser o mesmo de antes, apesar de afirmações públicas em contrário -, foi aquele que as autoridades da União Europeia escolheram para administrar os remédios para resolver a crise. Por isso, não surpreende ver uma Europa em pé de guerra social, em resposta a um programa de ajuste brutal como o que sofreu a América Latina.
Como na Grécia, o ajuste recessivo de Rodriguez Zapatero em Espanha tem como um dos seus pilares a redução salarial de 5 por cento para a maioria dos trabalhadores e do congelamento para aqueles com menor salário, os chamados "mileuristas" (*), por ser essa, aproximadamente, a quantia que eles ganham por mês. Para mostrar que há austeridade para todos e que vai ser progressiva, o governo espanhol decidiu que de secretário de Estado para cima a redução seria de 15 por cento. A única desvantagem é que enquanto o primeiro-ministro espanhol ganha 91.982,40 por ano (cerca de 8.000 euros por mês, além de diversas despesas que estão a cargo do Tesouro), o corte de 15 por cento dificilmente irá produzir qualquer diminuição na sua capacidade de poupança e consumo. Mas, para os sectores mais baixos da administração pública, cuja remuneração com prémios, subsídios e bónus, é cerca de 2000 euros por mês, os 100 euros que lhes vão ser cortados irão afectar negativamente a sua qualidade de vida.
David Cameron, o novo primeiro-ministro britânico, foi mais fleumático e ordenou uma redução de 5 por cento de seus salários, apesar do seu salário anual ser de 207.500 libras esterlinas (somando o que lhe cabe como 1°. ministro e como membro do Parlamento) mais do que dobra o do seu homólogo espanhol. Estes dois exemplos são suficientes para caracterizar a filosofia por trás desses programas de ajustamento. Acrescente-se que em nenhum país da UE esta redução de gastos afecta as volumosas despesas do orçamento militar, parte do qual é destinado a financiar guerras imorais e infames como as que estão sendo travadas no Iraque e no Afeganistão. O que se reduzirá será a soma destinada à cooperação internacional. Só no caso espanhol, isto significa uma baixa de 600 milhões de euros, uns 8 por cento do orçamentado anteriormente.
Neste contexto, não deixa de ser surpreendente a conversa telefónica, realizada em 11 de Maio, entre Obama e Zapatero, especialmente quando o primeiro aconselhou a tomar medidas resolutas "para acalmar os mercados." Esta frase é muito semelhante àquela que no seu tempo pronunciou o ex-presidente Fernando de la Rua, na véspera do colapso da convertibilidade, quando também ele - como Obama agora - afirmava que era necessária e viável "para trazer calma aos mercados." Na realidade, os mercados são uma instituição em que a tensão, o tumulto e irracionalidade são a norma; além disso, sem se importarem com aquilo que se faça, são gananciosos e querem sempre mais, como eles fizeram saber a De la Rua e a Cavallo, em Dezembro de 2001.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
A correlação de forças e a luta actual pelo socialismo (I)
Actualmente, compete-nos esgrimir aqueles princípios metodológicos leninistas na análise dos novos fenómenos sociais e políticos contemporâneos. Como o próprio Lénine afirmou, não como dogmas mas como guias para a exploração das novas realidades. Uma cega aplicação daquela "lei" definida por Lénine, o que nos indicaria sobre as condições pré-existentes às revoluções socialistas entretanto ocorridas ao longo do século XX? Possívelmente, na prática totalidade delas, tal "lei" aconselharia à não-realização dos levantamentos e transformações revolucionárias socialistas que de facto ocorreram - as repúblicas socialistas soviéticas, as revoluções europeias e a revolução chinesa na década de quarenta, a revolução cubana, as revoluções na Indochina - Vietname, Laos, Cambodja -. e outras.
Os apologistas do sistema capitalista, dentre os quais os partidários auto-proclamados do velho PASOK ou os revisionistas, ao reduzirem as causas da crise económica a uma questão de gestão do sistema, negam ou dissimulam a verdadeira base sobre a qual ela emerge, o próprio capitalismo.
As condições actuais exigem que o processo de tomada de consciência social e política se acelere e, sobretudo, que se exprima pela organização e a luta planificada que abram perspectivas de futuro. É o nível de vida do povo, da classe operária e das famílias com rendimentos modestos que nos preocupam, não os lucros dos capitalistas.
A nossa estratégia é impedir que estas medidas bárbaras sejam impostas na medida em que possamos fazê-lo nas condições actuais, impedir que elas tenham legitimidade na consciência popular, afastar os trabalhadores do PASOK e do ND, bem como das suas políticas, mobilizar e fazer avançar o movimento na via do contra-ataque a fim de reverter a relação de força actual, rumo ao poder popular. Não somos nem indiferentes nem observadores neutros, mas uma vez que a relação de forças políticas não permite uma intervenção eficaz em favor do povo, colocamos a prioridade no movimento social, fora do Parlamento.
Chegou o tempo para uma frente popular e social, para que uma acção política e de massas ganhe forma, ganhe uma forma distinta, desenvolvida a partir das forças militantes existentes que devem ser desmultiplicadas; ou seja, as forças militantes dos operários e dos empregados do privado e do público, dos independentes pobres – artesãos e pequenos comerciantes –, dos camponeses pobres, com um reforço da participação dos jovens, dos filhos da classe operária e das famílias populares, em particular aqueles que estudam e trabalham e estão em programas de aprendizagem, as mulheres e os imigrantes, aqueles que se batem nos domínios da ciência, da arte e da cultura.
Para esta causa, é necessário mobilizar forças com o KKE, pouco importa se os trabalhadores estão de acordo com o KKE sobre tudo, ou se têm interrogações ou pontos de vista diferentes sobre o socialismo.
As premissas de uma tal frente existem hoje como o demonstram a Frente Militante dos Trabalhadores ( PAME ) , a mobilização anti-monopolista dos trabalhadores independentes e dos pequenos comerciantes (PASEVE), a mobilização militante dos camponeses (PASY), a Frente Militante dos Estudantes (MAS) e outras formações do movimento. Outras formações emergirão no decorrer do caminho, e inclusive formações do mesmo tipo nos movimentos de massas contra a guerra imperialista, pelos direitos individuais e colectivos, democráticos, sindicais e pelas organizações associativas que agem localmente.
O cerne das lutas permanece nos locais de trabalho, nas ruas com os pequenos comércios, no campo, nas escolas, nas universidades, nos bairros de imigrados, em todos os bairros operários e populares. A colocação em cheque das novas medidas anti-operárias e inclusive a supressão das convenções colectivas e a promoção dos contratos individuais, a redução imposta do tempo de trabalho, as relações de trabalho flexível, etc, deve ser avançada com força em cada local de trabalho.
Os trabalhadores devem modificar a relação de forças a partir de baixo e isto deve ser expresso enquanto a luta se desenvolve igualmente ao nível político. O povo não deve aceitar pagar todo o tempo, submeter-se a sacrifícios indescritíveis para benefício dos lucros dos industriais, dos armadores, dos grandes comerciantes, dos monopólios em geral.
A primeira é a luta, o que supõe resistir, travar uma guerra de desgaste e solapar estas medidas bárbaras que o governo e seus aliados tentam fazer passar; luta contra um aparelho de que uma parte é o sistema político burguês do país e a plutocracia. Uma luta de desgaste não é suficiente; algumas pequenas ou maiores vitórias devem também ser obtidas.
E, entretanto, a tarefa mais importante da nossa frente deve ser criativa, a de libertar um ponto de vista militante e popular, o optimismo e a dignidade militantes, um patriotismo de classe e o internacionalismo, a acção popular e as iniciativas que podem transformar a frente numa vasta corrente de modificação e de inversão da relação de forças.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
KKE - Um valoroso partido comunista em luta e o internacionalismo proletário
O corajoso e combativo P.C.Grego acaba de realizar, no último sábado (15/5), mais uma importante acção de luta e uma demonstração do apoio que lhe dão os trabalhadores e o povo gregos. Calculados em 100.000 participantes, comunistas e simpatizantes, no comício final estiveram na tribuna, ao lado da Secretária-Geral do KKE, representantes de quatro PC's europeus: do PC Português, do PC da Turquia, do Partido dos Trabalhadores da Bélgica e do PC dos Povos de Espanha. Viva a solidariedade de classe! Viva o Internacionalismo Proletário!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Portugal: Com a ofensiva neoliberal, vem a caminho o regresso aos governos do "Bloco Central"?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A ofensiva capitalista e (as nossas) Informação "versus" Agitação
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Grã-Bretanha - Aprofundamento da crise capitalista compromete a clássica solução parlamentar burguesa do bi-partidarismo
Ao contrário de todas as "profecias" vertidas pela comunicação "social" dominante, semana a semana, mês após mês, anunciando-nos animosamente a "saída da crise", o sistema capitalista mundial prossegue a sua marcha destruidora, tal como um avião desgovernado no seu caminho para o abismo mas com o pessoal de bordo - comandante e comissários - assegurando aos seus passageiros que tudo vai bem, evitando com isso que o pânico se instale. Mas sabemos que, a não ser alterada e invertida tal rota - pela vontade e determinação dos passageiros -, no final deste percurso espera-nos o caos social e a barbárie política e, para desespero dos mais crédulos, constatando que os verdadeiros comandantes e comissários nunca estiveram a bordo!
Também reflexo desta profunda crise, que se vai instalando nos países europeus - não obstante o erro típico dos nacionalismos (de direita e de esquerda!), que afirmam "o mundo vai mal, mas nós não!" - os resultados eleitorais das últimas eleições na Grã-Bretanha revelam uma outra crise: a crise dos sistemas bi-partidários, uma solução instalada e mantida há décadas na velha Albion, tal como em vários outros países capitalistas da linha da frente - caso dos EUA e outros - e "exportada" pelo capital como a sua melhor solução para todos os restantes, através da aplicação de leis eleitorais deliberadamente bi-polarizadoras.
Com os trabalhistas de Gordon Brown derrotados e "despromovidos" para o terceiro lugar e os conservadores de David Cameron "promovidos" ao partido mais votado mas sem conseguirem obter a maioria absoluta no parlamento - não obstante a anti-democrática lei eleitoral inglesa, violadora do fundamental princípio da proporcionalidade entre n°. de votos/n°. de eleitos - a demissão de Brown e a posse ontem (11/5) de Cameron no cargo de 1°. ministro, após negociações para uma coligação governamental com o partido liberal de Nick Clegg, abre-se um novo capítulo no regime político britânico. Como facto novo, os liberais viram a sua votação torná-los o partido-charneira para uma solução da crise política, revelando que a clássica solução alternante labour-tory parece uma solução esgotada, pelo menos no imediato.
Durante a própria agressão sionista a Gaza, Clegg pronunciou-se assim: “Temos um presidente dos EUA de saída (Bush) sancionando a resposta militar israelense e um doloroso silêncio do presidente eleito (Obama). Temos uma União Europeia comprometida por confusas mensagens... Gordon Brown, como Tony Blair, fez a política externa inglesa ficar efectivamente subserviente da de Washington. O apoio ao governo extremista de Israel não é nem do interesse da Inglaterra, nem do seu povo”.
E, um ano depois da invasão de Gaza, quando a Europa e os EUA se calaram perante o bloqueio de alimentos e materiais de reconstrução pelo exército israelense, o líder liberal proclamava que “o confinamento e punição de toda uma população não é a forma de construir a paz para todos os povos do Médio Oriente”.
Mas Nick Clegg foi ainda mais longe no tratamento de temas delicados para as relações EUA-Inglaterra. O manifesto de lançamento da sua candidatura diz que “queremos um completo inquérito judicial sobre a conivência do país nas torturas e nas ‘rendições extraordinárias’, nas quais suspeitos de terrorismo eram presos pela CIA no exterior e enviados a países para serem torturados secretamente”.
Ainda mais outra posição dos liberais, mal vista pela Casa Branca: Clegg é contra o Sistema de Misseis Trident, alegadamente planeado ante a possibilidade de um hipotético ataque da ex-União Soviética. Para ele, já que a Guerra Fria acabou, não se deve manter o programa Trident, com um custo de 120 bilhões de libras nos próximos 20 anos.
Mesmo no plano da política interna e arriscando-se a perder votos de uma população fortemente atingida pela crise capitalista e revelando crescentes tendências anti-imigração, o líder liberal defendeu a amnistia dos emigrantes ilegais que se encontrem há dez anos no país, ao contrário das medidas duras propostas pelos seus adversários, inclusive pelos trabalhistas.
E querendo aparecer como defensor das velhas tradições liberais inglesas, Clegg disse querer ainda, através de uma “freedom bill” (lei da liberdade) restaurar a protecção às liberdades civis violadas e suprimidas pelas medidas anti-terrorismo do período Brown. Sobre política financeira, rejeitou o princípio capitalista aplicado aos bancos conhecido por “too big to fail” (muito grandes para falir), fielmente respeitado por trabalhistas e conservadores e garantiu que, se fosse eleito, não impediria a quebra de grandes bancos fraudulentos (?!).
De um ponto de vista de classe, assente sempre numa análise política igualmente de classe, não há razões para alimentar quaisquer ilusões com o partido liberal inglês. Ele faz parte e integra o arco dos partidos representantes dos interesses do grande capital, lá como cá e em numerosos outros países, são os partidos das políticas de direita. São até de esperar alterações significativas naquelas posições que o liberal Nick Clegg foi defendendo, durante o período que antecedeu as eleições e na própria campanha eleitoral. Isso é um comportamento típico nestas democracias burguesas, é próprio dos procedimentos "éticos" dos políticos burgueses, nada há para se estranhar nem que justifique que gastemos mais tempo com tal expectativa.
sábado, 8 de maio de 2010
8 de Maio de 1945 - Breve (mas necessário) apontamento histórico
Esta dia da vitória, a vitória das forças aliadas sobre o nazi-fascismo alemão, na verdade assinala a data da entrada das forças armadas soviéticas na capital berlinense e a tomada do Reichstag pelos militares do Exército Vermelho.
"Do ponto de vista das grandes estratégias...é difícil fugirmos ao facto evidente de que os exércitos russos aniquilaram mais soldados e armamento ao inimigo do que todos os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto...Nós não podemos esquecer-nos da heróica defesa de Moscovo, Leninegrado e Stalinegrado e das gigantescas proporções das operações ofensivas russas lançadas em 1943 e 1944, em consequência das quais foram aniquilados os enormes exércitos germânicos."
"Quando falo do que foi feito pela Grã-Bretanha e do contributo militar dado pelos Estados Unidos, nunca me esqueço que foi o Exército Vermelho que quebrou o ânimo aos nazis...O Exército Vermelho deu um exemplo de abnegação e coragem. Este exemplo incutiu em nós a esperança de que a liberdade e o mundo serão salvos"
(Winston Churchill)
"Os franceses sabem o que a Rússia Soviética fez por eles e sabem também que foi precisamente a Rússia Soviética quem desempenhou o principal papel na sua libertação".
(Charles de Gaulle)
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O PCP, solidário com o povo grego, recusa o empréstimo à Grécia!
Em intervenção na Assembleia da República, Bernardino Soares, em nome do Partido e anunciando o voto contra dos comunistas ao empréstimo que o governo veio propor ao parlamento português - em obediência às ordens da dupla germano-francesa que manda na UE -fez a seguinte declaração:
A situação que se vive na Grécia e noutros países é a consequência da irracionalidade do sistema vigente na União Europeia.
Uma política assente em orientações monetaristas favoráveis aos grandes grupos económicos e às potências do directório da União Europeia, mas que penaliza fortemente as economias menos desenvolvidas, designadamente com a política do euro forte e com a imposição de critérios monetaristas artificiais 3% com consequência no investimento público, na dinamização do mercado interno, nas desigualdades sociais.
Uma política que conduz à crescente financeirização da economia, à degradação das capacidades produtivas dos países menos desenvolvidos, como acontece com Portugal, à estagnação e à recessão. Uma política que se orienta para o benefício do capital especulativo.
Ao longo da crise em curso foi gritante a falta de solidariedade da União Europeia e em especial das suas principais potências. Deixou-se agravar o ataque dos especuladores em relação à Grécia, e também em relação ao Portugal e outros países, quando a situação podia e devia ser travada com uma posição mais forte perante essas operações. Está hoje, aliás, evidente que as notações e as supostas inseguranças dos mercados, nada mais são do que a pressão para aumentar o juro das dívidas e assim as margens de lucro do capital especulativo.
Nesta crise ficou claro como funciona a União Económica e Monetária. Um bom exemplo é a acção do BCE, guardião da ortodoxia monetarista. O BCE pode emprestar e empresta dinheiro a instituições bancárias, independentemente até da sua solidez, à taxa de 1%. Mas está proibido de emprestar dinheiro aos Estados em dificuldades, por imposição e interesse da Alemanha.
E mesmo perante a situação de crise, a evidenciar que é preciso fomentar a economia dos países menos desenvolvidos, mantêm-se absurdamente os critérios monetaristas dos 3% de défice, mesmo que isso implique uma ainda maior destruição das economias, do emprego, do desenvolvimento.
O que se propõe agora à Grécia é uma dose cavalar da mesma política que tem sido imposta todos estes anos e que também não queremos para o nosso país. Congelamento de salários e pensões, corte de subsídio de férias e de Natal para trabalhadores e reformados, redução de salários na administração pública, aplicação de uma regra 5/1 nas entradas e saídas da administração pública, mais uma revisão brutal do investimento público, destruição de direitos e salários no sector privado, privatização e liberalização de sectores públicos essenciais, encerramento de serviços públicos por exemplo ferroviários, contracção fortíssima de despesa social, etc. etc..
Estas medidas vão criar mais dificuldades à Grécia, tal como as que entre nós estão a ser aplicadas criam em Portugal. Sem dinamização do mercado interno, sem mais investimento não há crescimento. Sem crescimento não há receita. Sem receita não há dinheiro para pagar a dívida pública.
Mais ainda, este dinheiro vai, mais uma vez, para o sistema financeiro. Para os mesmos que criaram a crise, que lucraram com ela, que dinamizam a especulação. Entretanto, pagam os mesmos de sempre: os trabalhadores e o povo.
Estamos contra este caminho, como estamos contra a aplicação no nosso país da política que ele perpetua. Sim, a União Europeia deve ajudar a Grécia. Mas o que está aqui em causa não é uma ajuda, é uma condenação ao atraso, à dependência, à crise social. As verdadeiras ajudas não chegaram a aparecer.
E não nos digam que este caminho é inevitável!
Estamos fartos que nos digam que só há este caminho; que o resultado seja a estagnação, a recessão e a pobreza e ainda assim nos digam que só há este caminho.
Que as desigualdades aumentem e ainda assim nos digam que só há este caminho.
Que os grupos económicos e o grande capital concentrem cada vez mais a riqueza e nos digam que só há este caminho.
Que o desemprego e a precariedade alastrem, que os salários as reformas e as prestações sociais sejam cortados e nos digam que só há este caminho.
Não, Srs. Deputados não há só este caminho. Este caminho não serve o povo grego, nem o povo português nem os povos da Europa.
É por isso que cada dia está mais claro que para a Europa, como para Portugal, é preciso outro rumo, é preciso outro caminho.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Desenvolvimentos da crise do capitalismo - uma ofensiva do capital já anunciada
O dilema, de facto, está colocado: ou a luta dos trabalhadores derrota esta violenta ofensiva do capital, travando-a ainda nesta fase do seu desenvolvimento, ou um novo período de dominação do capital, marcado por grandes retrocessos civilizacionais, virá ocupar a actual etapa histórica dos povos europeus, impondo-lhes regimes autoritários e neofascistas. Não há já espaço, objectivamente considerado, para soluções de relativo equilíbrio, de manutenção do quadro existente. Compreender esta equação, tornou-se decisivo para levar as massas trabalhadoras a agirem imediatamente em sua própria defesa, antes que viessem a querer reagir mais adiante, mas já demasiado tarde.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Um poema/canção para todos os tempos e lugares
Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe,
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.
Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder.
Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte,
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.
Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.
Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.
António Gedeão
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Viva o 1°. de Maio! - Apelo da FSM
Viva o 1° de maio de 2010! Os trabalhadores não pagarão a crise!
O período em que vivemos é um período de imperialismo agressivo, novas políticas neoliberais anti-laborais e de crise económica internacional do sistema capitalista. Esta crise manifesta-se em todos os sectores: na economia, no meio ambiente, na qualidade de vida, na cultura e nas mudanças climáticas. As crises estão no DNA do capitalismo e por isso aparecem uma e outra vez. É impossível para o capitalismo resolva os problemas dos povos do mundo.
Na Ásia, o retrato em geral não é melhor: no Iraque, Afeganistão e Paquistão, os E.U. e os imperialistas europeus continuam a sua ocupação e as operações militares. Ameaçam o Irão e as repúblicas da Ásia da antiga União Soviética. Em Bangladesh, o salário base é de US $ 26 por mês, no Sri Lanka US $ 59 e no Paquistão é de US $ 71.
No Médio Oriente, o tormento dos palestinos heróicos, libaneses e sírios, continua. Israel, com o apoio essencial dos E.U., a União Europeia e os seus aliados, continua a ocupar ilegalmente o Golan sírio, mantém Gaza isolada, está assassinando no Líbano, tudo isto ameaçando a estabilidade e a paz no Mediterrâneo Oriental.
Nos E.U.A., a situação também é complicada. O desemprego e a pobreza estão em aumentar, atingindo a taxa de desemprego os 9,7%.
Na América Latina sente-se a agressividade da América do Norte. Calúnias e ataques ocorrem contra a heróica Revolução Cubana, os ataques à Venezuela, à Bolívia e ao Equador, a ocupação do Haiti e o apoio à ditadura nas Honduras. Na Colômbia, nos últimos cinco anos, mais de 210 sindicalistas foram assassinados e o país está se transformando numa base militar dos E.U.A..
Também na Europa, o capitalismo cria e multiplica os problemas. Os trabalhadores desempregados nos países da União Europeia são hoje em dia milhões. As privatizações, os ataques à segurança social, a redução dos salários e das pensões são uma estratégia comum para todos os governos europeus, tanto os neoliberais como os social-democratas. O Tratado de Lisboa mostra a atitude reaccionária e o verdadeiro papel da União Europeia. Em Fevereiro deste ano, 23 milhões de trabalhadores da UE estavam desempregados, como resultado da política de encerramentos e maior sobre-exploração. As maiores taxas de desemprego oficial entre os Estados-Membros são as da Letónia, com 21,7%, e da Espanha, com 19%.
Importantes Lutas
A FSM escolheu a data simbólica de Maio de 2010 para anunciar a convocação do 16 º Congresso dos Sindicatos, que se realizará nos dias 6 a 9 de Abril de 2011, em Atenas, Grécia. O 16 ° Congresso constituirá um evento sindical e social de grande importância para todos os trabalhadores do mundo.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
VIVA ABRIL, VIVA A REVOLUÇÃO!
No passado dia 20, na cidade de São Paulo, no Brasil, teve lugar um evento político sobre a Revolução Portuguesa de Abril que se revelou uma iniciativa a vários títulos notável. Organizado por iniciativa dos camaradas militantes do PCP aqui emigrados, foi uma realização do Centro Cultural 25 de Abril, com sede naquela cidade brasileira.
