SÓ NÃO SE ENGANA QUEM CEDE AO MEDO DE CAMINHAR NO DESCONHECIDO - SÓ SE PERDE AQUELE QUE NÃO ESTÁ SEGURO DO RUMO QUE ESCOLHEU.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma candidatura e um candidato para os trabalhadores e democratas portugueses

Assinalando a decisão do Comité Central do PCP, ao anunciar a candidatura proposta pelo Partido às eleições presidenciais que irão decorrer em Janeiro/2011, aqui se considera oportuno transcrever um importante excerto da declaração do candidato comunista, Francisco Lopes, membro da C.Política e do Secretariado, ao explicar as razões e objectivos deste novo combate político-eleitoral dos comunistas portugueses.
"Com a decisão hoje assumida e tornada pública sobre a candidatura do PCP às eleições presidenciais, damos expressão a uma intervenção política indispensável à afirmação de um projecto essencial para o presente e para o futuro de Portugal.
Sobre o nosso País pesam a influência negativa decorrente da natureza do capitalismo, dos objectivos e rumo da União Europeia após quase 25 anos de integração e de 34 anos de política de direita e abdicação nacional realizada por sucessivos governos, em desrespeito da Constituição da República Portuguesa, com o apoio ou cumplicidade da Presidência da República.
As consequências estão à vista. Portugal é hoje um país mais injusto, mais desigual e mais dependente. O desemprego, a precariedade, a exploração, a pobreza e as dificuldades de muitos milhões de portugueses contrastam com a corrupção, a acumulação de riqueza e a opulência de alguns. É um país marcado por um processo de declínio nacional, de descaracterização do regime democrático e de amputação da soberania e independência nacionais.
Não aceitamos esse rumo. Recusamos o desaproveitamento das potencialidades existentes, não aceitamos o comprometimento do futuro do País. Portugal não é um país pobre. Portugal pode ser melhor, mais desenvolvido e mais justo. Para isso exige-se a ruptura com a política de direita e a opção de um novo rumo para o País.
Um novo rumo, assente numa política patriótica e de esquerda, vinculada aos valores de Abril, capaz de realizar os direitos e as aspirações dos trabalhadores e do povo, de assegurar o desenvolvimento económico e o progresso social e afirmar a identidade cultural, a soberania e independência nacionais.
Um rumo de reforço do aparelho produtivo e da produção nacional, de criação de emprego com direitos, de aumento dos salários e das pensões, de defesa dos direitos sociais, de garantia de um sector público forte e determinante, de apoio às PME, ao mundo rural e às pequenas e médias explorações agrícolas de defesa dos serviços públicos, das funções sociais do Estado, na saúde, na educação, na segurança social, na defesa do meio ambiente e de promoção e valorização da cultura.
Um rumo em que o Estado esteja ao serviço do desenvolvimento, com uma Administração Pública eficiente, uma segurança interna para garantir a tranquilidade e os direitos das populações, uma justiça célere e eficaz, uma defesa nacional e relações externas assentes nos princípios da soberania nacional, da cooperação e da paz.
Um rumo que promova a ruptura com a natureza do processo de integração europeia, com a postura de submissão ao imperialismo e à NATO e contribua para um mundo mais justo, onde sejam afirmados os direitos dos trabalhadores e dos povos.
Este caminho é possível e está nas mãos do povo português, com a sua opinião, a sua participação, a sua luta e o seu voto.(...)

domingo, 22 de agosto de 2010

Uma visita a Gerardo na prisão

A permanência nas prisões do imperialismo estadunidense dos Cinco patriotas cubanos, julgados e condenados numa odiosa e colossal farsa da justiça ianque - e vítimas de uma das maiores canalhices que o governo e o sistema judiciário dos EUA consumaram de entre as inúmeras praticadas no seu território, ao longo da sua história recente, contra cidadãos nacionais ou estrangeiros -, constitui um grito vigoroso que clama justiça pelos quatro cantos do planeta e mobiliza a opinião de milhões de seres humanos que assistem à perpetuação deste autêntico crime jurídico, seja à luz do direito internacional, seja sob a observação das próprias leis estadunidenses.

Os Cinco Cubanos, pagando um pesadíssimo preço pelo seu patriotismo e indefectível dignidade revolucionária, são um luminoso farol que vai iluminando o carácter terrorista da política imperial dos EUA, num desmascaramento vigoroso das suas características desumanas.

O relato emocionante desta visita na prisão a um dos Cinco Cubanos, Gerardo Hernández, visitado pela irmã e por dois corajosos activistas (verdadeiros) dos direitos humanos, os norte-americanos Danny Glover, actor cinematográfico consagrado e Saul Landau, jornalista, professor da California State University e membro do Instituto de Estudos Políticos, é um testemunho muito forte da solidariedade que liga indissoluvelmente seres tão diversos, oriundos de universos geográficos e pessoais tão distintos e que, não obstante, se sentem irmanados pelos mesmos ideais democráticos e aspirações a um mundo novo.
Já publicado por outros blogs, aqui fica também transcrito este relato, profundamente humanista e capaz de renovar em nós a convicção na certeza de um destino mais justo e esperançoso para a Humanidade.
Do aeroporto de Ontário, Califórnia - a cerca de 100 quilómetros a leste do centro de Los Angeles - dirigimo-nos para o norte, pela Rodovia 15, a estrada que leva a Las Vegas. Carros com torcedores aficionados e grandes caminhões, para cima e para baixo, através das montanhas, onde se encontram Los Angeles e a Floresta Nacional de San Bernardino.
Para o leste está o deserto, 1.200 metros acima do nível do mar. Entre zimbros, árvores de Josué e artemisas, ao longo da rodovia. Fomos a um centro comercial, onde pegamos Chavela, irmã mais velha de Gerardo.
Passamos por lanchonetes de redes de fast food e salões de beleza, casas de tatuagem, postos de gasolina e mini-centros comerciais (um passeio pela cultura norte-americana), em direcção ao oeste e logo ao norte, pela 395, até chegar ao complexo penitenciário Federal, uma prisão de alta segurança de 192.000 metros quadrados, construído há seis anos (com um custo de US$ 101,4 milhões de dólares), destinada a enjaular 960 reclusos.
Na sala de visitantes, pintado de um cinza institucional, um guarda entrega-nos formulários numerados, aponta com a cabeça um livro e olha para um monte de canetas. Nós preenchemos e devolvemos o formulário, assinamos e sentamo-nos naquela sala cinza com outros visitantes - todos negros e latinos.
Esperamos por vinte minutos. Um guarda menciona o nosso número. Esvaziamos os bolsos, excepto o dinheiro. Passamos por um detector de metais, ao estilo dos aeroportos. Recolhemos os nossos cintos e entregamos. Uma guarda revista-nos com óculos de raios-X e estendemos os nossos braços para entregar a outro guarda as nossas identificações. Duas mulheres negras e um casal de idosos latinos recebem o mesmo tratamento. Trocamos sorrisos nervosos, hóspedes em terra estranha.
Ele passa as nossas identificações, por uma abertura, para outra sala, que vemos através de uma janela de vidros grossos. Ali, um guarda verifica os documentos e pressione os botões para abrir uma porta de metal pesado. O grupo entra num corredor exterior. O sol ofuscante do meio da manhã e o calor do deserto golpeiam os nossos corpos, depois de termos permanecido no ar-condicionado. Esperamos. Um guarda fala através de uma pequena fenda na porta do prédio, que alberga os presos. De cada lado, torres com guardas armados, uma rede de arame farpado cobre o topo das paredes de concreto.
Esperamos. Passamos calor. Em seguida, entramos em outro quarto com ar condicionado e, finalmente, abre-se a porta e passamos para a sala de visitas. Um guarda assinala-nos uma mesa de plástico pequena, rodeada por três cadeiras de plástico barato, por um lado (para nós) e outra para o Gerardo. Meninos afro-americanos e latinos trocam o seu lugar pelo colo dos seus pais; enquanto os pais, em uniformes caqui, conversam com as suas esposas.
Chavela vê-0 de longe - 20 minutos mais tarde - quando ele, sorrindo, avança vivamente através da sala. Quase em lágrimas, Chavela diz: "Ele perdeu peso". Parece ter o mesmo peso de quando (Saul Landau) o viu na primavera. Gerardo abraça e beija a sua irmã, depois abraça Saul e Danny. Graças aos seus esforços, foi libertado da "solitária", onde passou 13 dias no final de Julho e início de Agosto.
Gerardo informa-nos que dois agentes do FBI - que investigam um incidente não relacionado com o caso dos Cinco - o interrogaram na prisão. Logo em seguida, as autoridades prisionais jogaram Gerardo no buraco, ainda que não houvesse nenhuma prova, lógica ou senso comum que pudesse implicá-lo ao suposto incidente. A temperatura da solitária chegava perto dos 40 graus. "Eu tive que jogar na minha cabeça a água que me davam para beber", disse-nos Gerardo. "Não me ajudaram com a minha pressão arterial elevada. Eu nem sequer podia tomar a minha medicação. Acredito que me soltaram graças aos milhares de telefonemas e cartas de pessoas do mundo inteiro".
Chavela amontoava comida rápida em cima da mesa - a única que havia nas máquinas de venda automática. Mordiscávamos compulsivamente, enquanto Gerardo nos contava acerca da sua vida numa caixa de suor, por quase duas semanas. "Não há circulação de ar", riu, como dizendo: "Não era para tanto".
Nós falamos sobre Cuba. Ele estava em dia com as notícias, através da leitura, TV e visitantes, que lhe informam. Ele sentiu-se encorajado pelas medidas tomadas pelo presidente Raúl Castro para enfrentar a crise. Na televisão da prisão, viu parte do discurso de Fidel e as perguntas e respostas, na reunião da Assembleia Nacional. "Eu vi Adriana (sua esposa) presente na plateia". Seu sorriso desapareceu. "É doloroso. Ela tem 40 anos e eu 45. Não há muito tempo para formamos uma família. Os Estados Unidos nem sequer concedem um visto para que ela me visite. Ela comportou-se com grande coragem e dignidade durante toda esta provação".
Gerardo Hernández, um dos Cinco Cubanos, cumpre duas sentenças de prisão perpétua por conspiração para espionagem e cumplicidade em assassinato. No julgamento em Miami, os promotores não apresentaram quaisquer indícios de espionagem. A acusação de suposta cumplicidade com a derrubada do avião dos chamados "Hermanos al Rescate" - por MIGs cubanos, em fevereiro de 1996 - também não se comprovou, dado que nenhuma evidência foi apresentada de que Gerardo houvesse mandado informações acerca do voo para as autoridades cubanas - o que, de fato, não fez. A acusação também pressupôs que ele sabia das ordens secretas do governo cubano para derrubá-los, o que não é verdade.
Os cinco homens monitoravam e informavam acerca dos terroristas cubanos exilados em Miami, que tinham planos de sabotagem e assassinatos em Cuba. Cuba compartilhou essas informações com o FBI. Larry Wilkerson (coronel do Exército aposentado e ex-chefe de gabinete do secretário de Estado, Colin Powell), comparou a possibilidade dos Cinco serem julgados de forma imparcial e justa, em Miami, com "as chances de um israelense acusado obter justiça em Teerã".
Bebemos chá gelado engarrafado, doce demais. Chavela trouxe mais batatas fritas.
Gerardo reanimou o ambiente contando um incidente ocorrido na década de 1980, quando era tenente em Cabinda, Angola, escoltando oficiais cubanos a um jantar com importantes soviéticos, que se encontravam em visita. "Eu disse ao meu coronel, que tinha memorizado um pequeno poema de Mayakovsky, em russo (dos seus dias de estudante) e poderia recitá-lo para os oficiais soviéticos".
Ele recitou o poema em russo. Todos o aplaudiram. Ele sorriu. "Eles estavam assando um porco e tinham garrafas de bebida, era uma festa".
"Eu recitei o poema. O coronel soviético abraçou-me, beijou-me em ambas as faces, muito animado. Eu tive que repetir o meu desempenho para os outros oficiais. Finalmente, o coronel cubano disse-me que eu já havia aproveitado bem a situação e eu me mandei".
Duas horas se passaram rapidamente. Esperamos os guardas nos chamem. Gerardo ficou de pé. Nós distanciamo-nos. Gerardo, junto com outro prisioneiro, próximo a porta da cela. Saudamos com um aceno. Ele respondeu de igual maneira. A irmã dele, soprou-lhe um beijo. Ele abriu um largo sorriso, tranquilizador, como que lembrando-nos: "Mantenham-se firmes".
Fonte: PROGRESO SEMANAL

Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Vai-se fechando o círculo da verdade sobre a grande conspiração imperialista do século

Os Documentos da Wikileaks


Vários aspectos relevantes ressaltam do conteúdo dos mais de 91 mil documentos secretos, divulgados no passado dia 25/7, pelo site “Wikileaks” e relacionados com o dia-a-dia da guerra nos últimos anos (de Janeiro de 2004 até Dezembro de 2009), conduzida pela dupla EUA/Nato no Afeganistão.

Com interesse directamente militar e geo-estratégico, estes relatórios secretos do exército estadunidense ocupante revelam um grande crescimento da força e do apoio das populações afegãs à resistência dos talibãs, dificuldades e falhas na condução das acções no terreno, utilização pela resistência de mísseis detectores de calor, tipo “Stinger” (responsáveis pelo abate de helicópteros CH-47), há queixas dos próprios militares dos EUA e boa parte do material divulgado também apresenta queixas de funcionários e de civis afegãos, acusando de corrupção agentes e membros do governo. Enfim, há reclamações sobre tropas mal equipadas, autoridades corruptas e sobre tropas americanas que parecem aguardar mais homens e mais recursos para lutar. Os documentos também sublinham que as numerosas e constantes mortes de civis, causadas pelos já clássicos “efeitos colaterais”, alienaram o apoio inicial de muitos dos afegãos a esta guerra.
Todos estes problemas evidenciados nos relatórios - um talibã resistente, bem apoiado logísticamente e com armas sofisticadas, os problemas de fronteira com o Paquistão e um governo ineficiente e corrupto - são apontados como as principais causas das dificuldades dos militares norte-americanos no terreno, que também reclamam estarem envolvidos numa guerra muito dura e sem os recursos suficientes, etc, etc. Isto é, estes documentos, na sua crueza operacional, relatam como a guerra está a ser perdida pelos agressores ocupantes, mesmo quando estes já estão recorrendo a unidades militares comandos, especialmente constituídas para sequestrar e executar, sem prisão ou direito a julgamento, de forma descaracterizada e clandestina, os dirigentes locais da resistência ou quem eles entendem que o são, actuando como vulgares “esquadrões da morte”.
Mas esta documentação, “vazada” numa das maiores fugas de informação classificada da história do exército americano em combate, menciona também um outro aspecto desta guerra, mais de carácter político e diplomático/serviços de inteligência que merece uma análise atenta, pelas “pontes” que estabelece com toda a história política daquela região do mundo e, mais relevante ainda, pela clara ligação que estabelece com a estratégia global do terror, concebida e dirigida pelo imperialismo nos últimos nove anos. Trata-se daquilo que os autores dos relatórios consideram ser o apoio de tropas do Paquistão aos rebeldes no território do Afeganistão, sugerindo que o serviço de espionagem do Paquistão pode estar ajudando os talibãs a planear e a realizar ataques contra as forças da “coligação ocidental” naquele país.
Alguns relatórios apontam também a cooperação dos paquistaneses com a organização terrorista Al-Qaeda, embora oficiais da inteligência americana digam – como, no imediato, lhes convém dizerem - que há alguns anos o Paquistão cortou o contacto com os grupos talibãs. O material, porém, sugere – com nomes e pormenores - que a direcção do Inter Serviços de Inteligência paquistanesa, conhecido também como ISI, pode ter realmente ajudado os rebeldes. Os documentos detalham várias ocasiões de cooperação no passado entre o general Hamid Gul, chefe do ISI e os fundamentalistas afegãos, no fim da década de 80, quando estes lutavam contra os militares soviéticos nas regiões montanhosas do leste do país. Segundo essas informações, à época o general auxiliava combatentes mujaheddins e tentava estabelecer contacto com Gulbuddin Hekmatyar e Jalaluddin Haqqani, dois dos maiores líderes insurgentes do Afeganistão. Além dos últimos dois, Gul também fez contactos directos com Mohammed Omar, actual líder do Taliban.
A imprensa estadunidense, particularmente o “N.Y.Times”, vem sublinhando estas partes dos documentos divulgados pelo “Wikileaks”, para enfatizar a tese da actual colaboração dos serviços secretos e militares paquistaneses com os talibãs afegãos. Mas toda a “história” é bem mais vasta e comprometedora, envolvendo directamente os serviços secretos dos EUA nas actividades dos seus congéneres paquistaneses. Vale a pena recordar alguns factos, hoje ignorados pelos meios de imprensa dominantes.


O papel do Paquistão


A história do Paquistão, desde a sua artificial criação pelo colonialismo imperialista britânico em 1947, tem sido uma sucessão de regimes autoritários e ditatoriais militares, entremeados por alguns curtos períodos de regimes civis e constitucionais, configurando um Estado de maioria muçulmana que sempre se afirmou como gendarme dos interesses das potências imperialistas na região, logo desde início contra a vizinha Índia, país que durante muitos anos desempenhou um papel destacado no Movimento dos Países Não-Alinhados. Por esta razão os militares paquistaneses - “forma(ta)dos” nas escolas militares norte-americanas – obtiveram mais tarde acesso ao armamento nuclear, numa ameaça constante contra outros países asiáticos e com um historial de guerras e escaramuças quase constantes contra os indianos, em torno do problema da disputa sobre Caxemira, uma autêntica bomba-relógio deixada pelos britânicos propositadamente nas mãos dos dois países contendores. É também consequência de linhas de fronteira fictícias, arbitrariamente traçadas pelos colonialistas ingleses, a existência constante de divisões e conflitos de origem étnica-tribal, conflitos que acabaram por conduzir à secessão do Bangladesh, após uma nova guerra (a terceira) contra a Índia, em 1971 e depois de uma prolongada guerra civil que vitimou centenas de milhares de oposicionistas dos dois lados – partes Oriental e Ocidental do Paquistão - do conflito interno.
A derrota militar paquistanesa favoreceu a ascensão ao poder de um civil, Ali Bhutto (1972-77), que desde o início quis realizar um processo de nacionalizações e de reforma agrária – nacionalizou todos os bancos em 1974 -, o que originou um novo golpe militar e a sua prisão e condenação à morte (em 1979), tomando o poder o general Muhammad Zia-ul-Haq (1977-88), um homem da confiança dos EUA, não obstante a feroz repressão islamita que ordenou por todo o país. Após mais uma década preenchida por curtos períodos “democráticos”, pontuados pelos governos de Benazir Bhutto, filha do sentenciado Ali Bhutto, um novo golpe dos militares, em 1999, faz ascender ao poder o general Pervez Musharraf (1999-2008). Na sequência do assassinato a tiro de Benazir Bhutto, (Dezembro/2008), candidata (do PPP) às eleições que se realizariam em Janeiro/2009, o período de instabilidade que se seguiu levou à renúncia de Musharraf, sendo este substituído por um novo civil, o actual presidente Asif Ali Zardari (PPP), escolhido numa “eleição” indirecta.

Voltando às revelações dos documentos “vazados”, quanto às referências sobre o envolvimento na década de oitenta do general chefe do ISA na guerra no Afeganistão, tem interesse observarmos a situação entretanto vivida nestes serviços de inteligência paquistaneses. De facto, nessa época foi criada no ISI uma secção especial afegã, sob o comando do coronel Mohammed Yousaf, para super-visionar a coordenação da guerra dos mujahedins contra o regime pró-socialista de Babrak Karmal, que tinha pedido apoio militar à vizinha União Soviética. Um grande número de funcionários do ISI receberam formação nos EUA e muitos especialistas da CIA foram anexados ao ISI para guiá-lo em suas operações contra as tropas soviéticas do Afeganistão, usando e manipulando os mujahedins. O mencionado general Hamid Gul, que trabalhou estreitamente com a CIA no período mencionado (88/89), foi substituído em 1991, durante o governo de Benazir Bhutto, pelo general Shamsur Kallu, como chefe do ISI.
Sucederam-se à frente do poderoso serviço secreto paquistanês outros generais - num total de dez (!), com um tempo médio na função inferior a dois anos... - numa cadência que acompanha as sucessivas perturbações políticas e trocas de facções no poder, confirmando o carácter da permanente conspiração interna vivida no país. Com os sucessivos chefes do regime militar paquistanês designando generais de sua confiança para dirigirem o ISI, mas todos eles sempre umbilicalmente ligados à diplomacia e aos serviços secretos estadunidenses. Actualmente (desde Setembro de 2008), chefia estes serviços o general Ahmed Shuja Pasha, um indivíduo que oficiais da inteligência indiana acusaram na época de estar por detrás da organização da operação terrorista que, em 26 de Novembro/2008, concretizou ataques a sete alvos específicos em Mumbai.
Este emaranhado novelo conspirativo, envolvendo a ligação e cooperação constantes entre as secretas norte-americana e paquistanesa - ligações nas quais o papel de comando pertence sempre à CIA -, preenche milhares e milhares de páginas na imprensa e na net, com relatos, investigações jornalísticas e também materiais de contra-informação, envolvendo empresas privadas de segurança, empresas de mercenários, negócios de armas e de drogas, tornando a tarefa de os interpretar um autêntico trabalho de Sísifo, uma tarefa nunca concluída, uma pesquisa nunca inteiramente aclarada.



“Ligações (muito!) Perigosas”(e significativas)


Entretanto, importa agora focarmos a atenção sobre o período de Out./99 a Out./2001, no qual entra em cena uma personagem central na permanente articulação entre a CIA estadunidense e o ISI paquistanês para as missões operacionais e a quem será cometida uma missão muito especial: o general Mahmud Ahmed. Ele que, juntamente com outros generais, garantiu o êxito do golpe de Estado (12 de Outubro/1999) que derrubou o governo eleito de Nawaz Sharif e entregou o poder ao general Pervez Musharraf, que imediatamente a seguir o designou como o novo chefe do ISI. Dois anos depois, antes de ser “oportunamente” substituído (em Out./2001), este general "amigo" irá a desempenhar um papel central na “Operação 11 de Setembro”.

Durante toda aquela semana do 11 de Setembro de 2001, Mahmud Ahmed está em Washington, onde tem encontros com diversas individualidades do governo de George Bush: no Departamento de Estado, com Stephen Hadley (ou mesmo Condolencia Rice); com membros do Conselho Nacional de Segurança; com Peter Rodman, membro do PNAC e ex-assistente de Henry Kissinger; com o Director do DIA ( na época - o Vice-Almirante Thomas R. Wilson); com o senador Bob Graham e com o congressista Porter Goss (três anos mais tarde nomeado Director da CIA, o primeiro a ser nomeado após a assinatura do Intelligence Reform and Terrorism Prevention Act) - estes dois personagens (muito curiosamente!), irão encabeçar a Comissão Conjunta de Investigação 11/S; com o general Tommy Franks, comandante da CENTCOM; e ainda, por teleconferência, com Paul Wolfowtiz , membro do PNAC e secretário da Defesa; com Douglas Feith; com Peter Flory, secretário para os Assuntos Segurança International; com o capitão Paul Hulley, secretário para os Assuntos do Oriente Médio e Sul da Ásia; com um representante do SOLIC (Special Operations & Low Intensity Conflict); com outro representante da Junta de Chefes do Estado-Maior. É caso para dizer que muito importante era a sua tarefa, para se encontrar com tanta gente e tão graúda!

Segundo outros relatórios independentes, no âmbito de investigações que mobilizaram numerosas personalidades democráticas norte-americanas – jornalistas, académicos, cientistas, entidades dos movimentos pacifistas, etc – apuraram-se factos reveladores da ligação deste chefe dos serviços secretos do Paquistão com os alegados autores do sequestro e embate das aeronaves com as torres gémeas de Nova Iorque naquela data. Com efeito, ficou estabelecido que, sob as ordens do general Mahmud Ahmed, um cidadão britânico nascido paquistanês e conhecido terrorista, chamado Ahmed Umar Sheikh, enviou 100.000 dólares do Paquistão para uma conta bancária nos EUA, em nome de Mohammed Atta, nome propagandeado pelo governo de George Bush como sendo o do sequestrador e terrorista cabecilha da acção, membro da Al Qaeda e cumprindo as ordens do seu líder, Osama bin Laden.
Menos de um mês depois da operação nas torres gémeas (7/Out/2001), tem início a invasão do Afeganistão, liderada pelos Estados Unidos e à revelia das Nações Unidas que não autorizaram a invasão do país. O objetivo declarado da invasão, segundo a propaganda imperialista, era encontrar Osama bin Laden e outros membros da Al Qaeda e, de caminho, destruir toda a precária organização política existente e remover do poder o regime talibã, regime que alegadamente lhes dera apoio para realizarem os atentados em Nova Iorque, garantindo assim a instalação no poder de um presidente fantoche às ordens.



Uma colossal mistificação "Bin-Ladiana"


Detenhamo-nos agora um pouco sobre estas duas entidades, hoje irreais e fantasmáticas, utilizadas até à exaustão nas linhas de intervenção ideológica que o imperialismo promove junto da opinião pública mundial, através da grande imprensa que controla, de filmatografia “subsidiada” e de livros e publicações sobre as mais variadas temáticas sociais (políticas, sociológicas, culturais, etc), encomendadas a universitários que “subsidia” generosamente. Vejamos, por comodidade, o que se pode ler numa rápida pesquisa na Wikipédia, sobre a Al Qaeda:

“A Al-Qaeda (a base) é uma organização terrorista que pretende eliminar a influência ocidental nos países muçulmanos para no seu lugar instalar uma sociedade baseada no fundamentalismo islâmico. Nesse sentido incita a uma jihad (guerra santa) global para derrubar regimes de países de população predominante árabe ou muçulmana que considera corruptos ou anti-islâmicos. O objectivo é criar uma nação única muçulmana regida pela sharia (a lei islâmica). Países como os Estados Unidos da América são considerados inimigos porque impedem a criação da nação muçulmana ao tornarem-se aliados de governos considerados corruptos”.


Sobre Osama bin Laden, milionário e filho de Muhammed Awad bin Laden, o homem considerado o mais rico da Arábia Saudita (depois do rei!) e cuja família, em razão de negócios comuns na área do petróleo, se tornou visitante e amiga chegada da família Bush-pai [deste, lembremos: ex-director da CIA (1976/77), vice de Ronald Reagan (1981/89) e presidente dos EUA (1999/1993)], também podemos ler:


“(...) um saudita que viria a ser o líder da organização, foi um dos muitos muçulmanos deslocados para o Afeganistão para combater os invasores soviéticos. Ele próprio se auto-designou líder da jihad, tendo coordenado o grupo que orientava as brigadas muçulmanas internacionais que combatiam no Afeganistão.Em 1989, ano em que os soviéticos retiraram do Afeganistão, Bin Laden formou a Al-Qaeda, rodeado por combatentes afegãos mujaedines. Nesse mesmo ano, regressou à Arábia Saudita, onde em 1991 se opôs à presença das tropas norte-americanas durante a guerra do Golfo. Em Abril desse ano mudou-se para o Paquistão, de onde passou em 1992 para o Sudão, uma nação que seguia à risca o islamismo. Até 1996, Bin Laden, suportado pela sua imensa fortuna pessoal, formou uma enorme rede terrorista internacional, com células e elementos em cerca de 45 países (sic!).”


As duas citações são suficientes para ficar estabelecida a imagem da “organização” e do seu "chefe" bem como as suas "incomensuráveis" e omnipresentes capacidades. Ou seja, um capitalista milionário saudita e a sua nóvel "organização terrorista" passam a ser considerados, por um passe de prestidigitação, as mais relevantes entidades do “Eixo do Mal” papagueado pelos propagandistas estadunidenses; seguido por um grupo de 100/200 fiéis (os números diferem, segundo as “fontes”...), Osama bin Laden passa a autor e responsável por inúmeros atentados e acções terroristas em dezenas de países, conseguindo até essa suprema qualidade de ser responsabilizado com efeitos retroactivos aos acontecimentos do 11/Setembro! Observemos essa extensa lista, mesmo que incompleta, divulgada em sítios "informativos" da net e ordenada cronologicamente:


-já no início da década de 80, ainda quando estabelecido no Sudão, financiou, de forma inicialmente discreta, algumas acções na Argélia e no Egipto.


-Depois, mudando-se para Peshavar (na região noroeste do Paquistão), surge como líder dos mujaedins que no Afeganistão promovem a subversão do regime pró-socialista de Babrak Karmal. Em 1984, já se encontra no Afeganistão, num acampamento de militantes fundamentalistas.


-O primeiro atentado bombista de que é acusado foi a 29 de dezembro de 1992, um ataque ao Mihor Gold Hotel, em Aden, no qual duas pessoas foram mortas.


-Em 1995, é acusado de um atentado mal sucedido contra a vida do presidente do Egipto, Hosni Mubarak.
-Bin Laden está por detrás e financia o massacre de Luxor, em 17 novembro de 1997, que matou 62 civis.


-A partir do Afeganistão (!?), em 7 de Agosto de 1998, a Al Qaeda é acusada de utilizar carros-bomba para explodir duas embaixadas estadunidenses, uma no Quénia e outra na Tanzânia, matando no total 256 pessoas e ferindo 5100 pessoas.


-Em dezembro de 1998, o director da CIA informa o presidente que a Al-Qaeda estava preparando-se para ataques no EUA, incluindo o treinamento de pessoal para (atenção!)sequestrar aviões.


-Em 12 de Outubro de 2000, a Osama/Al Qaeda volta a "entrar em cena", perpetrando outro ataque de grande repercussão, agora contra o navio da marinha americana USS Cole, que se encontrava atracado para reabastecimento no porto de Aden, no Iémene. O ataque provocou a morte de 17 militares americanos, além dos dois terroristas suicidas. Ao ser apontado - no mesmo dia! - pelo governo dos EUA (e depois pelos governos do Quénia e Tanzânia) como o principal suspeito, Osama bin Laden tornou-se o terrorista mais procurado pelos Estados Unidos da América.

Curiosamente (ou talvez nem tanto), um ano depois - forte e livre como um pássaro! - voltaria a ocupar a ribalta, agora acusado de ser o responsável pelo "11/S". Imediatamente a seguir, funcionários do governo EUA, nomeando Osama bin Laden e a Al-Qaeda como os principais suspeitos, oferecem uma recompensa de US $ 25 milhões por informações que levem à sua captura ou morte. Em 13 de julho 2007, este número foi dobrado para US $ 50 milhões! Mesmo com tanta "massa" prometida, ninguém o apanha...


-No final de 2000, Richard Clarke (Conselho Nacional de Segurança/EUA) revelou que Osama bin Laden tinha planeado um ataque triplo (sic) em 3 de Janeiro de 2000 , que incluia atentados na Jordânia, ao Radisson SAS Hotel, em Amã, contra turistas no monte Nebo (Jordânia), o afundamento do destróier USS The Sullivans, no Iémene, assim como um ataque contra um alvo (indeterminado...) dentro dos Estados Unidos. O plano foi frustrado pela prisão do terrorista jordano Ahmed Ressam e naufrágio do bote cheio de explosivos destinados ao atentado (muito boa...!).

-Até nos Balcãs: um ex-funcionário do Departamento de Estado, em Outubro de 2001, informa que Bósnia e Herzegovina como um refúgio seguro para os terroristas, após ter sido revelado que elementos militantes do antigo governo de Sarajevo estavam protegendo extremistas, alguns com vínculos com Osama bin Laden...

Isto é, a partir de 2001 e desde então praticamente todos os anos - não obstante outras notícias, testemunhos e análises, que sustentam que Osama bin Laden está morto e enterrado - vão surgindo sempre "informações", artigos, relatos que continuam a atribuir-lhe mais atentados, mais acções terroristas em mais países, na Europa, no Médio-Oriente, em África, no Extremo-Oriente:

-Um esquema para atacar a Embaixada de Paris, que foi descoberto;

-uma tentativa de atentado de um homem com um sapato-bomba, Richard Reid, que se auto- proclamou um seguidor de Osama bin Laden e quase destruiu (?!) o vôo 63 da American Airlines.
-Um esquema para atacar as embaixadas de Singapura;
-O sequestro e assassinato do repórter Daniel Pearl do Wall Street Journal e várias explosões no Paquistão;
-O atentado à sinagoga de El Ghriba em Djerba, Tunísia, que matou 21 pessoas;
-Ataques frustrados às esquadras ocidentais no Estreito de Gibraltar;
-O atentado ao tanque Limburg (?);
-Um carro bomba keniano em Mombassa, Kenia, e a tentativa de abater um avião israelense, em Novembro de 2002;
-As explosões simultâneas em Riyadh, em Maio de 2003 e outros atentados na Arábia Saudita;
-As explosões em Istambul, Turquia, em 2003.
-A Al-Qaeda, em colaboração com extremistas indonésios, é responsável por atentados em Bali , em Outubro de 2002 e de novo em 2005.
-Os atentados a trens urbanos de Madrid, em 11 de março de 2004, segundo um jornal de Londres que relatou ter recebido um e-mail de um grupo afiliado à Al-Qaeda, assumindo a responsabilidade(?!)
-As explosões de 7 de Julho de 2005, em Londres, porque um grupo até aí desconhecido e denominado "A Organização Secreta da Al-Qaeda na Europa" (esta, está muito boa!) fez uma declaração responsabilizando-se(...?!)

-Os atentados de Sharm el-Sheikh, no Egito, em 23 de Julho de 2005, nos quais uma série de carros bombas mataram cerca de 90 pessoas e feriram mais de 150.
-Os três atentados simultâneos, em 9 de Novembro de 2005 em Amã, Jordânia, que ocorreram em hotéis norte-americanos, matando pelo menos 57 e feriram 120 pessoas.

Mas o homem não se fica por aqui; passa a aparecer em vídeos e através de "comunicados", ameaçadores uns, negociais outros... Vejamos algumas destas "aparições".

-2006
19 de Janeiro: Bin Laden ameaça os Estados Unidos com novos atentados e afirma que há operações em preparação no seu solo, mas também oferece uma "trégua de longa duração" ao povo americano (gravação áudio).
30 de Junho - Bin Laden exige ao presidente americano George Bush que entregue o corpo de Abu Musab Zarqawi, morto num bombardeio americano, à sua família e promete que a "Jihad" no Iraque continuará, mesmo sem ele (gravação áudio).
2007
15 de Julho - Bin Laden faz um elogio aos mártires, declarando: "Feliz aquele que foi escolhido por Alá para ser um mártir" (vídeo, cuja data não foi determinada)

2008
16 de Maio - Bin Laden apelou à continuação da luta contra os israelitas e os seus aliados e a que os muçulmanos não desistam do território palestiniano. Segundo noticia a Reuters, a mensagem áudio, de dez minutos, foi difundida pela internet, num site islamita, e é atribuída ao líder do grupo terrorista al-Qaeda...

Para procurarmos fechar "com chave d'ouro" estas "informações", evidentemente dignas de todo o crédito, já no corrente ano o FBI divulgou uma imagem que seria a representação imaginada da aparência de Bin Laden na actualidade. Descobriu-se, entretanto que se tratava da manipulação de uma fotografia do político espanhol Gaspar Llamazares (coitado dele!), dirigente da I.U..

Mais recentemente - com propósitos demasiadamente óbvios...! - , surgiu outra "informação", esta dos serviços da Mossad israelense: segundo os serviços da inteligência israelita, Osama Bin Laden não esteve escondido na região fronteiriça entre o Afeganistão e o Paquistão como comumente se acreditava, mas numa região remota do Irão, já faz cinco anos.
E, segundo a "notícia", a inteligência turca supostamente sabia que o líder da Al- Qaeda estava morando em Savzevar, uma cidade nas montanhas e que Ayman al-Zawahiri está declaradamente com ele. Desta forma - tão "inteligente" e tão "credível"! -, Israel está a tentar convencer o governo dos Estados Unidos (!?!!) que a Al- Qaeda está ligado ao governo iraniano e que foi Teerão que esteve abrigando um dos mais procurados terroristas (de todos os tempos, ámen!)
Mas nesta enorme mistificação, planeada e dirigida pelos serviços secretos estadunidenses e amplificada pelos canais comunicacionais ao serviço do imperialismo, precavendo-se os seus autores talvez para um próximo capítulo, no qual já não lhes seja possível manter vivo o mito "Osama bin Laden", já preparam um sucessor. No passado dia 6/8, surgiu a "notícia":
"O grupo terrorista Al Qaeda tem um líder emergente, que já está sendo apontado como o provável sucessor de Osama Bin Laden. E o que é pior, Anwar al-Awlaki nasceu nos Estados Unidos (no estado do Novo México) e exerce grande influência nos seus jovens interlocutores. Segundo a rede de televisão CNN, que transmitiu um programa sobre a nova estrela da facção, com base em fontes de investigação do próprio governo americano, Anwar tem usado seu inglês fluente e sua capacidade de persuasão para inspirar futuros terroristas também no Ocidente." (fim de citação...)
Terminemos por aqui esta já longa digressão sobre as fantásticas pantominices que vão dando lastro para prosseguirem, em toda a comunicação "social" dominante, com a pressão ideológica das teses do Terror e do Terrorismo, um autêntico filão da propaganda imperialista, usado até à exaustão, até à nausea, como temos visto. Então, observemos agora e mais concretamente os objectivos de toda esta "história" - aliás, pessimamente contada - , os seus reais autores, bem como os seus planos e propósitos, imediatos e a mais longo prazo.




A Grande Conspiração Imperialista

A grande conspiração imperialista está em marcha, apoiada pela oligarquia financeira transnacional e concretizada pela facção fascista no poder estadunidense, ao serviço do complexo militar-industrial e dos seus tentáculos mafiosos - nas áreas da logística militar, das empresas de segurança, dos grupos económicos de "reconstrução" civil das cidades e áreas devastadas pelos criminosos bombardeamentos dos "aliados ocidentais" EUA/Nato, e, claro, das multinacionais petrolíferas -, uma conspiração em curso desde a grande operação terrorista de Estado, planeada e executada em Nova Iorque, no dia 11 de Setembro de 2001.

Sob o comando de um trio de criminosos que se constituíram no vértice do poder político estadunidense - George Bush, Donald Rumsfeld, Dick Cheney - um vasto plano de liquidação das liberdades e direitos políticos do povo norte-americano foi posto em marcha, após a operação de implosão das duas torres gémeas (que desabam uma a seguir à outra), da implosão do edifício 7, uma estrutura que, tudo o indica, abrigou o comando de operações nesse dia e nos dias anteriores da sua preparação ( um edifício com dezenas de andares e que cai inteiramente em 6 segundos, sem avião, sem incêndio, sem nada!), do arremesso de um míssil sobre uma ala do Pentágono para simular uma outra aeronave (cujos destroços ninguém viu...) e do "despenhamento" de um avião sequestrado, na Pensilvânia, cujo alvo era o Capitólio - o voo 93 que, na verdade, aterrou normalmente no seu aeroporto de destino.
Em paralelo com a supressão dos direitos democráticos mais elementares dos norte-americanos e correspondente montagem de um vasto e tenebroso aparelho de segurança e repressão violenta das liberdades no interior dos EUA - segundo algumas fontes, desde o 11/S e por sua causa, o negócio global das empresas de segurança já atingiu os três trilhões de dólares -, o imperialismo desencadeou uma ofensiva militar sem precedentes quanto à sua envergadura e meios militares envolvidos, atacando, ocupando e ameaçando vários países da Ásia Central: ainda nesse ano, em Out./2001, invade o Afeganistão, e, em Março de 2003, invade e ocupa o Iraque - com a chacina de centenas de milhares de civis iraquianos e a total e deliberada destruição das infra-estruturas do país.

Desde esse autêntico golpe terrorista de Estado em 11/Setembro/2001, data que se tornou crucial nos desenvolvimentos posteriores da História Mundial Contemporânea, o governo dos EUA, apoiado pelos seus aliados - especialmente os integrantes da aliança militar ofensiva, a Nato -, ameaça permanentemente o Irão com uma nova agressão militar, ao mesmo tempo que chantageia o seu "aliado" na região, o Paquistão; faz provocações e ameaças de agressão contra a Coreia do Norte; sustenta uma presença agressiva e conspiratória em outros continentes, particularmente na América Latina e pressiona todos os governos capitalistas a curvarem-se, nos planos diplomático, político, económico-financeiro e militar aos seus ditames imperiais.


Não é propósito deste post desenvolver os contornos práticos do golpe, aliás abundantemente divulgados por numerosas fontes independentes, com entrevistas, com dados técnico-científicos, com depoimentos de personalidades de variadas áreas, com gravações vídeo locais, etc, com uma abundância de pormenores que nos deixa quase estarrecidos perante o impune descaramento da sua deliberada e sistemática ocultação pelos grandes meios de comunicação, tanto os nacionais como os mundiais. Tais aspectos práticos podem ser vistos em materiais editados na net, dos quais é um bom e útil exemplo este editado em: http://video.google.com/videoplay?docid=-2282183016528882906#. Longo (duas horas), com uma larga introdução histórico-filosófica, pela sua qualidade e havendo o tempo disponível necessário, vale bem a pena visioná-lo.
Desde então, já passada quase uma década, os termos "terrorismo", "terroristas", "atentado terrorista", "ameaça terrorista", passaram a ser os jargões mais utilizados pelo linguajar de todo o aparelho mediático global ao serviço do capital imperialista, visando de forma ostensiva a intimidação, a propagação de um sentimento difuso de permanente insegurança, o medo; a criação de um clima de permanente terror, de pânico, que conduza grandes massas populacionais de todos os continentes à sujeição passiva, receosa e resignada, conducentes à aceitação de novas medidas e acções repressivas que, nos EUA, já configuram claramente um contexto político-ideológico neofascista e que, no exterior, o poder imperialista pretende impôr sobre todos os povos do planeta, usando os préstimos dos seus governos burgueses de turno.

Desenterrar a verdade dos factos, soterrada por montanhas de noticiários e artigos mistificatórios tornados "a verdade oficial", e, colocar a nú os objectivos desta tenebrosa conspiração do imperialismo, libertando-a das máscaras e biombos que visam ocultar a realidade dos olhos e das consciências de biliões de seres humanos, não é evidentemente uma tarefa simples e fácil. Mas, entretanto, na renhida e constante batalha das ideias que travamos, todos podemos contribuir para que sejam derrotados os maquiavélicos planos dos criminosos imperialistas e os seus propósitos hediondos de escravização da Humanidade. Um infame sucesso daqueles seus planos corresponderia a um novo período de trevas e de barbárie.

O tempo urge - e as nossas palavras, os nossos gestos, devem corresponder inteiramente à gravidade das ameaças do presente, contribuindo activamente para o desmascaramento e derrota da grande conspiração imperialista deste século.

sábado, 7 de agosto de 2010

Faleceu António Dias Lourenço - Herói do PCP

Muito sentidamente, transcrevo a nota do Secretariado do CC do PCP sobre a morte do camarada António Dias Lourenço, grande dirigente histórico do Partido e um dos seus heróis, um militante revolucionário que os comunistas portugueses nunca esquecerão e sempre nos acompanhará, no presente e no futuro, nas lutas a travarmos. Salvé, camarada Dias Lourenço!
O Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português informa, com profunda mágoa e tristeza, do falecimento hoje, dia 7 de Agosto, aos 95 anos, de António Dias Lourenço, um dos mais destacados dirigentes comunistas da história do PCP que dedicou a vida à luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo português, à luta do seu Partido contra o regime fascista, contra a exploração, pela liberdade, pela democracia, por uma sociedade nova, o socialismo e o comunismo.
Nascido em Vila Franca de Xira em 1915, torneiro mecânico de profissão, Dias Lourenço, que começou ainda criança a vida de operário, aderiu ao Partido Comunista Português em 1932, com 17 anos de idade.
António Dias Lourenço teve activa participação na reorganização do Partido de 1940/41, nomeadamente no Baixo Ribatejo (onde integrou o respectivo Comité Regional), tendo-se tornado funcionário do Partido e passado à vida clandestina em 1942, assumindo a responsabilidade de tipografias e do aparelho central da distribuição da imprensa do Partido.
Ainda antes, no começo dos anos 40, assumiu papel importante na organização dos «Passeios no Tejo», com a participação de Álvaro Cunhal, Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e outras destacadas figuras da cultura, encontros que permitiram estreitar laços entre intelectuais e operários e impulsionar o movimento neorealista e a luta antifascista.
Eleito para o Comité Central em 1943 (do qual foi membro até 1996), Dias Lourenço integrou organismos dirigentes das grandes greves de Julho e Agosto de 1943 e de Maio de 1944 e esteve ainda ligado a outras grandes acções de massas como o 1º de Maio de 1962 e a luta pela conquista das 8 horas de trabalho nos campos. Responsável antes do 25 de Abril por várias organizações do Partido (Alentejo, Algarve e Beiras) Dias Lourenço assumiu depois da Revolução a responsabilidade pelas Organizações Regionais do Oeste e Ribatejo e das Beiras.
Foi representante do Partido no Conselho Nacional do MUNAF.
António Dias Lourenço integrou o Secretariado do Partido entre 1957 e 1962, e foi membro da Comissão Política em 1956 e entre 1974 e 1988. Foi responsável pelo «Avante!», Órgão Central do PCP, de 1957 a 1962, ano da segunda prisão, e seu Director desde a publicação do primeiro número legal em 1974 até 1991.
Preso duas vezes, em 1949 e 1962, Dias Lourenço passou 17 anos nas prisões fascistas, tendo protagonizado uma das mais audaciosas fugas ao evadir-se do Forte de Peniche em 1954.
António Dias Lourenço foi Deputado entre 1975 e 1987, tendo feito parte da Assembleia Constituinte.
Deixa-nos editadas valiosas obras ligadas à luta como «Vila Franca de Xira: um concelho no país – contribuição para a história do desenvolvimento socio-económico e do movimento político-cultural», «Alentejo: legenda e esperança», e ainda «Saudades... não têm conto! - Cartas da prisão para o meu filho Tónio».
Um dos mais destacados exemplos da resistência ao fascismo, da luta pela liberdade, democracia e transformações revolucionárias de Abril, Dias Lourenço deixa um exemplo de inquebrantável combatividade e firmeza na luta política que as gerações de comunistas, presente e futuras, saberão honrar.
O Secretariado do Comité Central endereça à família as suas sentidas condolências.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bancos, tráfico de droga, guerras, imperialismo - As faces hediondas do capitalismo contemporâneo

Na rubrica "Crónica Internacional", da edição de hoje do "Avante!", está publicado o importante artigo que abaixo se transcreve. Em três enxutos parágrafos e remetendo para dois continentes hoje alvos prioritários das ofensivas militares do neoliberalismo, contem factos e dados reveladores e que são a mais cabal confirmação do carácter criminoso, hipócrita e anti-Humanidade que actualmente caracteriza o sistema capitalista global, sob a batuta do imperialismo "made in USA". Factos e dados que é indispensável e urgente divulgarmos amplamente.


A Wells Fargo, uma das maiores instituições financeiras dos EUA, confessou em tribunal que a sua unidade bancária Wachovia «não havia monitorizado e participado [às autoridades] suspeitas de lavagem de dinheiro por parte de narco-traficantes» (Bloomberg, 29.6.10). O montante do «lapso» é estonteante: 378 mil milhões de dólares. Trata-se de dinheiro proveniente de «casas de câmbio» mexicanas nos anos 2004-07. A notícia acrescenta que «o Wachovia habituara-se a ajudar os traficantes de droga mexicanos a movimentar dinheiro». Martin Woods, ex-chefe do combate à lavagem de dinheiro no Wachovia em Londres informou o banco e as autoridades do que se passava. «Woods disse que os seus patrões mandaram-no estar calado e tentaram despedi-lo». Qual foi a penalização do banco? Pagou 160 milhões de dólares de multa («menos de 2% dos seus lucros de 12,3 mil milhões em 2009») e prometeu melhorar o sistema de vigilância. Se o fizer, «o governo dos EUA deixará cair todas as acusações contra o banco em Março de 2011, segundo o acordo alcançado» (Bloomberg 7.7.10). Quem disse que o crime não compensa? É sempre assim: «Nenhum grande banco dos EUA – incluindo a Wells Fargo – foi alguma vez formalmente acusado de violar a Lei dos Segredos Bancários ou qualquer outra lei federal. Em vez disso, o Departamento da Justiça resolve as acusações criminais utilizando acordos de adiamento do processo, em que o banco paga uma multa e promete não voltar a violar a lei». Para os banqueiros não há pistolas taser...

Entretanto, o México desintegra-se na violência que «já matou mais de 22 000 pessoas desde 2006» (Bloomberg, 7.7.10). A carnificina – e a catástrofe social – não suscitam campanhas indignadas. Fosse na Venezuela, já haveria inflamados comentaristas a invectivar contra o «Estado falhado» e exigir «intervenções humanitárias». Mas aqui, não. Talvez porque «o Wachovia é apenas um dos bancos dos EUA e Europa que têm sido utilizados para lavar dinheiro da droga». Ou porque, como afirmou o chefe do Gabinete da ONU sobre Droga e Crimes (UNODC), no auge da crise do sistema financeiro em 2008 «em muitos casos o dinheiro da droga era o único capital de investimento líquido. [...] empréstimos inter-bancários eram financiados pelo dinheiro da droga e outras actividades ilegais. Houve sinais de que alguns bancos foram salvos desta forma» (Observer, 13.12.09).

Os EUA estão numa escalada militar maciça na América Latina. O pretexto oficial é o combate ao narco-tráfico. Mas há um longo historial de ligação das intervenções dos EUA com os tráficos de vária ordem. Foi assim na Nicarágua, no Kosovo, com o regime colombiano. É assim no Afeganistão. País que, segundo o relatório UNODC de 2010 «é responsável por cerca de 90% da produção ilícita de ópio nos últimos anos». Na página 38 há um gráfico eloquente. Praticamente inexistente até 1980, a produção afegã de ópio cresceu de forma acentuada nos anos da ingerência imperialista. A grande excepção foi 2001, o ano antes da invasão, quando os talibã no poder erradicaram mais de 90% da produção. Depois da ocupação EUA/NATO foram batidos todos os recordes de produção. Grandes alvos do tráfico de droga são os países vizinhos: a Rússia «livre» é hoje «o maior mercado nacional de heroína afegã, um mercado que se expandiu rapidamente desde a dissolução da URSS». E também as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, o Paquistão, a região oriental da China e o Irão. O relatório da ONU elogia o papel deste último país no combate ao tráfico. «São frequentes os combates mortíferos entre tropas iranianas e traficantes, como é evidenciado pelos milhares de baixas sofridas pelos guardas fronteiriços iranianos nas últimas três décadas». Entre 1996 e 2008 o Irão «é responsável por mais de dois terços das apreensões de ópio a nível mundial» e cerca de um terço das apreensões de heroína. Em meados do Século XIX o imperialismo britânico desencadeou as duas Guerras do Ópio contra a China, em nome da «liberdade de comércio» ... do ópio. Parece que os EUA lhe querem seguir o exemplo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A criminosa guerra de agressão EUA/Nato no Afeganistão em relato directo

Pela óbvia importância política da notícia, directamente recolhida no sítio da fonte e com tradução automática, transcreve-se abaixo o texto hoje publicado pela "WikiLeaks".
A reacção do governo dos EUA é a mais cabal confirmação da veracidade das informações "vazadas".
Acompanhemos atentamente os próximos desenvolvimentos de mais este episódio - importante -, no imparável desmascaramento do carácter criminoso e neonazi desta guerra de agressão, neste período extremamente grave que estamos vivendo  de ofensiva do imperialismo norte-americano sobre os povos, tanto no continente asiático como na América Latina.


"WikiLeaks divulgou hoje mais de 75.000 relatórios secretos militares E.U. cobertura da guerra no Afeganistão.


A guerra afegã Diário de um compêndio extraordinário secreto de mais de 91 mil relatórios que cobrem a guerra no Afeganistão 2004-2010 . Os relatórios descrevem a maioria dos mortais acções militares envolvendo os militares dos Estados Unidos . Elas incluem o número de pessoas internamente indicado para ser mortos, feridos ou detidos durante cada acção, em conjunto com a localização geográfica exacta de cada evento, e as unidades militares envolvidas e grandes sistemas de armas usadas.


O Diário da Guerra do Afeganistão é o arquivo mais importante sobre a realidade da guerra, nunca foram divulgadas no decurso de uma guerra. As mortes de dezenas de milhares de pessoas é normalmente apenas uma estatística , mas o arquivo revela os locais e os eventos -chave por trás da maioria destas mortes cada . Esperamos que a sua libertação levará a uma compreensão abrangente da guerra no Afeganistão e fornecer as matérias-primas necessárias para mudar o seu curso.


A maioria das entradas foram escritas por soldados e oficiais da inteligência ouvindo pelo rádio , em relatórios de implantação da linha de frente . No entanto, os relatórios também contêm informações relacionadas com a inteligência da Marinha , E.U. Embaixadas e relatórios sobre a corrupção e actividades de desenvolvimento no Afeganistão .


Cada relatório é constituído por tempo e localização geográfica exacta de um evento que o Exército E.U. considera significativo. Ele inclui vários outros campos padronizados : o tipo geral do evento ( combate, luta contra terceiros, propaganda , etc ), a categoria do evento , segundo a classificação por E.U. Forces, quantos foram presos , feridos e mortos de civis, aliados , nação anfitriã forças, e inimigo, o nome da unidade de referência e uma série de outros campos, o mais importante dos quais é o sumário - uma descrição do idioma Inglês dos eventos que são abordados no relatório.


O Diário está disponível na web e podem ser vistas em ordem cronológica e por mais de 100 categorias atribuído pelas Forças E.U. tais como: " a escalada de força ", " fogo amigo "," reunião de desenvolvimento , etc Os relatórios podem também ser visto pelos nossos gravidade " medida , o número total de mortos , feridos ou detidos . Todos os incidentes têm sido colocadas em um mapa do Afeganistão e pode ser visto no Google Earth limitado a uma determinada janela de tempo ou lugar . Desta forma, o desenrolar dos últimos seis anos de guerra podem ser vistos.


O material mostra que começar a cobrir -ups no chão. Ao relatar suas próprias atividades Unidades E.U. estão inclinados a classificar civis como insurgente mata mata, minimizar o número de pessoas mortas ou dar desculpas para si mesmos. Os relatórios, quando feitas sobre outras unidades E.U. militares são mais susceptíveis de serem verdadeiras, mas ainda abaixo de jogar críticas. Inversamente , quando a elaboração de relatórios sobre as ações de non-US forças ISAF os relatórios tendem a ser abertas ou crítica e ao relatar sobre o Taliban e outros grupos rebeldes, o mau comportamento é descrito em detalhes abrangente. O comportamento das autoridades do Exército afegão e do Afeganistão também são freqüentemente descritos.


Os relatórios vêm E.U. Exército , com excepção das actividades mais Forças Especiais . Os relatórios em geral, não abrange as operações do alto-segredo ou europeu, e outras operações de forças da ISAF . No entanto, quando uma operação conjunta, envolvendo as unidades do Exército regular ocorre , os detalhes dos parceiros do Exército são muitas vezes reveladas. Por exemplo, uma série de operações sangrentas pela Task Force 373, uma unidade secreta E.U. assassinato de Forças Especiais , estão expostos no Diário - incluindo um ataque que levou à morte de sete crianças.


Este arquivo mostra a vasta gama de pequenas tragédias que quase nunca são divulgados pela imprensa , mas que representam a esmagadora maioria das mortes e ferimentos.


Temos atrasou a liberação de cerca de 15.000 relatórios do total de arquivo como parte de um processo de minimização de danos exigidos pela nossa fonte. Após nova análise , esses relatórios serão publicados , com redações ocasional e, eventualmente, na íntegra, como a situação da segurança no Afeganistão licenças.

Outras informações dos nossos parceiros de mídia:

•Der Spiegel : http://www.spiegel.de/international/world/0 , 1518,708314,00 . html


•The Guardian : http://www.guardian.co.uk/world/series/afghanistan-the-war-logs


•The New York Times: http://www.nytimes.com/interactive/world/war-logs.html"

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Apelo da F.S.M. - 7 de Setembro de 2010, Dia Internacional de Luta


A Federação Sindical Mundial (FSM), apela ao movimento sindical e às organizações progressistas em todo o mundo para agirem, e participarem, juntando-se a nós em 7 de Setembro de 2010, Dia Internacional de Acção.


Em 2009-2010, vivemos numa época de crise global do capitalismo. Esta crise é profunda e abrange todas as áreas do sistema: economia, política, sociedade, cultura, meio ambiente, incluindo relacionamentos pessoais dos cidadãos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), está a atacar os países com dívidas públicas e impõe aos governos desses países graves políticas anti-laborais. A esperança dos trabalhadores está na luta, com a participação de jovens, mulheres, imigrantes e indígenas nestas lutas. Na Europa, Ásia, América Latina, os povos manifestam-se nas ruas e reivindicaram.

Hoje, todos entendem que os problemas da crise afetam a todos nós. A crise está em toda parte. Assim, a coordenação da resposta deve ser generalizada. Coordenação e cooperação - o internacionalismo e a solidariedade. Nenhum deve ficar isolado e por conta própria, mas juntos, em todos os países, todos os trabalhadores, os desempregados.
Todos juntos para combater por reivindicações actuais, para satisfazer as necessidades de hoje. Pretendemos, para sair da crise:

• Que os trabalhadores não paguem a crise. Que sejam proibidos os despedimentos.
• Pelo corte dos gastos em equipamentos militares e uso desse dinheiro para os desempregados e os pobres.
• Por medidas imediatas para perdoar a dívida do Terceiro Mundo.
• Por sistemas públicos de saúde e educação, comida e água para todos.
• Por investimento público, para promover a criação de emprego.

Que atendam as necessidades actuais dos trabalhadores. Através de pequenas e grandes batalhas, a classe trabalhadora internacional afirma que o futuro da humanidade somente pode ser drasticamente melhorado com a abolição da exploração do homem pelo homem. Porque o capitalismo não pode ser corrigido!

Vamos unir forças e vozes em manifestações no Dia Internacional de Acção, 7 de Setembro de 2010.

Sindicatos e organizações sociais nos seus respectivos países, regiões e locais devem juntar os seus esforços para responder a este apelo da FSM.

Realizar iniciativas nos locais de trabalho e por ramos de actividade. Em 7 de Setembro, cada sindicato vai escolher a sua forma de luta.

Trabalhadores Unidos no dia 7 de Setembro, o Dia Internacional de Acção!


Secretariado da Acção - FSM

sábado, 17 de julho de 2010

É necessário dizermos "Não!" à globalização imperialista (II)


(conclusão do post anterior)

A resposta, indispensável e urgente, dos trabalhadores e dos povos
Sob a dominação do capital, todas as organizações internacionais e de associação de Estados e países são inevitavelmente contrários aos interesses e direitos dos povos. Só países soberanos podem cooperar livremente na base da igualdade e da reciprocidade de vantagens. Todas as organizações internacionais que não respeitam estes princípios básicos de soberania e independência existem para uso e vantagem do capitalismo internacional globalizado e imperialista e devem como tal ser denunciadas e combatidas.

São totalmente ilusórias as teses sobre cooperação e subsidiariedade apregoadas pelos mentores políticos do capital, mesmo quando tais teses postulam as pretensas vantagens da união face aos mais poderosos, como é o caso, por exemplo, de muitos politólogos e intelectuais que, na Europa, anunciam as "vantagens" da unidade dos europeus perante os americanos ou os asiáticos, ocultando cuidadosamente a realidade da sua comum dependência face aos interesses e domínio político do imperialismo.


Nem o capitalismo é o fim da história, nem a globalização capitalista é a solução para o progresso e desenvolvimento dos países e a felicidade das pessoas e suas nações. Na permanente luta das ideias, no confronto entre avanço e retrocesso, entre claridade e obscurantismo, entre a rigorosa dilucidação da realidade e a sua mistificação, esta actividade teórica visando reabilitar as ideias de patriotismo, de defesa colectiva dos bens materiais e espirituais comuns de cada povo, tem que assumir aquilo que de facto é: uma prioridade ideológica e uma prioridade política.

É urgente afirmarmos que não existe nenhuma "aldeia global", por muito atraente que o conceito surja aos olhos de certas camadas pequeno-burguesas. Para demonstrá-lo, basta atentarmos nas políticas e nas leis desumanas e policiescas criadas e aplicadas contra os trabalhadores forçados à imigração, políticas e leis assentes numa paranóica visão securitária, repressora e discriminatória do "estrangeiro".

Também o projecto utópico de uma governação socialista de dimensão mundial não está na ordem do dia. A realização desse sonho humano, que empolga tantos espíritos revolucionários, terá de ser a resultante de uma radical transformação da relação mundial de forças, a construir pela prévia vitória das revoluções socialistas nacionais. Esse legítimo anseio por uma fraternidade universal e sem fronteiras nacionais é ainda uma meta distante, a iluminar o caminho progressista dos povos mas que não deve cegar-nos para os combates imediatos e urgentes.

A luta de classes tem ainda actualmente a sua principal componente fronteiras nacionais adentro, contra o grande capital e o seu governo de serviço, contra o Estado autoritário da burguesia e por um Estado democrático e patriótico que defenda os interesses populares e a soberania do país. O futuro da Humanidade será construído a partir das lutas emancipadoras do proletariado e sustentado por políticas nacionais anti-imperialistas e de defesa da independência dos povos.

Entretanto, as convulsões internas actualmente em curso no próprio seio do capitalismo globalizado, originadas pela sua própria crise sistémica, deixaram momentâneamente fragilizadas as ferramentas e as estratégias de dominação ideológica sobre os países e povos submetidos à exploração do sistema capitalista. Apesar de laboriosamente ocultadas e mascaradas, com constantes ondas propagandísticas de uma mirífica "retoma económica" que teima em não passar de teórica, as políticas predadoras do capital usam a sua própria crise procurando reconstituir-se à custa da mais violenta sobre-exploração do trabalho de que há registo nos últimos setenta anos e da maior vaga de espoliação dos recursos e riquezas nacionais desde a época ascendente do colonialismo no século passado, políticas predadoras que assim vão surgindo mais claramente aos olhos dos assalariados e dos cidadãos em geral. E este avanço nas consciências é uma vantagem para a luta a travarmos.

No actual contexto económico, social e político, apontar aos trabalhadores e aos povos respectivos o caminho da recuperação da soberania e da independência nacionais, perdidas na vaga neoliberal que varreu o mundo, surge como um imperativo estratégico para as forças revolucionárias, democráticas e progressistas. Devem ser denunciados todos os tratados e convénios que atentam contra o direito dos povos e países a decidirem livremente das suas organizações sociais e políticas, dos seus destinos.

São notórios os cantos de sereia que nalguns continentes, especialmente no âmbito dos países integrantes do G-20, visam atrair alguns PC's para um colaboracionismo de classes nacionalista, com pretexto num auto-designado título de "potência regional" sub-imperialista que estaria destinado ao país respectivo, assim transformado em representante e capataz regional do imperialismo dominante. Noutros casos, onde a integração política e económica capitalista está mais avançada, como é o caso europeu, essa actividade de comprometimento dos partidos operários é direccionada a partir de ideias de recorte xenófobo sobre uma pretensa superioridade regional sobre os povos dos outros continentes. Para os comunistas, tornou-se uma tarefa ideológica prioritária darmos um firme combate às variadas teses "globais", tanto as defensoras da globalização capitalista como as falsamente "internacionalistas", propaladas por equivocados defensores de um internacionalismo teorizante e sem conteúdo de classe, umas e outras difundidas e acarinhadas pelos aparelhos ideológicos defensores do globalismo.

A nossa época exige que os revolucionários afirmem convictamente aos povos a que pertencem o valor do seu patriotismo e a urgência de políticas patrióticas, contra a dependência e submissão dos Estados ao grande capital globalizado. Os Estados nacionais e democráticos têm que recuperar as suas soberanias perdidas, retomando os seus direitos ultrajados e voltando a dirigir as políticas económicas, sociais, culturais e de relações internacionais dos respectivos povos, os seus próprios desígnios constitucionais, as suas legislações nacionais, as suas jurisprudências, a defesa dos seus recursos naturais e dos seus patrimónios - culturais, arquitectónicos, paisagísticos, ambientais.

A experiência recente dos povos europeus vai no sentido de os despertar para a falsidade do palavreado mentiroso da Comissão Europeia e do seu presidente em exercício, bem como para a sistematicamente repetida mentira que faz passar por democrático um Parlamento Europeu sem poderes reais e que só existe como capacho político para a Comissão e sustento de ilegítimas mordomias e altos subsídios para a esmagadora maioria dos deputados que o integram, eleitos nas listas dos partidos do capital.
Os trabalhadores e os cidadãos europeus podem hoje constatar mais facilmente a descarada intrujice desta UE. A sua disponibilidade para o compreenderem e apoiarem uma posição de firme e patriótica defesa da recuperação da independência e soberania dos seus países e Estados é hoje decerto muito maior que no passado. Na verdade, não são os países e povos que se afastam desta UE mas é esta que despreza e ignora os interesses e aspirações legítimas daqueles.


No caso de Portugal, como também nos casos de outros países economicamente dependentes, a adesão à CCE/UE foi mais um artifício político para o governo de turno do PS conseguir impor as políticas contra-revolucionárias e de recuperação capitalista, as privatizações, as leis anti-laborais necessárias à imposição da plena integração capitalista do continente europeu. Como costumamos dizer, não foi Portugal que entrou na CEE, foi a CEE que nos entrou arrogantemente portas adentro, destruindo indústrias pesadas estratégicas, abocanhando empresas públicas, liquidando conquistas sociais. E uma economia/panela de barro foi estilhaçada pelo choque contra economias/panelas de ferro, com um penoso cortejo de mais atraso social e de maior miséria.

No que respeita ao papel e ao futuro da UE, estão estrategicamente certos os camaradas gregos, quando propugnam a saída do seu país da UE. De facto, no contexto actual é um equívoco pensar e defender que seja possível e esteja ao alcance dos trabalhadores e dos povos europeus reformar esta UE em moldes democráticos, tornando-a um polo de igualdade, cooperação e solidariedade entre si. Desde a assinatura do Acto Único Europeu, em 1986, mas sobretudo desde a aprovação do Tratado de Maastricht, em 1992, os sucessivos tratados e os seus textos "constitucionais", aprovados à revelia da discussão e da fiscalização democráticas dos eleitorados nacionais, só têm agravado a dependência económica e política dos países integrantes económicamente mais fracos, ao mesmo tempo que agravam as condições de trabalho e de existência dos povos respectivos.

Federalização política acelerada dos Estados, sob o comando arbitrário dos mais ricos e com irreparáveis perdas de soberania, crescente militarização ao serviço das agressões imperialistas, integração económica e cambial sob a batuta dos interesses das grandes multinacionais, imposição de inúmeras perdas sociais para benefício directo dos bancos e grandes grupos económicos transnacionais, são os traços dominantes desta UE nos últimos vinte anos. Trata-se de uma tendência claramente irreversível, que só é possível contrariar a partir de posições de denúncia e de rejeição frontais, com a afirmação corajosa do direito permanente à auto-determinação dos povos, como as assumidas pelos camaradas gregos.


A saída de Portugal da UE, como a da Grécia, da Espanha e de outros, em nada modificará o que existe de essencial na vida dos seus povos, ao contrário do que afirmam as campanhas intimidatórias e chantagistas lançadas pelos seus governos de turno. Ao contrário, tal saída permitirá definir sem os actuais constrangimentos um rumo próprio. A reconstituição da sua indústria, da sua agricultura, das suas pescas, da sua actividade de mineração, dos seus sectores de criação e produção de ID&E, voltarão a ser possíveis de realizar, a par da submissão do poder económico ao poder político, forçando as multinacionais e os monopólios a submeterem-se e a respeitarem as regras democráticas e os interesses e direitos dos trabalhadores, únicos produtores da riqueza material do país.

A recuperação da moeda própria permitirá voltarmos a usar os mecanismos do câmbio em defesa dos nossos interesses. Uma banca nacionalizada garantirá o crédito aos cidadãos e às pequenas e médias empresas hoje afogadas em dívidas e condenadas à falência. O direito ao trabalho e à segurança no emprego voltará a ser possível, assegurando a estabilidade material das famílias. As colossais verbas públicas hoje destinadas a engordar incessantemente os escandalosos lucros de uma banca especulativa e corrupta voltarão a ser destinadas prioritariamente a garantir bons serviços públicos, gratuitos e à disposição de todas as populações, do litoral ao interior mais profundo. Os preços poderão ser controlados, acabando o regabofe dos mais caros custos europeus da nossa electicidade, das nossas telecomunicações, dos combustíveis, enquanto os salários ocupam o fim da escala da zona euro. Os direitos e conquistas sociais serão readquiridos pelo povo, de novo com direito à saúde, ao ensino, à segurança social, à habitação, aos transportes e à mobilidade, à cultura e ao lazer.


Nas lutas pela independência nacional e pela soberania dos povos podem e devem convergir os interesses de classe de todas as classes e camadas não-monopolistas: a classe operária - à qual cabe o papel de vanguarda no combate - , os assalariados em geral, os quadros técnicos e científicos, os intelectuais e artistas, a pequena burguesia urbana (industrial, comercial, dos serviços) e rural (pequenos proprietários/empresários agrícolas), todos têm instantes razões para participarem na luta patriótica.
É hora de romper e desarticular a teia ideológica do capitalismo que visa manietar os povos, amarrando-os ao carro do imperialismo e tornando-os submissos perante as regras, as legislações e as criminosas práticas imperiais, com as populações destituídas de vontade própria e assistindo à destruição dos seus direitos nacionais à paz, ao progresso e à felicidade, vendo postergado o seu direito a um desenvolvimento independente e com a dignidade de países soberanos nas suas escolhas.
Persistindo a actual submissão do país às directrizes e regras impostas pelos tratados da UE, o fosso social aumentará, a miséria crescerá, o rumo de desastre nacional prosseguirá e Portugal aprofundar-se-á, sem direitos, sem dignidade, sem esperança.


Nesta questão política verdadeiramente global, que assume hoje uma importância central e estratégica, o papel de vanguarda que os PC's procuram desempenhar perante os trabalhadores e os povos coloca-lhes a especial responsabilidade de falar a verdade e de a afirmar antes de quaisquer outras forças ou personalidades do campo democrático e progressista. Representantes dos interesses, direitos e objectivos históricos e de classe do proletariado, cabe aos comunistas e aos revolucionários a obrigação de caminharem sempre e em todas as circunstâncias na frente, segurando as bandeiras patrióticas e populares, com a profunda convicção e confiança que os seus povos os escutarão.



As lutas pela independência nacional dos povos estão hoje na ordem do dia, de modo semelhante às antigas lutas anti-coloniais do século XX. O imperialismo é o colonialismo global dos nossos dias. Na luta para o derrotarmos devem convergir os países já libertos do capitalismo, os países progressistas com posições anti-imperialistas e os revolucionários e democratas dos países ainda submetidos.
Neste sentido, urge que sejam desmascaradas as várias faces regionais de um mesmo imperialismo "desnacionalizador", em cada contexto geo-político e qualquer que seja a "institucionalidade" que cada uma delas aparenta. Defrontar o imperialismo opressor com firmeza, desmascarando os seus propósitos para ulteriormente derrotá-lo pela vontade, pela determinação e pela luta dos povos no mundo inteiro. Nesta tarefa histórico-contemporânea, cumpramos com coragem política o nosso papel revolucionário.
No futuro, os nossos povos julgar-nos-ão pelo que formos capazes de afirmar e realizar no presente, a caminho de um mundo liberto das amarras e crimes da dominação imperialista. Cada povo tem energias, recursos e estratégias próprias para o seu desenvolvimento económico, numa partilha e troca de competências com os outros povos e num plano de igualdade e reciprocidade livremente aceites e mutuamente vantajosas.


Sabemos todos bem e de há muito - e a História Comtemporânea confirma-o - que os comunistas, pelo seu posicionamento de classe, são os mais consequentes patriotas e, simultâneamente, os mais devotados lutadores pela causa do internacionalismo proletário. E sabemos também, igualmente de há muito, que a maior contribuição que poderemos dar para a libertação e emancipação dos outros povos será alcançarmos a nossa própria libertação, nacional e patriótica, no nosso próprio país. Para tal, temos primeiro que conquistar as mentes e os corações dos trabalhadores portugueses para a ideia de que "Sim, é possível!" um país independente e soberano, libertado das grilhetas que a mentira da "integração europeia" nos impôs.


O Secretário-Geral do PCP, acabado de regressar de um encontro com o PCGrego, realizado em Atenas a convite dos camaradas gregos, afirmou ao "Avante!" que na Grécia o Partido Comunista e a PAME estão «na linha da frente da luta e do seu desenvolvimento», realçando que graças à sua acção «muitos trabalhadores e organizações sindicais não filiadas na PAME têm participado nas lutas, nomeadamente nas greves gerais». Segundo Jerónimo de Sousa, sente-se actualmente naquele país, um «ambiente geral de insubmissão», ambiente este - acrescente-se - decerto só possível de construir e observar graças às posições corajosas e à luta, ideológica e política, dos comunistas e dos sindicatos de classe gregos. É esta também a nossa luta e o nosso caminho comum.


sexta-feira, 16 de julho de 2010

É necessário dizermos "Não!" à globalização imperialista (I)


A situação Actual

Em resultado de uma poderosa acção ideológica, desenvolvida ao longo dos últimos vinte anos pelo capitalismo e difundida por potentes centrais de desinformação, explorando o desequilíbrio de forças em seu favor originado pelas derrotas do socialismo, as erradas ideias de uma falsa "universalidade" dos povos e dos cidadãos tomaram conta dos mass-medias, dos programas de ensino, das actividades culturais. Induzidas pela corrente neoliberal dominante e pregando uma globalização planetária da vida e dos países, ganharam profundamente muitas consciências da "intelligentsia" mundial.

Nenhuma área das ciências humanas lhe escapou, para além de tomar igualmente as mentes em muitos outros ramos do Conhecimento. Teorias simpáticas, como a da "aldeia global" ou a da co-responsabilização de todos pelos desastres ambientais e pela preservação do meio ambiente, a tão apregoada quanto falsa "liberdade" de circulação sem fronteiras dos indivíduos, a par das transformações nas consciências operadas pelo acesso massificado à Informação via internet, criaram uma realidade virtual que foi formatando as mentes para a aceitação passiva do domínio globalizado do capital - este sim, o único que realmente se tornou global.

Estimulando artificialmente as ideias de partilha e de pertença de cada um a uma ilusória societização planetária, o capitalismo foi capaz de mascarar os seus verdadeiros objectivos de dominação internacional global. Os defensores dos patrimónios culturais nacionais passaram a ser vistos como gente ultrapassada e conservadora; quem erga a voz em defesa das riquezas materiais de cada povo é apodado de retrógrado ou perigoso nacionalista; a defesa da independência e da soberania nacionais de cada povo tornaram-se ideias obsoletas, indefensáveis. A nova "modernidade" exigiu que fossem votados à execração intelectual e ao desprezo cívico todos aqueles que teimosamente se mantiveram fieis à ideia de pátria, à defesa da dignidade patriótica de cada povo.

Esta quase geral rendição da intelectualidade, perante a ofensiva ideológica global do capital, deixou indefesas as mentes e as opiniões públicas nacionais para lhe fazer frente, amolecendo as consciências e, em grande medida, permitindo-lhe impor múltiplas teses fundacionais de uma "nova ordem mundial global". Tornou-se coisa comum - e, pior, aceitável - a livre circulação do capital, a deslocalização entre continentes das empresas industriais e de serviços, a reorganização empresarial capitalista que pulverizou os processos produtivos, generalizando a criação de "holding's" que dirigem de algures as unidades produtivas de componentes dispersas por vários países e concorrendo - e competindo - para um mesmo e único produto manufacturado final. Justificadas com a varinha mágica da "inevitabilidade", a liquidação da produção industrial, a destruição da produção agrícola, dos sectores da pecuária, das pescas, tornaram-se um objectivo estratégico dos governos dependentes, deixando os países totalmente vulneráveis à penetração do capital multinacional.
Decorrente desta sistemática destruição da independência económica dos povos, foram também sendo "drenados", dos países economicamente periféricos para os países centrais, os cérebros mais capazes e qualificados, deixando as ID&E nacionais empobrecidas de investigadores e cientistas e mais dependentes. A colonização cultural pelos mecanismos ideológicos dos países dominantes tornou-se avassaladora, soterrando literalmente as culturas e patrimónios nacionais e deixando-os em escombros irreconhecíveis.
Num processo conexo, as condições legais e contratuais da exploração do trabalho debilitaram-se e atomizaram-se, subalternizando os direitos do trabalho aos "direitos" da propriedade dos meios de produção. Assistiu-se à generalização dos modelos sociais de organização da produção assentes na "flexibilização laboral", conduzindo à derrota e à resignação milhões de assalariados que viram ser violadas e destruídas conquistas e direitos seus antes conquistados aos exploradores, ao longo da vida e das lutas de várias gerações proletárias. Ludibriados pelo falso brilho de uma "modernidade" triunfante e inevitável, trabalhadores dos serviços, quadros técnicos, intelectuais e artistas assistiram, quase paralizados, à sua acelerada e brutal proletarização, com a perda de prerrogativas das quais, como camadas privilegiadas, anteriormente tinham usufruído.

Nesta caminhada forçada para a globalização, imposta "manu militari" e pela manipulação e mistificação ideológicas, os povos chegaram ao ponto culminante destas transformações económicas, sociais, culturais e mesmo civilizacionais, com a transformação política globalizante dos seus Estados nacionais, transformandos em marionetes manipuladas às ordens de entidades políticas supranacionais e não-democráticas. Os Estados nacionais foram declarados mínimos e estritamente obrigados a exercer somente os seus poderes locais em nome e à disposição das imposições e interesses exclusivos do capital global.

Durante as últimas duas décadas e meia, temos assistido a um gradual mas violento processo de "desnacionalização" dos Estados. Por todo o mundo capitalista o capital lançou uma estratégia de desapropriação dos povos dos seus Estados e das suas soberanias nacionais. Intensificou, sob a sua batuta, os processos de integração económica e política regionais, criando ou reforçando estruturas políticas pluri-nacionais na forma de "Alianças" e "Organizações" ou "Uniões", como é o caso da UE no continente europeu, esvaziando e substituindo-se às constituições e edifícios legislativos dos países integrantes e chantageando os países candidatos a uma integração.

Organizações globais como o FMI e o Banco Mundial passaram a actuar com sobranceria, ditando tudo o que os países e Estados dependentes devem e não devem fazer, seja nas políticas internas, seja nos seus posicionamentos internacionais. As reuniões do G-8 e do G-20 ganharam novas "institucionalidades", visando tornarem-se foruns de articulação política da dominação dos países mais ricos sobre os mais pobres, perante a quase ausência de reacção por parte dos últimos.

Nos centros de comando ocultos do imperialismo, já se planeiam novas agregações e federalizações de países em várias regiões e continentes, com um mesmo e único objectivo: espoliar os povos do indeclinável direito às suas independências políticas e às suas soberanias nacionais, da liberdade de organizarem e gerirem as suas sociedades de acordo com a exclusiva vontade e decisão dos seus povos.

Nas relações e no direito internacionais, a ONU e o seu Conselho de Segurança são paulatinamente transformados em meros executantes das ordens do capital transnacional, sancionando todas as operações de esbulho e saque das riquezas nacionais dos povos e todas as operações militares do imperialismo de agressão, genocídio e ocupação colonialista/imperial dos países que não aceitem cumprir caninamente as directrizes do sistema capitalista global.
Em simultâneo, os governos de serviço e a mando do capital passaram a justificar as suas políticas anti-populares e de traição nacional com pretexto nas "tendências" de um mirífico e indeterminado "mercado global" - hoje uma designação quase deificada -, propagandeando adentro dos seus países a necessidade de submissão aos ditames daquelas organizações "globais" e estimulando ainda mais a resignação dos cidadãos e a sua aceitação passiva das terríveis consequências sociais e humanas da sua sujeição à globalização capitalista.

Uma política de desmantelamento dos serviços públicos e a privatização desenfreada e selvática do património e das riquezas nacionais de cada povo assumem o carácter de orientações globais sem alternativa. Paralelamente, a componente mais agressiva e globalizada do capital - a oligarquia financeira-especulativa - passa a determinar os rumos das políticas económicas, financeiras e cambiais dos Estados, em detrimento dos segmentos do capital produtivo, da criação autónoma de riqueza e do desenvolvimento independente das economias nacionais.

Antecipando a inevitável resistência dos povos e as lutas sociais que se vão intensificando, teorias aterrorizadoras são diariamente propaladas sobre as camadas sociais mais vulneráveis acerca de supostas "ameaças terroristas", conduzindo-as à ilusão psicopática de se considerarem permanente ameaçadas e potenciais alvos de violências, um estratagema que vai pavimentando o caminho para a aplicação de políticas de repressão e violação das liberdades e "justificando" os novíssimos métodos de governação neofascistas. No âmbito das organizações pluri-nacionais criadas, são constituídos corpos policiais repressivos, autorizados a agir sem limitações fronteiriças. As forças armadas nacionais são enquadradas por estados-maiores além-fronteiras e submetidas a doutrinas de intervenção na área da segurança interna, contra os clássicos "inimigos internos" dos velhos manuais militares estadunidenses.
(conclui no próximo post)

domingo, 11 de julho de 2010

A correlação de forças e a luta actual pelo socialismo (IV)

Confrontados com uma violenta ofensiva do capital multinacional, os trabalhadores de vários países europeus vêm intensificando as suas lutas, não obstante as diferentes condições e características dessas lutas. Luta-se na Grécia, em Portugal, em Espanha, na França, na Itália, na Roménia, na Grã-Bretanha, sendo ainda visíveis mobilizações noutros países.
Nos post's anteriores, foram abordados numerosos aspectos sobre uma correcta avaliação da correlação de forças existente numa dada situação, bem como a imperiosa necessidade de os revolucionários não se deixarem enredar na campanha ideológica dos inimigos de classe, sempre apostados em difundir uma ideia distorcida da realidade e favorável aos seus objectivos. A esta actividade diversionista e mistificatória do seu inimigo de classe, respondem as forças operárias europeias - sindicatos e partidos - em contextos diversos de unidade e mobilização.
Assim, as correlações de forças são muito influenciadas pela actividade e pelos correctos posicionamentos de classe de sindicatos e partidos, contrapondo-se à acção divisionista das correntes sindicais reformistas, sejam as social-democratas, as de direita ou as esquerdistas, todas elas apostadas na conciliação e na co-gestão do sistema com base em colaboracionismos de colorações várias, umas objectivamente e outras mesmo subjectivamente aliadas com o capital.
Nas últimas semanas, com a grande manifestação em Lisboa, a 29 de Maio, e com a nova greve geral do PAME grego, a 29 de Junho, e a convocação para a passada quinta-feira (8/7) de novas lutas nos dois países, com a realização de importantes manifestações da CGTP em várias capitais de distrito em Portugal, e, com a realização da 13ª. greve em sete meses (!) pelos sindicatos organizados no PAME na Grécia, também com manifestações em seis dezenas de localidades, ficaram de novo evidentes as enormes potencialidades da luta de massas nos dois países e a real perspectiva da sua intensificação e alargamento a novos sectores operários, bem como a possibilidade concreta de atrair para a luta várias camadas intermédias da pequena burguesia, também violentamente atingidas por este ataque concertado dos governos do capital presentemente em curso na EU. Tornou-se evidente que a luta de classes na Europa, no momento actual, tem no proletariado grego e português os seus destacamentos mais avançados.
Entretanto, e um pouco paradoxalmente, avaliando o desenvolvimento das lutas populares nos dois países nos últimos anos, enquanto em Portugal estão presentes melhores condições de partida para a sua intensificação, é na Grécia que a luta assume no presente contornos mais radicais e avançados. Uma maior violência relativa das medidas de extorsão, desencadeadas pelo governo grego, explica em parte este quadro diferenciado. Mas parece insuficiente ficarmos por aqui. Tentar perceber porque é assim tornou-se um exercício necessário e útil, tanto para o Movimento Operário como para os comunistas, não só para os portugueses mas também para os Movimentos Sindicais e PC's em geral, as duas áreas fundamentais e primeiras responsáveis pelo desenvolvimento da luta social e da luta política de classe.

Contrariamente ao que ocorre com o Movimento Sindical português, fortemente unificado pela CGTP e com uma UGT "amarela" minoritária e quase circunscrita a alguns dos sectores de serviços, o sindicalismo grego vive uma situação de muito maior dispersão e divisão, com grandes sindicatos e confederações dirigidos por correligionários do partido do governo, outros por esquerdistas e outros ainda por activistas de partidos de direita.
Por exemplo, no que respeita aos sindicatos do funcionalismo público, um sector que na Grécia está dominado pelos "socialistas" do PASOK, com uma confederação (a ADEDY) vergonhosamente detentora de um historial colaboracionista de décadas, em Portugal e desde a sua criação, em 1975, nos sindicatos da função pública sempre foram eleitas direcções com fortíssima presença de comunistas e de amigos e simpatizantes do PCP. Constituindo um fenómeno político relevante, a confirmar um trabalho sindical notável ao longo destes últimos 35 anos, nem o PS, nem o PSD/CDS, nem os esquerdistas, em nenhuma das numerosas eleições realizadas até hoje apresentam sequer listas de oposição às listas unitárias de classe! Não obstante algumas contradições e dificuldades existentes no seu seio, resultantes da presença de três dezenas de sindicatos de diferentes profissões - desde auxiliares e operários até aos investigadores e professores universitários - a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública é uma forte e coerente organização de classe, constituindo um segmento essencial na orientação e na actividade da CGTP-IN.

Quanto aos partidos operários grego e português, actuando em países com dimensões territoriais e populacionais muito semelhantes, como os principais responsáveis políticos pela mobilização e dinamização das lutas em marcha, devemos anotar, muito rapidamente: diferentemente do histórico do PCP, que conta quase noventa anos de existência ininterrupta e que, não obstante diversos períodos de desvios oportunistas, se manteve firmemente fiel aos seus objectivos políticos de classe (inclusive nos 48 anos de clandestinidade), o KKE, sendo igualmente um partido com um histórico de firmeza e combatividade (com uma grande galeria de mártires na luta revolucionária do pós-II Guerra Mundial), viveu nos anos recentes um percurso bem mais acidentado, tendo mesmo enfrentado em 1990 uma cisão grave (após uma outra, nos anos sessenta), com o afastamento de quase metade dos anteriores membros do CC e uma profunda reorganização e reposicionamento político do partido.
Acaba de ocorrer na última semana, a convite do PC Grego, um encontro entre os dois partidos, em Atenas. Trata-se de uma iniciativa importante, tanto pelo reforço dos laços de solidariedade internacionalista que afirma como pela troca de informações e experiências entre ambos que decerto permitiu realizar, no actual contexto de elevação do nível político das lutas em curso nos dois países.

Vejamos então agora alguns factores que influenciam - positiva e negativamente -, deste ponto de vista das organizações políticas de classe, as correlações de forças existentes em ambos os países e que determinam, não obstante as suas grandes semelhanças, momentos e desenvolvimentos diferentes das respectivas lutas de massas. Os pontos principais deverão estar relacionadas com:
- a) a orientação política de classe e os posicionamentos na luta dos Movimentos Sindicais respectivos;
- b) o posicionamento nas lutas e a actividade político-ideológica dos partidos operários.
O desenvolvimento ulterior das duas situações nacionais dependerá, em grande medida, das formas como esses posicionamentos e actividades evoluírem e se desenvolverem.

Quanto à primeira razão - a actividade dos sindicatos - as sucessivas greves gerais na Grécia, a par da combatividade e dimensão das manifestações de rua, evidenciam a existência de sindicatos muito combativos, com uma intervenção muito determinada e aguerrida, bem evidente na concretização de firmes piquetes de greve e na ocupação de edifícios de organismos do Estado, tal como nos visíveis e robustos serviços de ordem nos desfiles e concentrações. Torna-se óbvio que esta actividade dos sindicatos do PAME conta com o apoio claro e empenhado do PC Grego e é o resultado evidente de uma boa ligação com os sectores de actividade e os trabalhadores que participam nas lutas.

Em Portugal, o Movimento Sindical Unitário, não obstante a sua fidelidade de classe, demonstra estar mais "pesado" quanto à sua movimentação social e capacidade mobilizadora. Quadros sindicais valorosos, fustigados ao longo de muitos anos pela política de direita - em muitos casos, há mais de vinte e mesmo trinta anos - denotam grande desgaste, um visível cansaço político que se traduz, em muitos casos, em metodologias rotineiras, práticas administrativistas, uma deficiente ligação aos locais de trabalho e aos trabalhadores, ligação esta que é decisiva e indispensável para os informar, unir, persuadir e mobilizar para a luta.
Fenómenos reformistas como o da Auto-Europa não se explicam somente pela eficácia da acção divisionista do patronato, acolitado pela CT maioritariamente dirigida pelos "esquerdistas" do Bloco de Esquerda; neste caso, como afinal em todos os casos, sem subestimarmos as capacidades e meios do inimigo de classe, os insucessos (tal como os sucessos), nunca são resultantes de uma mão única - também a actividade (ou inactividade) dos sindicatos unitários e do Partido, por erros e insuficiências próprias, contribuem indirectamente para os êxitos temporários desta administração empresarial capitalista.

Pela discussão e avaliação colectiva e fraterna, torna-se necessária uma viragem na metodologia e no estilo da actividade de muitos quadros e sindicatos. Os processos de renovação e rejuvenescimento têm de ser mais decididos e corajosos, encontrando-se soluções para os aspectos humanos e não aceitando que estes adiem e prejudiquem as soluções necessárias. No plano nacional - CGTP - tornam-se ainda mais urgentes tais processos, designadamente ao nível dos seus organismos executivos (Comissão Executiva e Secretário-Geral).
Concepções de trabalho, métodos e práticas de funcionamento, visão de classe quanto à imperiosa urgência de uma viragem na actividade de ligação aos sindicatos, aos sectores de actividade, aos grandes locais de trabalho, à massa dos trabalhadores representados, são aspectos inadiáveis. A concertação social é um conceito da burguesia, posto em prática pelos seus sucessivos governos e totalmente alheio às práticas de dirigentes sindicais com consciência de classe. Os processos negociais são um meio e um instrumento da luta e não um fim para a actividade sindical. A política dos sindicalistas de classe é a política do proletariado, a cada momento e em todas as circunstâncias, estando-lhes ainda vedadas todas as pretensões individualistas de promoção social ou política. Os seus verdadeiros amigos são os trabalhadores, os únicos credores da sua fidelidade fraternal e não outros líderes sociais e políticos ligados aos interesses do capital. O tempo principal das suas vidas deve ser dedicado aos interesses de classe dos assalariados, rechaçando convites para eventos e actividades que deles claramente divergem. As vantagens materiais ou mordomias sociais devem ser energicamente combatidas. A justa política de unidade dos trabalhadores não comporta a "unidade" com sectores divisionistas e conciliatórios, mancomunados com o grande patronato e com os seus governos. As reivindicações dos trabalhadores - aumentos salariais, defesa e alargamento dos direitos, garantia de novas conquistas contratuais, exigência de outras políticas aos governos -, todas devem ser construídas, afirmadas e defendidas com justas e acertadas bases técnicas e fortes argumentos, com a mais robusta e certeira informação, a par da mais profunda convicção e máxima determinação para as afirmar, exigir e alcançar.
Quanto à segunda razão - a actividade dos partidos operários - a sua componente ideológica vem assumindo uma importância crescente.
O PC grego parece firmemente engajado no combate ideológico às concepções e às práticas reformistas e revisionistas, desenvolvendo uma actividade notória para afirmar os seus ideais socialistas e comunistas. Defrontando corajosamente as manobras e campanhas anti-comunistas que se têm intensificado nos últimos tempos, opondo-se à acção que tanto o falso social-democrata PASOK como a direita conservadora tradicional desenvolvem, com o objectivo de mistificar a realidade e justificar/impor as medidas de extorsão contra os trabalhadores e outras camadas laboriosas, levanta orgulhosamente e com coragem a bandeira do Socialismo, afirmando-o como a verdadeira alternativa ao quadro de retrocesso civilizacional que está perigosamente em marcha na Grécia.
O PC português, no seu XVIII Congresso, realizado no final de 2008, definiu a actividade ideológica como uma prioridade para a sua actividade no presente período da sua luta revolucionária, tanto pela necessidade de dar combate às mistificações históricas e ideológicas, operadas pelo inimigo de classe, como pela urgência de relançar as ideias revolucionárias da indispensável construção do Socialismo. No presente, esse reforço e intensificação do trabalho ideológico surge ainda mais indispensável e instante.
Perante o caminho para o desastre nacional que a actual ofensiva do governo "socialista" acarreta, os comunistas e os revolucionários carecem de uma sólida base ideológica para o seu combate político. Afirmar a necessidade de uma ruptura democrática, patriótica e de esquerda, para ultrapassar vitoriosamente a actual etapa reaccionária e autoritária de recuperação capitalista, em curso em Portugal, não supõe a ocultação ou subalternização da ideia do Socialismo, antes exige uma grande clareza na sua afirmação como o objectivo histórico pelo qual devem lutar os trabalhadores portugueses, objectivo tornado actual e possível de conquistar na nossa época.
Nos dois países, esta firme sustentação ideológica do carácter irrecusável e indispensável do Socialismo é um poderoso suporte para a luta política, passando a assumir uma grande importância no desenvolvimento ulterior dos actuais estágios da luta de classes. Na sua afirmação determinada junto dos assalariados, na sua constante presença em todas as lutas sociais e políticas, na actividade dirigida às camadas sociais aliadas, a divulgação das ideias para a construção de uma sociedade nova e socialista é a mais sólida sustentação para trazer à unidade e à luta todos aqueles que hoje estão a ser atingidos violentamente pela ofensiva do sistema capitalista em curso. A crise do capitalismo no mundo, as suas manobras e mistificações intimidatórias, os seus riscos e ameaças reais, não serão ultrapassados e vencidos sem uma firme e vigorosa "âncora" ideológica no sistema que é a sua única e verdadeira alternativa histórica contemporânea - o Socialismo.
Para terminar e relembrando ideias já tratadas nos três post's antecedentes: uma correlação de forças é a resultante de um processo dinâmico e dialéctico, na qual intervêm - mais ou menos, melhor ou pior - todas as forças que se confrontam na luta de classes. Se é de facto assim, então - mais e melhor -, "Façamos nós por nossas mãos, Tudo o que a nós diz respeito!"