SÓ NÃO SE ENGANA QUEM CEDE AO MEDO DE CAMINHAR NO DESCONHECIDO - SÓ SE PERDE AQUELE QUE NÃO ESTÁ SEGURO DO RUMO QUE ESCOLHEU.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Greve Geral: uma forma de luta política dos trabalhadores, indispensável e insubstituível

Aproxima-se a passos largos e vigorosos o dia da grande jornada de luta política dos trabalhadores portugueses: a Greve geral, convocada pelos sindicatos unitários e de classe filiados na CGTP-IN, marcada para o próximo dia 24 de Novembro.
A receptividade entusiástica dos dirigentes e delegados sindicais à decisão da sua Central, a envergadura do trabalho de informação e mobilização em marcha, junto dos trabalhadores nas suas empresas e locais de trabalho, as participações ampliadas nas reuniões e plenários já realizados, as adesões manifestadas por numerosas organizações operárias e populares, tudo nos confirma a justa expectativa de uma grande participação dos trabalhadores portugueses na sua GG, uma luta nacional que terá profundas repercussões na situação política portuguesa, afirmando-se como uma poderosa e insubstituível contribuição para travar e derrotar as políticas reaccionárias e anti-nacionais do governo liquidacionista do PS/Sócrates.
É uma obrigação de classe imperiosa, é um dever social e patriótico tudo fazermos, tudo organizarmos e concretizarmos, tudo e todos mobilizarmos durante o mês que nos separa da realização desta GG. É a hora para todos os esforços, para todas as iniciativas de unidade e mobilização dos trabalhadores pelas suas estruturas sindicais de classe, é o momento crucial para a poderosa convergência na acção de todos quantos lutam e almejam uma ruptura democrática e patriótica com a actual situação de declínio e desastre nacionais. É a hora para uma vigorosa afirmação de unidade na acção por parte de todas as classes e camadas cujos interesses vitais estão a ser brutal e criminosamente atingidos pelas políticas pró-banqueiros e pró-grandes grupos económicos que ao longo destes últimos 34 anos vêm flagelando o povo português e afundando o presente e o futuro do país.
Todas as diferenças e divergências de posições políticas e ideológicas entre os verdadeiros democratas devem ser momentaneamente sublimadas pela sua comum e patriótica unificação de vontades e energias no combate pela travagem e derrota dos sórdidos planos do grande capital para destruir os direitos, conquistas e transformações progressistas obtidas ao longo de décadas de renhidas e determinadas lutas de classe.
No panorama político nacional, um único partido de dimensão nacional está inteiramente ao lado dos trabalhadores e da sua justa luta, ao lado do povo, na preparação e mobilização da GG. Adesões oportunistas de última hora por parte da "central" amarela UGT e de sectores e personalidades que visam passar-se por "esquerda", são isso mesmo; manifestações oportunistas que não dão qualquer garantia de seriedade e coerência, não permitem quaisquer ilusões quanto aos seus reais propósitos. Todos os dias, todas as tarefas, todos os esforços sinceros de apoio e adesão à grande jornada em andamento, constituem o mais sólido caminho para o seu pleno êxito. A GG de 24 de Novembro é hoje a prioridade das prioridades. Tudo deve ser subalternizado à prioridade do trabalho para a sua preparação e mobilização.
Pelo seu importante significado político, a seguir se transcreve o ponto do comunicado do CC do PCP que se refere à GG e restantes acções de massas inseridas no presente momento político.


II
Greve Geral – novo patamar da luta de massas

O desenvolvimento e a intensificação da luta de massas apresenta-se como o elemento central para travar a política de direita e as suas brutais consequências. A única alternativa que se coloca aos trabalhadores, às populações e a todos os que são alvo da profunda injustiça social é, a de elevar os patamares da luta e trazer para a rua a sua voz, transformando as suas justas indignações em luta.

O CC do PCP afirma a importância da convocação pela CGTP-IN da greve geral para o próximo dia 24 de Novembro, decisão que corresponde a uma necessidade de elevação da luta dos trabalhadores face à brutal ofensiva em curso. Uma resposta necessária num momento em que o novo pacote de “austeridade” veio acrescentar razões para a intensificação da luta. É tempo de dizer basta, é tempo de elevar a voz do trabalho e de os trabalhadores darem uma resposta clara e inequívoca.

O CC do PCP alerta para as manobras e pressões que terão como objectivo procurar travar o desenvolvimento da luta. Fomentando a resignação com base nas inevitabilidades e difundindo a ideia da inutilidade da luta, usando a pressão e a chantagem a partir das condições de precariedade e dos níveis de desemprego ou recorrendo a ameaças e à violação da lei da greve, o capital e todos quanto o suportam, utilizarão todos os meios ao seu dispor para dar combate à greve e condicionar a adesão dos trabalhadores. O conjunto amplo e diverso de apoios e de adesão à greve, o entusiasmo e a disponibilidade já manifestada pelos trabalhadores, revelam grandes potencialidades de travar com enorme êxito esta jornada.

Num quadro de ferozes ataques aos salários e direitos e de forte chantagem do patronato, ganha importância acrescida a resposta organizada dos trabalhadores que com coragem dinamizam nas empresas e locais de trabalho a luta. São exemplos disso neste período, a luta dos trabalhadores da Brasileira, dos CTT, a greve dos trabalhadores das autarquias locais convocada pelo STAL no passado dia 20 de Setembro e a acção de contacto e recolha nas empresas de mais de 20 mil assinaturas na petição contra a precariedade levada a cabo pela Interjovem/CGTP-IN.

O CC do PCP sublinha o significado politico e de confiança no prosseguimento da luta, que constituíram as acções promovidas pela CGTP-IN no passado dia 29 de Setembro. Um dia de acções e iniciativas de luta em diversas empresas, como foram os casos da Soflusa, da Sovena, da Lisnave, da Lisnave Yards, da Comet, da Fernando Branco e Silva, dos corticeiros do grupo Amorim, dos trabalhadores do comércio, e que culminou com grandiosas manifestações realizadas em Lisboa com mais de 50 mil trabalhadores e no Porto com mais de 20 mil.

O CC do PCP valoriza a dinâmica reivindicativa e o esforço em curso de contacto, esclarecimento e de mobilização que se desenvolve nas empresas e locais de trabalho e o conjunto de acções de luta que para já estão em preparação nos sectores da indústria e dos transportes. Neste quadro de desenvolvimento da luta, O CC do PCP destaca ainda a manifestação nacional dos trabalhadores da Administração Pública convocada pela Frente Comum de sindicatos para 6 de Novembro, em Lisboa.

O CC do PCP apela aos diversos sectores alvos da política em curso e às populações para que se associem à greve geral e exorta os trabalhadores a que se envolvam na sua preparação e organização, e que nela participem numa grande demonstração de resistência, inconformismo e de luta. Uma luta que, travada em circunstâncias muito exigentes, se tem desenvolvido e ampliado a diversos sectores, camadas e populações, como foi o caso das diversas acções contra a introdução e custos das portagens no passado dia 08 de Outubro em vários pontos do país, o buzinão na ponte 25 de Abril a 14 de Outubro, a luta dos utentes contra os encerramentos e a degradação de serviços de saúde, contra os encerramentos de escolas e a falta de condições materiais e humanas nos estabelecimentos de ensino e com a vitoriosa luta de forças de segurança. O CC do PCP manifesta a sua solidariedade com a luta desenvolvida e com as acções em preparação, nomeadamente a jornada de luta dos agricultores no próximo dia 20, em Aveiro.

A par e indissociável da luta social contra a exploração, é necessário intensificar a luta contra o militarismo, a agressão e a guerra – instrumentos do imperialismo para subjugar os povos. Neste quadro o CC do PCP releva a luta contra a NATO – braço armado do imperialismo, e sublinha a particular importância da manifestação contra a cimeira da Nato e seus objectivos, convocada pela campanha “Paz Sim, Nato Não”, para o dia 20 de Novembro, em Lisboa, e apela à sua participação.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Grande adesão à Greve Geral em França!


Algumas informações colhidas nos serviços noticiosos de hoje que confirmam o grande êxito da Greve Geral de hoje em França, com uma forte e importante radicalização da luta dos trabalhadores franceses, em particular a grande participação da juventude trabalhadora. Na Europa da UE e dos monopólios a luta intensifica-se!

Os sindicatos convocaram para hoje aquela que é a quarta greve geral contra o adiamento da idade de entrada na reforma, dos 60 para os 62 anos de idade.
A paralisação que poderá ser reconduzida nos próximos dias, afecta transportes, função pública, portos, sector energético e telecomunicações.
Nos aeroportos de Paris, mais de 30% dos voos foram cancelados e a rede ferroviária encontra-se quase paralisada a nível nacional, embora as ligações internacionais tenham sido pouco afectadas.
Para uma passageira, “esta é a única oportunidade que temos para protestar, é agora ou nunca, se queremos manter a idade da reforma nos 60 anos”.
Segundo os sindicatos, a adesão na função pública rondava os 30%, esta manhã. Em Paris, a maioria dos transportes públicos não circulavam.
Com os parisienses rendidos à bicicleta como alternativa, o governo inquieta-se com as consequências da greve dos portos e refinarias de petróleo.
Um protesto que poderá provocar uma penúria de combustíveis nos próximos dias.
Agencia EFE – Há 5 horas

Paris, 12 out (EFE).- O protesto contra o adiamento da idade mínima de aposentadoria na França ganhou adeptos no sexto dia de greve geral convocada pelos sindicatos que, graças ao apoio que vêm recebendo, ameaçaram radicalizar o movimento através de paralisações por tempo indeterminado.
Segundo dados dos sindicatos e do Governo, as manifestações desta terça-feira já contam com mais pessoas que as de 23 de setembro.
As manifestações receberam o reforço de milhares de estudantes, convocados por organizações estudantis para apoiar o movimento sindical, o que o Governo tentava evitar.
Os quase 250 protestos convocados para hoje contaram com mais de 3,5 milhões de manifestantes, 20% a mais que no último dia 23, segundo os sindicatos.
Por sua vez, o Governo contabilizou 1,23 milhão de pessoas, número também superior ao do mês passado, quando o Executivo calculou que menos de um milhão de manifestantes foram às ruas protestar.
De qualquer forma, os protestos de hoje mostraram que o movimento não perdeu força, como afirmava o Governo, convencido de que a votação da reforma no Senado esgotaria os opositores.
A mobilização ameaça crescer e se radicalizar, em forma de greves por tempo indeterminado, para tentar obter o sucesso de 1995, quando o então primeiro-ministro, Alain Juppé, teve que voltar atrás em seu projeto de reforma da previdência diante a pressão dos trabalhadores.
Os primeiros a se declararem a favor da radicalização do movimento foram os funcionários de empresas de transportes de Paris, majoritariamente favoráveis ao prolongamento da greve.
Os sindicatos que se reuniram hoje decidiram, por unanimidade, manter a greve, enquanto outros se reunirão amanhã para debater o assunto.
A empresa responsável pelos trens afirmou que apenas metade do serviço funcionará amanhã.
Nas refinarias de petróleo, onde a greve teve grande adesão, também há chamadas para uma paralisação por tempo indeterminado, o que pode prejudicar o abastecimento de combustível.
Os líderes sindicais se reunirão amanhã para discutir a continuidade dos protestos, encontro que pode acabar com sua unidade, já que, enquanto uns são a favor de greves por tempo indeterminado, outros preferem manter apenas as manifestações.
Por enquanto, os sindicatos já podem se gabar de terem atraído a atenção dos jovens, que participaram em massa dos protestos de hoje.
Por sua vez, o Governo ressaltou que é uma "irresponsabilidade" apelar para a evasão escolar desses jovens, muitos menores de 15 anos.
Em 2006, a população francesa teve sucesso após ir às ruas protestar para que o Governo do então primeiro-ministro, Dominique de Villepin, retirasse seu projeto de contrato de trabalho para jovens.
Dessa vez, no entanto, o Executivo não demonstra que irá ceder e, apesar da intensificação dos protestos, o primeiro-ministro, François Fillon, reiterou sua "determinação" em adiar a idade mínima de aposentadoria de 60 a 62 anos, e de 65 a 67 o limite de idade para ter direito à aposentadoria integral, no caso dos que não atingiram o tempo de contribuição exigido.
Diante de deputados, o chefe do Governo afirmou que não voltará atrás porque sua reforma é "razoável e justa", pois traz "avanços sociais" e "é indispensável para financiar" o sistema de previdência.
"Na democracia, devemos respeitar a voz dos que protestam e fazem greve. Mas deve-se respeitar também o Parlamento, que representa o povo francês", afirmou Fillon.
Apesar de sua firmeza, o primeiro-ministro sabe que o avanço das manifestações contra o projeto do presidente francês, Nicolas Sarkozy, pode provocar uma crise no país.
Enquanto isso, a reforma segue avançando no Senado, onde deve ser votada na próxima sexta-feira.
No dia seguinte, os sindicatos esperam concentrar novamente milhões de franceses para pressionar o Executivo.
Uma nota final: atentemos na declaração do 1°. ministro francês, fazendo a habitual rábula de exigência de respeito pelas decisões votadas no Parlamento, uma frase típica dos políticos burgueses, apelando à obediência acarneirada perante as suas "democracias", quando são acuados pela firmeza e determinação dos trabalhadores em luta. Viva a luta dos trabalhadores franceses!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Na Europa, contra o capital e a sua UE, a luta de classes cresce e alarga-se.


Perante o agravamento da gravíssima crise social em desenvolvimento por toda a Europa, a jornada europeia de protesto do passado dia 29 trouxe às ruas milhões de trabalhadores. Para além da manifestação em Bruxelas, com trabalhadores de 24 países, importantes acções tiveram lugar a nível nacional.

Dezenas de milhares de trabalhadores belgas, franceses, britânicos, espanhóis, italianos, alemães, gregos, romenos ou polacos, num total de 24 países representados, desfilaram pelas ruas da capital belga, condenando as políticas de austeridade e reclamando que seja dada prioridade ao emprego e ao crescimento.

O clamor dos protestos ecoou em diferentes países onde se realizaram greves e manifestações, num sinal claro de que o aprofundamento da crise do capitalismo conduz inevitavelmente a um agravamento da crise social.

Enquanto no nosso país decorriam manifestações no Porto e em Lisboa [que reuniram, respectivamente, 20.000 e 50.000 manifestantes], a vizinha Espanha era abalada por uma poderosa greve geral, à qual aderiram mais de dez milhões de trabalhadores, ou seja, um nível de adesão na ordem dos 74 por cento, segundo cálculos dos sindicatos.

A greve paralisou quase totalmente a indústria metalúrgica, designadamente o sector da construção automóvel, os portos, afectando ainda os transportes públicos, as escolas e a generalidade dos serviços da administração pública. Parte do comércio também encerrou em várias cidades.

O descontentamento transbordou para as ruas das principais cidades. Em Barcelona uma enorme manifestação juntou 400 mil pessoas. Mais de 50 mil integraram-se nos desfiles em Madrid e em Sevilha. Ao todo houve mais de uma centena de manifestações na Andaluzia (Granada, Córdova, Cádiz, Huelva e Málaga), Galiza (especialmente em Vigo) País Basco, bem como em Saragoça, Baleares e Valência.

A jornada de luta ficou ainda marcada por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, designadamente em Barcelona, onde logo pela manhã começaram autênticas batalhas campais. Uma viatura da polícia foi incendiada, enquanto as forças de intervenção foram recebidas com uma chuva de pedras, paus e garrafas pelos manifestantes que logo pela manhã se concentraram na Praça da Catalunha. O centro da segunda maior cidade de Espanha foi então ocupado por destacamentos antimotim.

Também na localidade de Getafe, próxima de Madrid, a polícia entrou em confronto com piquetes de greve que mantinham encerrada a fábrica da Airbus. Oito tiros foram disparados para o ar pelos agentes, nove grevistas ficaram feridos, mas nem assim os operários cederam as suas posições.

Episódio semelhante registou-se em Valladolid, junto à fábrica de pneus Michelin, onde cinco trabalhadores foram feridas numa investida policial.

No final do dia, o balanço das autoridades indicava que pelo menos 60 pessoas tinham sido detidas e 30 ficaram feridos nos incidentes ocorridos em várias cidades.

Ainda no âmbito da jornada europeia convocada pela Confederação Europeia de Sindicatos realizaram-se manifestações em Itália, França, Lituânia, Alemanha, Letónia, Chipre, Grécia, Sérvia, Polónia, Finlândia, República Checa, Roménia e Irlanda.

Em França, depois das recentes jornadas de 7 e 23 de Setembro, os trabalhadores franceses voltaram manifestar-se massivamente em todo o país contra a diminuição de direitos de aposentação e, apesar de já aprovada pelo parlamento francês, a contestação à reforma do regime de pensões voltou a mobilizar no passado sábado, 2/10, pela terceira vez consecutiva no espaço de um mês, cerca de três milhões de pessoas em todo o país.


(Fonte: "Avante!", de 7/10/2010)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A República e as Presidenciais - Uma candidatura e um candidato (muito) diferentes.

Assinalando em Almada os acontecimentos revolucionários ali ocorridos há cem anos, quando os operários e os dirigentes de grupos republicanos locais anteciparam em um dia a implantação da República, em 5 de Outubro, em Lisboa, o candidato e dirigente do PCP Francisco Lopes, depois de caracterizar a gravíssima situação nacional actual e falar das conquistas populares e nacionais antes alcançadas com a Revolução de Abril, fez as considerações que a seguir se reproduzem.


"Neste centenário da República, neste Outubro de 2010, olhando a história e a dimensão dos actuais problemas, colocam-se questões sobre os fundamentos da República, nos planos da democracia, da soberania e da independência nacional, determinantes para o futuro.

A Constituição da República é a matriz e os seus três primeiros artigos são claros.

No Artigo 1º, sobre a (República Portuguesa) diz:

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

No Artigo 2º sobre o (Estado de direito democrático) diz:

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação de direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

No Artigo 3º sobre (Soberania e legalidade) diz no Nº 1:

A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.

Esta é a matriz de Portugal, da República Portuguesa na configuração que lhe deu a Revolução de Abril, cuja necessidade e actualidade é por demais evidente e contrasta com o rumo das últimas décadas que conduziram o País à grave situação em que se encontra.

Para os grupos económicos, os seus representantes políticos, há uma outra constituição, construída na base da impune configuração do texto constitucional e dos seus artigos aos seus interesses de classe, num processo que tem contado com a implícita legitimação por parte de quem tem o dever de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.

Para eles, Portugal é o nome dum território onde vive uma população que a tudo pode ser sujeita em nome da exploração e da especulação.

Para eles, a soberania una e indivisível reside nos mercados e deve prosseguir os seus interesses, visando a exploração do trabalho, a especulação, o saque sobre o erário público e o património nacional, a degradação das condições de vida.

Para eles, o povo português pode votar desde que não ponha em causa os princípios e interesses da apropriação privada do trabalho e do lucro dos grupos económicos e financeiros, inerentes ao capitalismo.

Para eles, o pluralismo de expressão e organização política deve ser entendido enquanto oportunidade de mostrar a sua existência e desde que não assuma a dimensão que ponha em causa o pensamento e a opinião favorável ao capital.

Para eles, o Governo deve servir os mercados, agradar aos mercados e em todas as circunstâncias pôr os interesses destes acima dos interesses do povo e do País.

Assim tem sido nas últimas três décadas, mas agora, num testemunho bem revelador do estado a que o País chegou, são os próprios governantes que o confessam: ouvimo-los dizer que governam em primeiro lugar para os mercados e para conquistarem a sua confiança, para os mercados que são o capital, a especulação e a espoliação organizada.

O actual Presidente da República segue também esta “constituição” não escrita, que não jurou, mas que aplica com diligência. O Presidente da República, segundo a Constituição, é garante da independência nacional. Mas, o actual Presidente, pelas suas orientações e prática, assume-se de facto como garante da política de direita, da subserviência do País e do seu declínio, da abdicação dos interesses nacionais perante as exigências do estrangeiro. Garante da continuação do sistema de acumulação dos lucros dos bancos e grupos económicos e multinacionais, da delapidação do património público, da liquidação das PMEs. Garante do desemprego, da precariedade, dos baixos salários e pensões, das dificuldades da vida dos mais idosos, do comprometimento dos direitos das novas gerações, da degradação das condições de vida do povo e do empobrecimento do País.

Assim tem sido, mas assim não pode continuar a ser.

A situação actual e o futuro de Portugal, exigem a aplicação plena dos preceitos constitucionais, fundamentos essenciais da pátria portuguesa, da soberania do povo. Para romper com a injustiça social, a subserviência e o declínio nacional e abrir as portas do futuro, é preciso concretizar esses fundamentos constitucionais.

Quando uns propõem a subversão do texto constitucional e outros, aparentando opor-se-lhes, realizam uma política que o desrespeita todos os dias, uma realidade sobressai: o problema não está na Constituição, mas sim nos projectos e práticas políticas que a põem em causa.

O impulso de liberdade, democracia e independência que esteve associado ao advento da República e a que Revolução de Abril deu expressão singular, dá um significado particular à expressão do Hino Nacional “Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal”.

O esplendor correspondente à época em que vivemos, não o da nostalgia, mas sim o da luta, da confiança, da esperança combativa, para os dias de hoje e os avanços que impõe. O esplendor duma democracia política, económica, social e cultural. O esplendor do desenvolvimento na indústria, na agricultura, na floresta, nas pescas, nos recursos do mar, do pleno emprego, do aproveitamento das riquezas e potencialidades nacionais. O esplendor dos direitos e condições de vida dos trabalhadores, dos direitos das novas gerações, das mulheres, dos reformados pensionistas e idosos, de todos os cidadãos. O esplendor dos direitos democráticos, do Poder local, da regionalização, das autonomias regionais, duma administração pública ao serviço do País. O esplendor de serviços públicos acessíveis, do efectivo direito à saúde, à educação, à cultura, à segurança social, à habitação. O esplendor da protecção e do equilíbrio ecológico. O esplendor da soberania popular, da independência nacional, duma política de paz, cooperação e amizade com os outros povos.

Neste centenário da República, enquanto candidato que preconiza ruptura e mudança e defende um projecto político patriótico e de esquerda, sublinho o compromisso que assumo de honrar a República, a soberania do povo, a independência nacional, garantia sem a qual não tem consequências o juramento de “defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”.

Evocamos o centenário da República, valorizamos a Revolução Republicana de 1910, salientamos esse acontecimento maior da História de Portugal que é a Revolução de Abril de 1974, centrados na actualidade e nos desafios do futuro de Portugal.

Hoje, no início da segunda década do século XXI, após mais de trinta anos de política de sucessivos governos contrária aos valores de Abril e à Constituição, que empurrou o País para o declínio, as injustiças e desigualdades sociais, o empobrecimento do regime democrático e a amputação da soberania nacional, coloca-se a necessidade de promover a ruptura com o rumo que está a afundar o País e assegurar um caminho de desenvolvimento, democracia, soberania nacional, justiça e progresso social.

O 5 de Outubro e a Revolução de Abril de 1974 mostram que as portas do futuro podem sempre ser abertas, quando o povo quer e quando o povo quiser!

Tenho confiança de que é possível e está nas mãos do povo português abrir essas portas, concretizar a vontade e as aspirações populares e responder às necessidades nacionais.

Viva a República! Viva Abril! Viva Portugal!"


É a luta revolucionária e patriótica de um povo que, de novo e mais uma vez, se torna indispensável e urgente retomar. Será sem dúvida pela luta de massas dos trabalhadores, pelo combate persistente e convicto de todos os verdadeiros democratas que se abrirão de novo as portas do futuro ao povo português. Para isso, é preciso acreditar, é necessária a vontade profunda de querer mudar a história e a vida - e então a mudança aparecerá no nosso horizonte, será desejada e concretizar-se -á!

A luta, continua! Rumo à vitória, dos trabalhadores e do povo.





quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Algumas reflexões sobre as recentes e importantes propostas programáticas do KKE

Os camaradas da delegação do PC Grego, aproveitando a oportunidade da realização da última edição da Festa do "Avante!", distribuíram às delegações presentes dos outros partidos convidados e também aos visitantes da festa dos comunistas portugueses um importante documento, contendo algumas avaliações e propostas políticas centrais do seu partido.
O texto integral já foi publicado em vários sítios, nomeadamente em http://www.odiario.info/?p=1732. É um documento muito curto, enxuto, directo. O seu conteúdo merece a reflexão de todos os marxistas-leninistas e de todos os progressistas amantes da democracia e dos direitos populares, designadamente os que travam o seu combate no espaço europeu sob o domínio político de uma UE há muito transformada em aríete contra os trabalhadores e os povos de todo o continente.
Como contributo para essa indispensável reflexão, assinalo algumas das proposições de carácter mais geral que considero relevantes no documento, com os correspondentes comentários e estabelecendo as "pontes" que parecem apropriadas a uma análise comparativa com as nossas próprias realidades e propostas políticas.

"A proposta do KKE de saída da crise resume-se na consigna: «aliança popular anti-imperialista, anti-monopolista, pelo poder popular».
Apesar do facto de no âmbito da aliança popular poderem existir forças com diferentes concepções sobre o poder, para nós comunistas, o poder popular não pode ser outro senão o socialismo."

Subjacente na consigna avançada, está a ideia de uma vasta aliança social e política, entre todas as classes e camadas sociais antimonopolistas e cujos intérpretes políticos sejam portadoras de objectivos patrióticos e anti-imperialistas. Trata-se da confirmação, pelos camaradas gregos, da ideia da indispensabilidade de uma larga aliança entre a classe operária e todas as outras classes e camadas sociais produtivas, cujos interesses são objectivamente convergentes no combate contra as políticas dominantes do grande capital monopolista e transnacional.

Entretanto, admitindo acertadamente que essas camadas e os seus representantes políticos - existentes ou a constituírem-se - terão diferentes concepções sobre o exercício de um novo poder popular, o KKE avança que tal novo poder só o poderá ser se tiver por objectivo o socialismo. Esta afirmação talvez seja o ponto mais inovador deste documento, isto é, não se admitem como possíveis/necessárias etapas de transição, etapas intermédias ainda sob o capitalismo e conduzidas por um Estado e um governo com políticas de classe ao serviço do capital. Daqui podemos extrair duas avaliações possíveis: a) são rejeitadas as teses oportunistas clássicas da transição pacífica e gradual do capitalismo ao socialismo, consideradas ideias obsoletas perante as novas realidades objectivas e a agudização das contradições e conflitos inerentes ao sistema capitalista na sua etapa actual, uma etapa marcada por profunda e prolongada crise sistémica; b) Estão omissos mais dados/propostas sobre como operar essa viragem, como concretizar a mudança radical tornada indispensável para, do quadro actual de sujeição ao poder da grande burguesia, passar ao proposto poder popular. Esta é uma questão nuclear, decisiva para a luta dos camaradas e do povo gregos e para a luta pelo socialismo em geral.

Estando certos os camaradas gregos quanto ao primeiro aspecto, quanto ao segundo a mudança só pode ser de carácter revolucionário, ou, como vimos dizendo nós os comunistas portugueses, através de uma ruptura patriótica e de esquerda. Estabelecendo o paralelo das duas situações nacionais - aliás, bastante semelhantes - poder-se-á afirmar que um tal "poder popular" só será possível e viável se afrontar directamente o Estado capitalista, demolindo-o e substituindo-o por um novo Estado de todo o povo e para todo o povo. No caso português, o ensaio/tentativa interrompido da Revolução de Abril aí está a ensinar-nos que não é possível assegurar um caminho popular e democrático rumo ao socialismo nos limites estreitos de um regime democrático burguês e sob as regras de uma democracia parlamentar burguesa. Assim, uma outra conclusão comparativa parece óbvia: tal ruptura patriótica e de esquerda/poder popular terá de ser conquistada/o "de fora para dentro" dos edifícios de ambos os Estados, através da unidade, da luta e da acção revolucionárias das classes cujos interesses se unam numa plataforma política anti-monopolista, anti-imperialista e patriótica.

Na Grécia, como em Portugal, o caminho justo e acertado parece dever ser percorrido através da denúncia e desmascaramento de regimes democrático-burgueses em adiantado estado de putrefacção política e pela proposição alternativa/substituível de novos regimes populares e democráticos que os substituam através de vigorosas rupturas revolucionárias. Rupturas que deverão ser construídas na base de muitas e alargadas lutas, tanto dos assalariados como das outras camadas produtivas, com persistência e determinação, pacientemente, mas simultâneamente sem deixar qualquer margem de manobra para quaisquer teses ilusórias de auto-regeneração dos exauridos regimes vigentes.

"Esta aliança popular tem os seguintes eixos programáticos básicos:

•Socialização dos concentrados meios de produção nos sectores de energia, telecomunicações, mineração, indústria, abastecimento e distribuição de água, transportes; que o sistema bancário, o comércio externo e a rede centralizada de comércio interno sejam propriedade social.

•Sistemas exclusivamente públicos e universais de educação, saúde, de bem-estar e previdência sociais. Que a terra deixe de ser uma mercadoria, que não exista actividade empresarial nos sectores de educação, de saúde e de bem-estar social.

•Desenvolvimento do sector cooperativo ao nível da pequena agricultura, em ramos de pequenos negócios e de trabalhadores autónomos, onde a concentração tenha um baixo nível de desenvolvimento.

•Planificação central que formule os objectivos estratégicos para priorizar sectores e ramos da produção, para determinar onde forças e meios devem ser concentrados.

Os camaradas gregos enunciam aqui os eixos essenciais daquilo que há muito se considera um programa socialista mínimo, embora deixando omissos outros dos aspectos que deverão caracterizar um rumo socialista e os objectivos de um novo poder popular, designadamente nos planos social e cultural. No actual programa do PCP, "Uma Democracia Avançada, no Limiar do Século XXI", encontramos numerosos e circunstanciados pontos sobre as suas cinco componentes - política, económica, social, cultural e de independência nacional - cuja simultaneidade na sua aplicação prática é a garantia essencial de um regime verdadeiramente democrático e popular.

Este programa político dos comunistas portugueses, de aplicação temporal larga e elaborado durante um quadro nacional de contra-revolução (em 1988, no XII Congresso), visando recuperar e alargar as transformações revolucionárias da Revolução de Abril ocorrida catorze anos antes, configura claramente um circunstanciado programa de governo. Baseado nos objectivos da Revolução de Abril, o programa do PCP pressupunha a realização de uma reversão político-institucional da contra-revolução monopolista. Esse contexto histórico mudou substancialmente. Com o processo de integração de Portugal na UE iniciado quase três anos antes, a política essencial e sistemática dos sucessivos governos PS-PSD-CDS ao longo destes últimos vinte e dois anos teve como objectivo central a reconstituição do capitalismo monopolista de Estado - intimamente ligado/sujeito ao imperialismo. Actualmente, esse objectivo do grande capital está praticamente concluído, colocando novos desafios teóricos, novas exigências políticas e novas tarefas.

Em próximo Congresso, decerto a necessidade de uma actualização programática se imporá naturalmente, uma actualização que, partindo da mesma matriz política de classe e enquadramento geral, o torne mais actual e adequado à nova etapa da luta em curso. Provavelmente, através de um texto mais sintetizado, semelhante à solução metodológica encontrada para o "Programa do PCP para a Revolução Democrática e Nacional" (VI Congresso, 1965) que fixou os oito objectivos do relatório "Rumo à Vitória". Um novo programa que ganhe objectividade política imediata e capacidade mobilizadora, através de uma afirmação directa, sintética, dos objectivos centrais e prioritários que o Partido propõe aos trabalhadores e ao povo nesta segunda década do século XXI.

Nesse novo programa, a tese da "ruptura democrática, patriótica e de esquerda" deverá constituir o eixo central a desenvolver, face ao manifesto esgotamento do regime vigente, um regime "democrático" já visceralmente marcado pelo autoritarismo, pela corrupção, pela crescente liquidação das liberdades e direitos, pelo brutal retrocesso social, pela proliferação das injustiças, pelas crescentes dificuldades do bloco no poder se manter e pela impunidade no seu exercício . As luminosas perspectivas abertas pela Revolução de Abril de 1974, o seu escopo constitucional original e as vias políticas actualmente necessárias para concretizar a Ruptura Patriótica e de Esquerda, serão decerto os seus elementos fundamentais.

"A base do poder popular serão as unidades de produção do sector socializado e das cooperativas, cujos representantes poderão ser substituídos e, em simultâneo, existirá o controlo operário popular da base ao topo."

Esta é uma afirmação político-programática da mais decisiva importância, apesar do seu carácter muito resumido. Na verdade, um poder popular em construção tendo por objectivo o socialismo tem na nossa época que sustentar-se permanentemente na participação organizada dos trabalhadores, numa estrutura muito semelhante aos inovadores sovietes que surgiram e se consolidaram no período histórico de Lénine e que deram o nome à vitoriosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A própria experiência da URSS, sabotada desde 1986 por Gorbatchov e finalmente derrotada e destruída, em 1991, com o colaboracionismo de Ieltsine, confirmou de forma indiscutível que, ou o Socialismo é uma construção participada pelas amplas massas produtoras, cuja organização do Estado assegura e estimula a participação, organizada e democrática de cada trabalhador-cidadão no exercício do seu próprio poder, ou, se este princípio não é cumprido, não é o socialismo que se está a construir e a sua derrota voltará a ser inevitável.
Na Resolução Política do XIII Congresso do PCP (Maio,1990), que avaliou criticamente as razões da derrota do socialismo na ex-URSS, afirmava-se:

"Na construção da sociedade socialista, não basta afirmar em palavras o poder do povo, é indispensável que ele seja institucionalizado, exercido e assegurado de facto.
Na construção da sociedade socialista, a democracia política e as liberdades e direitos dos cidadãos são valores integrantes do sistema que devem ser inteiramente assegurados, no quadro do Estado de direito socialista."

Aspecto central de uma nova teoria sobre o Estado Popular Socialista, aos marxistas-leninistas cabe enunciá-la, propondo-a à classe operária, aos assalariados e a todos os segmentos sociais aliados, com grande frontalidade e clareza. Nos tempos actuais, socialismo é a expressão mais límpida de uma "democracia da maioria e para a maioria". É a única proposição séria e consequente de uma nova sociedade, nascida da liquidação do poder político e económico do grande capital monopolista, dos banqueiros, dos especuladores financeiros, dos latifundiários e assente na sua permanente e renovada construção material, política e social por todos os assalariados e também por outras camadas sociais produtivas. Uma nova sociedade que tenha como seu objectivo central e urgente, no plano económico-social, uma elevação substancial e imediata dos rendimentos do trabalho e dos padrões de vida dos trabalhadores e do povo.

"Desde o seu surgimento, o poder popular confrontará a reacção imperialista organizada, interna e internacionalmente. A solução deste problema e a saída da Grécia da União Europeia e da NATO são inevitáveis. Essa Grécia popular não cabe em nenhum tipo de organismo imperialista. Renegociará a dívida pública e tratará de conseguir acordos internacionais e cooperações em bases completamente diferentes, utilizando na medida do possível as contradições inter-imperialistas."

Hoje, para a generalidade dos países integrantes da UE, não há caminho de desenvolvimento e justa distribuição da riqueza produzida, de elevação das condições de vida dos seus povos, de exercício das liberdades e das suas independências nacionais, face à submissão económica e política impostas pelo grande capital transnacional. Por isso estão certos os comunistas gregos defendendo a saída da Grécia da UE e da NATO, como certos estarão todos aqueles que o façam nos seus respectivos países. O futuro, livre, independente, desenvolvido e de paz dos povos europeus passará sem dúvida por uma vigorosa retomada das suas soberanias perdidas, estabelecendo a partir desta premissa novas relações entre si, assentes na igualdade de direitos e na reciprocidade de vantagens e garantia de interesses próprios, a par de novas relações diversificadas com outros países em todo o mundo - no caso específico de Portugal, manifestamente, uma orientação prioritária será o estabelecimento de relações estreitas com os PALOP's.

Na proposição inicial deste ponto programático, os camaradas do KKE alertam e previnem contra "a reacção imperialista organizada, interna e internacionalmente". Trata-se de uma justa e oportuna - e indispensável! - prevenção. Sinais claros dessa atitude raivosa e sem quaisquer escrúpulos "democráticos", desse revanchismo de classe do capital são já hoje visíveis nas políticas e nas medidas repressivas que estão a ser tomadas em vários dos países da UE, designadamente na sua periferia sul, onde as lutas e a resposta de massas dos trabalhadores vem assumindo maior vigor. Trata-se de políticas anti-democráticas de recorte autocrático e nalguns casos mesmo neofascista, políticas repressivas decalcadas do figurino actual da "democracia "made in USA" e sob a inspiração e comando das suas centrais de inteligência, com o objectivo estratégico de submeter pela força os povos de todo o planeta.

Com o agudizar das lutas de classe e o aproximar do tempo e das etapas de transformação revolucionária dos "status quo" nacionais, o imperialismo e os governos de turno do capital multinacional intensificam a repressão política, em primeiro lugar sobre os movimentos operários e sobre os partidos comunistas marxistas-leninistas. Os tempos presentes são de acrescidas exigências para os revolucionários. Não permitem alimentar quaisquer ilusões sobre o pretenso carácter democrático do capitalismo. A "democracia" da burguesia é um mito e uma mistificação, contra a qual o trabalhador/cidadão "prevenido, vale por dois".

À medida que a luta avance, o grande capital não hesitará - como sempre fez e faz - em deixar cair a máscara de democrático, de moderno e civilizado e - também como sempre - os seus alvos principais serão (são já) os comunistas e todos os democratas progressistas e coerentes que, em conjunto, se batem por uma nova sociedade mais justa e mais humanizada, liberta das grilhetas da exploração e da opressão. Antecipar e prevenir, preparando os militantes e organizando a defesa contra a reacção brutal do inimigo de classe é, assim, uma exigência mais a juntar às restantes que o combate nos coloca.
"O KKE luta com toda a sua força para que os trabalhadores tenham conquistas imediatas e continuará na luta para que essas medidas possam ser impostas pela força do movimento, medidas que diminuirão a gravidade dos nossos problemas actuais e consistirão num alívio para o povo.O KKE desenvolverá reivindicações para cada problema que surja. O nosso Partido continuará a luta por objectivos concretos. No entanto, hoje isto não é suficiente. É necessária uma proposta alternativa de progresso para que a luta tenha objectivo, uma meta, um sentido e, finalmente, para que possa exercer uma pressão suplementar em cada fase da luta."

A orientação política dos revolucionários nunca foi nem será a do "quanto pior, melhor" ou, na versão ideológica dos anti-comunistas, a "política da terra queimada". Procedem correctamente os camaradas gregos ao defenderem uma política de luta constante por melhorias nas condições de vida e nos direitos dos assalariados e de outras camadas sociais aliadas.
Denunciando as características e objectivos anti-sociais e desumanos do grande capital explorador, desmascarando as políticas dos seus governos/conselhos de administração, aos comunistas e a outros lutadores de classe cabe propor e defender as políticas e medidas alternativas que melhorem as condições de vida do povo e elevem os actuais patamares civilizacionais.
Sempre estreitamente ligados os assalariados, sempre com eles vivendo e aprendendo, sempre interpretando as suas legítimas aspirações e assumindo em seu nome as suas justas reivindicações, sempre sabendo também defender os interesses das restantes classes e camadas exploradas. E sabendo inseri-las todas, a cada momento da luta, no objectivo mais geral da superação da exploração, do fim das injustiças e das colossais desigualdades, apontando constantemente o rumo para a conquista da nova sociedade socialista.

"O caminho a favor do povo é só o do socialismo e jogar-se-á em primeiro lugar a nível nacional.
Na Europa, cada povo que escolha esta via de desenvolvimento, que opte por uma diferente organização da sociedade contra a exploração do capital e dos monopólios, pelo socialismo, estará obrigatoriamente contra a União Europeia.

Reafirmando aqui a sua convicção quanto ao objectivo da luta geral dos trabalhadores e dos povos europeus - o socialismo - os camaradas do KKE afirmam também que este combate é no presente o combate dos explorados e dos povos em cada um dos seus países. Trata-se de uma tese essencial e que contraria as teorizações de raiz pequeno-burguesa que, errada e falaciosamente, preconizam o abandono da luta nos marcos nacionais e contra os Estados burgueses nacionais, apregoando as lutas de âmbito europeu ou mesmo mundial (!) como as adequadas à conquista do socialismo. Nada mais errado, tal como a História e a luta contemporâneas todos os dias evidenciam. Neste erro crasso - e nesta atitude oportunista - coincidem tanto os ultra-esquerdistas politicamente infantis como as nóveis correntes trotskistas, anarquistas e espontaneístas "tutti quanti" que abraçaram as modernidades social-democratizantes, isto é, a colaboração de classes, no âmbito das "generosas" vantagens que lhes são concedidas pelo grande capital. Uns e outros apregoam um abusivo e falso "internacionalismo" como panaceia milagrosa para a mobilização dos assalariados, os primeiros para esconderem a sua real deserção dos combates de classe que "aqui e agora" renhida e esforçadamente se travam, os segundos para remeterem a luta de classes para as calendas de uma fictícia e ainda distante unidade orgânica internacional dos trabalhadores, enquanto vão alegremente apregoando as "vantagens" da actual "integração" europeia da UE e de outras integrações imperialistas noutros continentes. Como óbvia e certeiramente afirmam os camaradas gregos, hoje e na Europa, lutar contra a exploração dos monopólios e pelo socialismo equivale a lutar contra a UE, defendendo a saída de cada país dessa organização imperialista, na via da reconquista da independência nacional e da soberania de cada povo.
As novas propostas políticas do KKE, contidas no documento citado, são assim uma contribuição importante e muito estimulante para o prosseguimento da análise política por parte de todos os comunistas e revolucionários, tanto na Europa como nos restantes continentes. Uma análise e um debate de ideias que muito enriquecerá todos os que nele se empenhem, com rigor e com seriedade, contribuindo para a busca dos novos caminhos que as bruscas mudanças do início deste século a todos nos colocam, como desafio ideológico e político irrecusável.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Todos unidos na jornada de 29/9 - A luta é o caminho!

Coincidindo com outras importantes jornadas de luta previstas em vários países da UE, está convocado pelos Sindicatos portugueses filiados na CGTP, para quarta-feira da próxima semana, um dia de mobilização, luta e protesto que decorrerá em todo o país, com plenários e paralizações de trabalho, greves, acções de agitação de rua, todas culminando com a participação dos trabalhadores em duas manifestações, uma na cidade de Lisboa e outra na cidade do Porto.
Muitas são as razões para lutarmos. Muitos são os sectores atingidos pela política reaccionária do governo de turno. A jornada do dia 29 pode e deve unir e mobilizar muitas dezenas de milhares de trabalhadores, no activo ou aposentados, de técnicos e intelectuais, aos quais se poderão juntar os micro e pequenos industriais, comerciantes, agricultores, todos aqueles cujos interesses de classe coincidem, objectivamente, na urgente necessidade de juntos combaterem e travarem a violenta ofensiva do grande capital nacional e europeu, tendo por objectivo comum e mais geral derrotar a actual vaga neoliberal que atinge duramente os trabalhadores e os povos e abrir o caminho a uma nova fase na luta de classes no continente europeu.
Agitar, esclarecer, mobilizar, unir, organizar - assim assegurando que mais trabalhadores, mais reformados, mais mulheres, mais jovens e mais cidadãos estejam presentes na Jornada de Luta de 29/Set°!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A propósito dos novos dados sobre o flagelo capitalista do desemprego em Portugal



Há muito que já se sabe que o capitalismo não existe para garantir trabalho e empregos estáveis aos trabalhadores. Muito pelo contrário, para se reproduzir e sempre obtendo as maiores taxas de juro para o capital, o capitalismo é o criador constante de uma massa colossal de trabalhadores desempregados, aquilo que os seus economistas chamam de "exército de mão-de-obra na reserva". Na actualidade, com o sistema económico-social que adquiriu estatuto de planetário, com a ascensão triunfante dos seus segmentos financeiro-especulativos, as suas características predadoras e destrutivas do Homem e da Humanidade tornaram-se exuberantes.


Se o objectivo do capitalismo fosse a criação da riqueza material e o desenvolvimento das sociedades contemporâneas, como apregoam os seus numerosos e multi-facetados propagandistas, é óbvio que estaria garantido o pleno e constante emprego de toda a força de trabalho existente, bem como se verificaria a ocupação plena das capacidades materiais produtivas, em todos os países e em todas as épocas. Mas não é assim.


Segundo a ciência económica séria, a produção material é o elemento central da actividade económica. Assim, a produção da riqueza é, por definição, o objecto principal na organização social e nas relações humanas, tendo estas por objectivo último organizar a actividade produtiva para a satisfação das necessidades humanas. Mas nesta nossa época, nesta viragem para a segunda década do século, uma época de acelerada “globalização” económica do capitalismo, as políticas neoliberais dominantes, tripudiando sobre as suas próprias "democracias" burguesas e recorrendo crescentemente a práticas neofascistas de governação, endeusam o lucro máximo, a mobilidade do capital, a competitividade internacional (leia-se, a sua lei da selva) e impõem sistemas sociais de super-exploração da força de trabalho, achatando permanentemente o emprego e o valor do trabalho e multiplicando os contingentes de desempregados.


Vem isto a propósito da recente divulgação dos números do desemprego em Portugal, estabelecendo a comparação entre os níveis observados entre o ano de 1975 e a actualidade. Segundo os dados divulgados pela imprensa, a subida do número absoluto de desempregados tem sido uma constante nos últimos 35 anos, atingindo actualmente 589,8 mil pessoas, o que equivale a mais que quatro vezes o valor registado em 1975.

Sabemos todos que os números reais do desemprego actualmente em Portugal, desmentindo as manipuladas estatísticas do INE, ultrapassam largamente os 700.000 trabalhadores, o que se traduz numa taxa de desemprego já superior a 13% e não os adoçados e mentirosos 10,6% publicados.


Entretanto, para aquilo que aqui nos interessa agora sublinhar, os dados divulgados revelam um elemento sócio-político de enorme significado, a saber: em 1975, no ano seguinte à Revolução de Abril, o desemprego afectava 138 mil pessoas mas 10 anos depois aquele n° subia para 405,4 mil desempregados, passando assim de uma taxa pouco superior aos 3%, em 1975, para os 8,7%, em 1985. Dito de outra maneira, bem mais clara: durante os primeiros dez anos de contra-revolução iniciada pela dupla Mário Soares/Frank Carlucci, o n° de trabalhadores portugueses lançados no desemprego cresceu vertiginosamente 193%! Uma década ainda pior que esta última (2000/2010), na qual, sempre segundo o INE, o desemprego duplicou.


Acresce ainda um outro facto essencial, para uma correcta avaliação política do fenómeno do flagelo do desemprego em Portugal, naqueles anos de setenta e oitenta do século passado. O capitalismo mundial registava, nos primeiros anos da década de setenta, a eclosão de uma primeira grande crise global após o "boom" verificado durante as duas décadas e meia seguintes ao final da II Grande Guerra, crise cujo pico é atingido precisamente nos anos de 1974/75, crise capitalista mundial à qual se seguiriam, ciclicamente, novas crises globais em 1985, em 1995, e a última em 2007/2008, que prossegue ainda sem sinais de recuperação.

Entretanto, enquanto por todo o mundo o sistema entrava assim em recessão e levava os números da inflação a disparar, pela primeira vez em muitas décadas, para os dois dígitos - originando aquilo que desde então se passou a chamar de "estaglafação" -, em Portugal esses dois anos foram de crescimento económico, de elevação muito significativa dos salários, de níveis de produtividade do trabalho elevadas, de grandes conquistas sociais, com a aquisição pelas classes trabalhadoras de novos bens materiais e alcançando índices do nível de vida e bem-estar nunca antes atingidos.


Uma conclusão se torna óbvia: fruto directo da Revolução de Abril, Portugal caminhava na contra-mão da crise, vivendo um vigoroso crescimento da produção material e alcançando um aumento da procura e do mercado interno para níveis que não mais foram alcançados até ao presente. Aliás, na época, espantosamente, foram vários os economistas e dirigentes políticos do capital que, mais desassombrados, afirmaram o carácter para eles paradoxal desse período económico florescente dos portugueses, em pleno período das grandes transformações revolucionárias.


Deste modo, observando os números estatísticos e frios do INE e lendo somente as parangonas das notícias publicadas, trombeteando que o desemprego em Portugal quadruplicou nos últimos 35 anos, fica deliberadamente oculto este dado essencial: a terrível chaga social do desemprego, filho dilecto do hediondo sistema capitalista, pode e deve ser vencida se e quando for operada a ruptura democrática e patriótica que recoloque Portugal no caminho do desenvolvimento económico, do estímulo à produção material de novos bens e serviços, da elevação substancial dos salários e das pensões e do correspondente aumento do mercado interno.


Receita bem simples e realizável, a partir de uma alteração revolucionária na composição do poder político e nas funções sociais e patrióticas de um Estado realmente democrático, como os anos luminosos da nossa Revolução de Abril brilhantemente confirmaram. Receita e rumos que estão em frontal contradição com os objectivos, políticas e métodos governativos do capitalismo.


Rumos que um dia o povo imporá pela sua vontade livremente afirmada, escorraçando os governantes de serviço ao capital, rindo de todas as mentirolas e chantagens que actualmente são despejadas diariamente pelos canais da manipulação ideológica, lançando no ridículo todos os arautos do dilúvio que tanto se esforçam, nas suas ameaças tolas, pela manutenção da submissão do país às ordens dos mandantes da UE e do FMI.

Descerradas as janelas da mente que lhes querem cerrar, os trabalhadores e o povo português, aprendendo com a sua própria História recente, vislumbrarão novos horizontes, confirmando que há muito mais mundo e muito mais vida, para lá dos estreitos e penosos limites do capitalismo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Neste final do Verão, reacendem-se as lutas de classe na Europa

França

Após um natural abrandamento, durante o período das férias do Verão no hemisfério norte, as lutas regressam em força na Europa. Ontem, 7/9, em França, uma greve geral paralisou praticamente o país. Em luta contra os propósitos do governo de Sarkozy de elevar de 60 para 62 anos a idade da reforma, os trabalhadores franceses responderam à convocação dos sindicatos e centrais sindicais, mobilizando dois milhões e meio de grevistas que paralisaram os transportes aéreos, ferroviários e urbanos, escolas, hospitais, outros serviços públicos e muitas empresas em vários sectores de actividade, enquanto eram realizadas vigorosas manifestações em mais de duzentas cidades, com a participação de muitas dezenas de milhares de manifestantes, como em Marselha, Nice, Lion e outras, com a manifestação em Paris a reunir 270 mil manifestantes. Segundo a imprensa, a adesão à luta cresceu desde a última, realizada em Junho, com a posição de luta dos sindicatos apoiada por 60% dos franceses. Os trabalhadores franceses afirmam regressar aos protestos, de novo ainda este mês.
Os deputados comunistas provocaram um incidente, na sessão do parlamento francês que discutiu a proposta de alteração dos sistema de reformas. Os deputados do PCF levantaram-se, dirigiram-se à bancada do Governo e entregaram ao ministro do Trabalho, Eric Woerth, uma petição, com 100 mil assinaturas, exigindo que deixe cair a intenção do governo de mudar a idade de reforma. O presidente do parlamento foi obrigado a suspender a sessão para minutos depois, na reabertura dos trabalhos, o ministro vir "explicar" que a sua proposta não é de esquerda, nem de direita...
Apesar das declarações do governo, visando aparentar firmeza, a luta de ontem pode vir a fazer cair o ministro Woerth, já nvolvido num escândalo de tráfego de influências e fuga ao fisco da herdeira da grande empresa L’Oréal, a tal senhora bondosa que vem fazendo doações milionárias às campanhas eleitorais do xenófobo Sarkozy...
Vale a pena assinalar que a França é o país com a idade da reforma mais baixa da UE: 60 anos. No Reino Unido, Alemanha, Espanha, Holanda, Itália e Grécia, a idade da reforma para os homens é de 65 anos e de 60 para as mulheres, excepção para a Grécia, que é de 62 anos. Em Portugal, com a alteração do governo socialista penalizando as mulheres, a idade da reforma é igual para os dois sexos: 65 anos.

Grã-Bretanha

Depois das recentes grandes lutas dos funcionários públicos, uma greve de 24 horas dos trabalhadores do metro de Londres afectou ontem milhões de passageiros.
A greve começou anteontem (6/9), à tarde, quando os encarregados dos serviços de manutenção abandonaram os seus postos de trabalho, seguidos depois pelos maquinistas e funcionários das estações.
Os trabalhadores protestam contra a perda de 800 postos de trabalho, enquanto a direcção da empresa diz que vai manter 50% do serviço em algumas linhas e 25% noutras, como medida de redução dos gastos, alegação falsa que também recebeu o apoio descarado do poder político londrino...
A empresa teve que colocar autocarros e barcos alternativos para garantir o transporte dos passageiros, mas muitos, como já é habitual, não tiveram outra alternativa que caminhar a pé ou optar pela bicicleta. Esta é a primeira de uma série de greves. Os sindicatos apelam a novas paralisações a 3 de Outubro, 2 e 28 de Novembro.

Portugal

Após a jornada de luta realizada antes de férias (a 8 de Julho), a CGTP prepara a nova acção de luta, com greves e paralisações de trabalho e manifestações centradas em Lisboa e Porto, para o próximo dia 29.

Entretanto, ontem dirigentes da central participaram, com acções de agitação em vários locais, na Jornada de Acção e Luta convocada a nível mundial pela FSM e que mobilizou, com paralisações, manifestações e outras acções de protesto, muitos milhares de trabalhadores em dezenas de países, designadamente na India, Nepal, Vietnam, Bangladesh, na RPD de Coreia, Palestina, Congo, África do Sul, Grécia, Chipre, País Basco, França, México, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguay e outros, unindo as suas vozes e exigindo que seja o capital e não os trabalhadores a pagar os custos da actual crise do capitalismo.
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Espanha

Para o mesmo dia 29 deste mês, os sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral que, tudo indica, irá registar uma grande adesão, face ao sentimento generalizado de protesto contra as medidas anti-sociais do governo do "socialista" Luís Zapatero, em obediência às directrizes da UE de sacrificar ainda mais os trabalhadores, já a braços com a maior taxa de desemprego da zona euro.

Europa
A Confederação Europeia de Sindicatos, pressionada pela degradação acentuada da situação social em numerosos países europeus, em resultado da nova ofensiva neoliberal comandada pelo FMI de mãos dadas com a Comissão Europeia, tem marcada para o mesmo dia 29 deste mês uma jornada europeia de lutas, convocadas pelas centrais sindicais suas filiadas.
Delegações sindicais de toda a Europa irão marchar nas ruas de Bruxelas para protestar contra as medidas de supressão de direitos e o roubo nos salários. Acções e movimentos de protesto estão previstas, para além das já mencionadas em Portugal e Espanha, na Grécia, em Itália, Letónia, Lituânia, República Checa, em Chipre e na Polónia, contra idênticas medidas de austeridade para quem trabalha, a destruição de direitos conquistados, contra o desemprego, a precariedade do trabalho e as desigualdades sociais que se aprofundam, lançando na miséria milhões de cidadãos europeus.
Conclusão
Deste balanço, embora parcial e incompleto, resulta evidente que se aproxima um novo período de ascenso das lutas dos trabalhadores por toda a Europa. Tornam-se relevantes as novas iniciativas para articular as lutas nacionais - desde já no próximo dia 29 -, visando unificar em todo o continente o protesto, a luta e a resistência dos assalariados no combate à nova vaga neoliberal que o capital internacional tem em desenvolvimento na UE, servido pelos seus fiéis governos de serviço. O sucesso e o êxito dessas propostas de unificação da luta dependem directamente da capacidade organizadora e mobilizadora dos sindicatos em cada país, em cada região, em cada sector de actividade, em cada empresa e local de trabalho. Da estreita ligação dos dirigentes aos trabalhadores por eles representados, da energia e determinação que colocarem na sua actividade de esclarecimento e mobilização, da confiança na capacidade transformadora da luta dos trabalhadores quando unidos e mobilizados, muito vai depender o curso próximo da luta de classes no velho continente, os seus êxitos e sucessos, a sua continuidade e um novo ascenso, por parte dos explorados, a superiores patamares de consciência política de classe . A luta, continua!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Todos à Festa! Viva a Festa do "Avante!"

Revendo o post que aqui foi editado por esta altura do calendário no ano passado, contingências pessoais levam-me a adoptar esta fórmula cómoda: com pequenas alterações/correcções, ele aí fica, seguro de que o seu intencional testemunho e apelo se mantêm plenamente actuais. Por este pequeno "truque", peço-vos que me relevem a falta, nesta fase de ausência de uma maior criatividade.
Uma nova e sempre renovada edição da Festa do "Avante!", grande realização anual dos comunistas portugueses, vai abrir as portas aos seus visitantes, aos trabalhadores e ao povo nesta sexta-feira, 3/Set°, ao fim da tarde, mantendo-se em funcionamento até ao final da noite de domingo. Durante três dias, de novo nesta verdadeira "cidade da fraternidade" e da confiança no futuro se reafirmará a energia revolucionária de um partido comunista que não se entrega e não desiste, que prossegue a luta contra a política de direita dos sucessivos governos de serviço ao grande capital ao longo dos últimos trinta e cinco anos, sempre na defesa dos interesses de classe dos trabalhadores, sempre mantendo a sua fidelidade inquebrantável aos ideais de uma revolução criminosamente interrompida - a Revolução Portuguesa do 25 de Abril de 1974 - no seu já longo e inalterável rumo ao Socialismo.
Constituindo sem margem para dúvidas a maior e mais rica realização político-cultural de massas que se realiza em Portugal, a Festa do "Avante!"espelha as características de um partido operário com as suas capacidades organizadoras e de realização, só possíveis num partido profundamente ligado à classe operária e às massas populares, coerente com a sua condição de partido comunista, partido marxista-leninista.
Visitada em cada um dos seus três dias por muitas dezenas de milhares de pessoas, é uma referência anual no calendário político e festivo de milhares de visitantes que não são militantes do PCP mas que na Festa encontram, ano após ano, um elo de ligação muito sólido, fraternal e solidário, com os comunistas portugueses.
Exposições políticas, debates, espectáculos musicais, exposições de arte, teatro, gastronomia, artesanato, divulgação das ciências, desporto, enfim, praticamente de tudo se encontra na Festa, com stands representativos de todas as regiões do país, com espaços políticos centrais da responsabilidade do C.C. do Partido e um espaço internacional preenchido pelas representações solidárias de mais de quatro dezenas de partidos comunistas, operários e progressistas que, oriundos de todos os continentes, respondem ao convite fraternal do PCP.
Oportunidade anual única de rever camaradas e amigos, ocasião para partilhar experiências e trocar afectos, é costume dizermos que a Festa é o espaço do território português com maior número de manifestações fraternais por metro quadrado!
A todos e a todas, camaradas e amigos que possam ir à Festa, aqui fica o convite. Àqueles que porventura o não possam fazer nesta edição de 2010, por estarem impossibilitados física ou materialmente, ou por estarem demasiado longe, deixo-vos a proposta de prepararem já a vossa presença numa próxima edição, desejavelmente já no próximo ano. A Festa do "Avante!" - e o seu partido, o PCP - vão continuar! Sempre.

domingo, 29 de agosto de 2010

“Os EUA são o maior terrorista do mundo”

No início de mais uma semana de trabalho - incluída a "ponta final" para a Festa do "Avante!" - e de luta, sobretudo para todos aqueles que não se resignam nem se vergam perante as intimidações, as agressões e os crimes praticados em todo o mundo pelo imperialismo estadunidense, aí fica o texto de uma entrevista a Noam Chomsky, publicada há poucos dias e e cujas respostas constituem para todos nós, anti-imperialistas, uma contribuição lúcida e corajosa no nosso combate comum pelo desmascaramento e derrota das manobras e agressões imperiais neste nosso século XXI, mil seiscentos e quinze anos após o fim de um outro império que a Humanidade conheceu - o romano -, incomparavelmente menos funesto e criminoso que o actual.


"20.08.2010 - Noam Abraham Chomsky, intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Falou com exclusividade para Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com, em 21 de Julho de 2010.
O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.
Noam Abraham Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem duvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.
Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.
Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.
Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.

Que significado tem para o senhor esta homenagem?
Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.

Seus três filhos sabem da homenagem?

Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.

Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?

Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.

Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.

É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.

Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado ‘Guerra ou Paz no Oriente Médio?

É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?

Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?

Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.

Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?

Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.

Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?

Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.

O que acontecerá com o Irã?

Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.

O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.

Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.

Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?

É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.

A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?

Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo”.

A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente, também recebia ajuda militar.

O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo académico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.

Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?

Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.

Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?

Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, sequestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.

Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?

A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.

A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?

Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.

O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína."


Fonte: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em http://www.semana.com/noticias-mundo/parte-colombia-robada-roosevelt/142043.aspx
Traduzido e publicado por IELA - Instituto de Estudos Latino-Americanos (http://www.iela.ufsc.br/)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma candidatura e um candidato para os trabalhadores e democratas portugueses

Assinalando a decisão do Comité Central do PCP, ao anunciar a candidatura proposta pelo Partido às eleições presidenciais que irão decorrer em Janeiro/2011, aqui se considera oportuno transcrever um importante excerto da declaração do candidato comunista, Francisco Lopes, membro da C.Política e do Secretariado, ao explicar as razões e objectivos deste novo combate político-eleitoral dos comunistas portugueses.
"Com a decisão hoje assumida e tornada pública sobre a candidatura do PCP às eleições presidenciais, damos expressão a uma intervenção política indispensável à afirmação de um projecto essencial para o presente e para o futuro de Portugal.
Sobre o nosso País pesam a influência negativa decorrente da natureza do capitalismo, dos objectivos e rumo da União Europeia após quase 25 anos de integração e de 34 anos de política de direita e abdicação nacional realizada por sucessivos governos, em desrespeito da Constituição da República Portuguesa, com o apoio ou cumplicidade da Presidência da República.
As consequências estão à vista. Portugal é hoje um país mais injusto, mais desigual e mais dependente. O desemprego, a precariedade, a exploração, a pobreza e as dificuldades de muitos milhões de portugueses contrastam com a corrupção, a acumulação de riqueza e a opulência de alguns. É um país marcado por um processo de declínio nacional, de descaracterização do regime democrático e de amputação da soberania e independência nacionais.
Não aceitamos esse rumo. Recusamos o desaproveitamento das potencialidades existentes, não aceitamos o comprometimento do futuro do País. Portugal não é um país pobre. Portugal pode ser melhor, mais desenvolvido e mais justo. Para isso exige-se a ruptura com a política de direita e a opção de um novo rumo para o País.
Um novo rumo, assente numa política patriótica e de esquerda, vinculada aos valores de Abril, capaz de realizar os direitos e as aspirações dos trabalhadores e do povo, de assegurar o desenvolvimento económico e o progresso social e afirmar a identidade cultural, a soberania e independência nacionais.
Um rumo de reforço do aparelho produtivo e da produção nacional, de criação de emprego com direitos, de aumento dos salários e das pensões, de defesa dos direitos sociais, de garantia de um sector público forte e determinante, de apoio às PME, ao mundo rural e às pequenas e médias explorações agrícolas de defesa dos serviços públicos, das funções sociais do Estado, na saúde, na educação, na segurança social, na defesa do meio ambiente e de promoção e valorização da cultura.
Um rumo em que o Estado esteja ao serviço do desenvolvimento, com uma Administração Pública eficiente, uma segurança interna para garantir a tranquilidade e os direitos das populações, uma justiça célere e eficaz, uma defesa nacional e relações externas assentes nos princípios da soberania nacional, da cooperação e da paz.
Um rumo que promova a ruptura com a natureza do processo de integração europeia, com a postura de submissão ao imperialismo e à NATO e contribua para um mundo mais justo, onde sejam afirmados os direitos dos trabalhadores e dos povos.
Este caminho é possível e está nas mãos do povo português, com a sua opinião, a sua participação, a sua luta e o seu voto.(...)

domingo, 22 de agosto de 2010

Uma visita a Gerardo na prisão

A permanência nas prisões do imperialismo estadunidense dos Cinco patriotas cubanos, julgados e condenados numa odiosa e colossal farsa da justiça ianque - e vítimas de uma das maiores canalhices que o governo e o sistema judiciário dos EUA consumaram de entre as inúmeras praticadas no seu território, ao longo da sua história recente, contra cidadãos nacionais ou estrangeiros -, constitui um grito vigoroso que clama justiça pelos quatro cantos do planeta e mobiliza a opinião de milhões de seres humanos que assistem à perpetuação deste autêntico crime jurídico, seja à luz do direito internacional, seja sob a observação das próprias leis estadunidenses.

Os Cinco Cubanos, pagando um pesadíssimo preço pelo seu patriotismo e indefectível dignidade revolucionária, são um luminoso farol que vai iluminando o carácter terrorista da política imperial dos EUA, num desmascaramento vigoroso das suas características desumanas.

O relato emocionante desta visita na prisão a um dos Cinco Cubanos, Gerardo Hernández, visitado pela irmã e por dois corajosos activistas (verdadeiros) dos direitos humanos, os norte-americanos Danny Glover, actor cinematográfico consagrado e Saul Landau, jornalista, professor da California State University e membro do Instituto de Estudos Políticos, é um testemunho muito forte da solidariedade que liga indissoluvelmente seres tão diversos, oriundos de universos geográficos e pessoais tão distintos e que, não obstante, se sentem irmanados pelos mesmos ideais democráticos e aspirações a um mundo novo.
Já publicado por outros blogs, aqui fica também transcrito este relato, profundamente humanista e capaz de renovar em nós a convicção na certeza de um destino mais justo e esperançoso para a Humanidade.
Do aeroporto de Ontário, Califórnia - a cerca de 100 quilómetros a leste do centro de Los Angeles - dirigimo-nos para o norte, pela Rodovia 15, a estrada que leva a Las Vegas. Carros com torcedores aficionados e grandes caminhões, para cima e para baixo, através das montanhas, onde se encontram Los Angeles e a Floresta Nacional de San Bernardino.
Para o leste está o deserto, 1.200 metros acima do nível do mar. Entre zimbros, árvores de Josué e artemisas, ao longo da rodovia. Fomos a um centro comercial, onde pegamos Chavela, irmã mais velha de Gerardo.
Passamos por lanchonetes de redes de fast food e salões de beleza, casas de tatuagem, postos de gasolina e mini-centros comerciais (um passeio pela cultura norte-americana), em direcção ao oeste e logo ao norte, pela 395, até chegar ao complexo penitenciário Federal, uma prisão de alta segurança de 192.000 metros quadrados, construído há seis anos (com um custo de US$ 101,4 milhões de dólares), destinada a enjaular 960 reclusos.
Na sala de visitantes, pintado de um cinza institucional, um guarda entrega-nos formulários numerados, aponta com a cabeça um livro e olha para um monte de canetas. Nós preenchemos e devolvemos o formulário, assinamos e sentamo-nos naquela sala cinza com outros visitantes - todos negros e latinos.
Esperamos por vinte minutos. Um guarda menciona o nosso número. Esvaziamos os bolsos, excepto o dinheiro. Passamos por um detector de metais, ao estilo dos aeroportos. Recolhemos os nossos cintos e entregamos. Uma guarda revista-nos com óculos de raios-X e estendemos os nossos braços para entregar a outro guarda as nossas identificações. Duas mulheres negras e um casal de idosos latinos recebem o mesmo tratamento. Trocamos sorrisos nervosos, hóspedes em terra estranha.
Ele passa as nossas identificações, por uma abertura, para outra sala, que vemos através de uma janela de vidros grossos. Ali, um guarda verifica os documentos e pressione os botões para abrir uma porta de metal pesado. O grupo entra num corredor exterior. O sol ofuscante do meio da manhã e o calor do deserto golpeiam os nossos corpos, depois de termos permanecido no ar-condicionado. Esperamos. Um guarda fala através de uma pequena fenda na porta do prédio, que alberga os presos. De cada lado, torres com guardas armados, uma rede de arame farpado cobre o topo das paredes de concreto.
Esperamos. Passamos calor. Em seguida, entramos em outro quarto com ar condicionado e, finalmente, abre-se a porta e passamos para a sala de visitas. Um guarda assinala-nos uma mesa de plástico pequena, rodeada por três cadeiras de plástico barato, por um lado (para nós) e outra para o Gerardo. Meninos afro-americanos e latinos trocam o seu lugar pelo colo dos seus pais; enquanto os pais, em uniformes caqui, conversam com as suas esposas.
Chavela vê-0 de longe - 20 minutos mais tarde - quando ele, sorrindo, avança vivamente através da sala. Quase em lágrimas, Chavela diz: "Ele perdeu peso". Parece ter o mesmo peso de quando (Saul Landau) o viu na primavera. Gerardo abraça e beija a sua irmã, depois abraça Saul e Danny. Graças aos seus esforços, foi libertado da "solitária", onde passou 13 dias no final de Julho e início de Agosto.
Gerardo informa-nos que dois agentes do FBI - que investigam um incidente não relacionado com o caso dos Cinco - o interrogaram na prisão. Logo em seguida, as autoridades prisionais jogaram Gerardo no buraco, ainda que não houvesse nenhuma prova, lógica ou senso comum que pudesse implicá-lo ao suposto incidente. A temperatura da solitária chegava perto dos 40 graus. "Eu tive que jogar na minha cabeça a água que me davam para beber", disse-nos Gerardo. "Não me ajudaram com a minha pressão arterial elevada. Eu nem sequer podia tomar a minha medicação. Acredito que me soltaram graças aos milhares de telefonemas e cartas de pessoas do mundo inteiro".
Chavela amontoava comida rápida em cima da mesa - a única que havia nas máquinas de venda automática. Mordiscávamos compulsivamente, enquanto Gerardo nos contava acerca da sua vida numa caixa de suor, por quase duas semanas. "Não há circulação de ar", riu, como dizendo: "Não era para tanto".
Nós falamos sobre Cuba. Ele estava em dia com as notícias, através da leitura, TV e visitantes, que lhe informam. Ele sentiu-se encorajado pelas medidas tomadas pelo presidente Raúl Castro para enfrentar a crise. Na televisão da prisão, viu parte do discurso de Fidel e as perguntas e respostas, na reunião da Assembleia Nacional. "Eu vi Adriana (sua esposa) presente na plateia". Seu sorriso desapareceu. "É doloroso. Ela tem 40 anos e eu 45. Não há muito tempo para formamos uma família. Os Estados Unidos nem sequer concedem um visto para que ela me visite. Ela comportou-se com grande coragem e dignidade durante toda esta provação".
Gerardo Hernández, um dos Cinco Cubanos, cumpre duas sentenças de prisão perpétua por conspiração para espionagem e cumplicidade em assassinato. No julgamento em Miami, os promotores não apresentaram quaisquer indícios de espionagem. A acusação de suposta cumplicidade com a derrubada do avião dos chamados "Hermanos al Rescate" - por MIGs cubanos, em fevereiro de 1996 - também não se comprovou, dado que nenhuma evidência foi apresentada de que Gerardo houvesse mandado informações acerca do voo para as autoridades cubanas - o que, de fato, não fez. A acusação também pressupôs que ele sabia das ordens secretas do governo cubano para derrubá-los, o que não é verdade.
Os cinco homens monitoravam e informavam acerca dos terroristas cubanos exilados em Miami, que tinham planos de sabotagem e assassinatos em Cuba. Cuba compartilhou essas informações com o FBI. Larry Wilkerson (coronel do Exército aposentado e ex-chefe de gabinete do secretário de Estado, Colin Powell), comparou a possibilidade dos Cinco serem julgados de forma imparcial e justa, em Miami, com "as chances de um israelense acusado obter justiça em Teerã".
Bebemos chá gelado engarrafado, doce demais. Chavela trouxe mais batatas fritas.
Gerardo reanimou o ambiente contando um incidente ocorrido na década de 1980, quando era tenente em Cabinda, Angola, escoltando oficiais cubanos a um jantar com importantes soviéticos, que se encontravam em visita. "Eu disse ao meu coronel, que tinha memorizado um pequeno poema de Mayakovsky, em russo (dos seus dias de estudante) e poderia recitá-lo para os oficiais soviéticos".
Ele recitou o poema em russo. Todos o aplaudiram. Ele sorriu. "Eles estavam assando um porco e tinham garrafas de bebida, era uma festa".
"Eu recitei o poema. O coronel soviético abraçou-me, beijou-me em ambas as faces, muito animado. Eu tive que repetir o meu desempenho para os outros oficiais. Finalmente, o coronel cubano disse-me que eu já havia aproveitado bem a situação e eu me mandei".
Duas horas se passaram rapidamente. Esperamos os guardas nos chamem. Gerardo ficou de pé. Nós distanciamo-nos. Gerardo, junto com outro prisioneiro, próximo a porta da cela. Saudamos com um aceno. Ele respondeu de igual maneira. A irmã dele, soprou-lhe um beijo. Ele abriu um largo sorriso, tranquilizador, como que lembrando-nos: "Mantenham-se firmes".
Fonte: PROGRESO SEMANAL

Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Vai-se fechando o círculo da verdade sobre a grande conspiração imperialista do século

Os Documentos da Wikileaks


Vários aspectos relevantes ressaltam do conteúdo dos mais de 91 mil documentos secretos, divulgados no passado dia 25/7, pelo site “Wikileaks” e relacionados com o dia-a-dia da guerra nos últimos anos (de Janeiro de 2004 até Dezembro de 2009), conduzida pela dupla EUA/Nato no Afeganistão.

Com interesse directamente militar e geo-estratégico, estes relatórios secretos do exército estadunidense ocupante revelam um grande crescimento da força e do apoio das populações afegãs à resistência dos talibãs, dificuldades e falhas na condução das acções no terreno, utilização pela resistência de mísseis detectores de calor, tipo “Stinger” (responsáveis pelo abate de helicópteros CH-47), há queixas dos próprios militares dos EUA e boa parte do material divulgado também apresenta queixas de funcionários e de civis afegãos, acusando de corrupção agentes e membros do governo. Enfim, há reclamações sobre tropas mal equipadas, autoridades corruptas e sobre tropas americanas que parecem aguardar mais homens e mais recursos para lutar. Os documentos também sublinham que as numerosas e constantes mortes de civis, causadas pelos já clássicos “efeitos colaterais”, alienaram o apoio inicial de muitos dos afegãos a esta guerra.
Todos estes problemas evidenciados nos relatórios - um talibã resistente, bem apoiado logísticamente e com armas sofisticadas, os problemas de fronteira com o Paquistão e um governo ineficiente e corrupto - são apontados como as principais causas das dificuldades dos militares norte-americanos no terreno, que também reclamam estarem envolvidos numa guerra muito dura e sem os recursos suficientes, etc, etc. Isto é, estes documentos, na sua crueza operacional, relatam como a guerra está a ser perdida pelos agressores ocupantes, mesmo quando estes já estão recorrendo a unidades militares comandos, especialmente constituídas para sequestrar e executar, sem prisão ou direito a julgamento, de forma descaracterizada e clandestina, os dirigentes locais da resistência ou quem eles entendem que o são, actuando como vulgares “esquadrões da morte”.
Mas esta documentação, “vazada” numa das maiores fugas de informação classificada da história do exército americano em combate, menciona também um outro aspecto desta guerra, mais de carácter político e diplomático/serviços de inteligência que merece uma análise atenta, pelas “pontes” que estabelece com toda a história política daquela região do mundo e, mais relevante ainda, pela clara ligação que estabelece com a estratégia global do terror, concebida e dirigida pelo imperialismo nos últimos nove anos. Trata-se daquilo que os autores dos relatórios consideram ser o apoio de tropas do Paquistão aos rebeldes no território do Afeganistão, sugerindo que o serviço de espionagem do Paquistão pode estar ajudando os talibãs a planear e a realizar ataques contra as forças da “coligação ocidental” naquele país.
Alguns relatórios apontam também a cooperação dos paquistaneses com a organização terrorista Al-Qaeda, embora oficiais da inteligência americana digam – como, no imediato, lhes convém dizerem - que há alguns anos o Paquistão cortou o contacto com os grupos talibãs. O material, porém, sugere – com nomes e pormenores - que a direcção do Inter Serviços de Inteligência paquistanesa, conhecido também como ISI, pode ter realmente ajudado os rebeldes. Os documentos detalham várias ocasiões de cooperação no passado entre o general Hamid Gul, chefe do ISI e os fundamentalistas afegãos, no fim da década de 80, quando estes lutavam contra os militares soviéticos nas regiões montanhosas do leste do país. Segundo essas informações, à época o general auxiliava combatentes mujaheddins e tentava estabelecer contacto com Gulbuddin Hekmatyar e Jalaluddin Haqqani, dois dos maiores líderes insurgentes do Afeganistão. Além dos últimos dois, Gul também fez contactos directos com Mohammed Omar, actual líder do Taliban.
A imprensa estadunidense, particularmente o “N.Y.Times”, vem sublinhando estas partes dos documentos divulgados pelo “Wikileaks”, para enfatizar a tese da actual colaboração dos serviços secretos e militares paquistaneses com os talibãs afegãos. Mas toda a “história” é bem mais vasta e comprometedora, envolvendo directamente os serviços secretos dos EUA nas actividades dos seus congéneres paquistaneses. Vale a pena recordar alguns factos, hoje ignorados pelos meios de imprensa dominantes.


O papel do Paquistão


A história do Paquistão, desde a sua artificial criação pelo colonialismo imperialista britânico em 1947, tem sido uma sucessão de regimes autoritários e ditatoriais militares, entremeados por alguns curtos períodos de regimes civis e constitucionais, configurando um Estado de maioria muçulmana que sempre se afirmou como gendarme dos interesses das potências imperialistas na região, logo desde início contra a vizinha Índia, país que durante muitos anos desempenhou um papel destacado no Movimento dos Países Não-Alinhados. Por esta razão os militares paquistaneses - “forma(ta)dos” nas escolas militares norte-americanas – obtiveram mais tarde acesso ao armamento nuclear, numa ameaça constante contra outros países asiáticos e com um historial de guerras e escaramuças quase constantes contra os indianos, em torno do problema da disputa sobre Caxemira, uma autêntica bomba-relógio deixada pelos britânicos propositadamente nas mãos dos dois países contendores. É também consequência de linhas de fronteira fictícias, arbitrariamente traçadas pelos colonialistas ingleses, a existência constante de divisões e conflitos de origem étnica-tribal, conflitos que acabaram por conduzir à secessão do Bangladesh, após uma nova guerra (a terceira) contra a Índia, em 1971 e depois de uma prolongada guerra civil que vitimou centenas de milhares de oposicionistas dos dois lados – partes Oriental e Ocidental do Paquistão - do conflito interno.
A derrota militar paquistanesa favoreceu a ascensão ao poder de um civil, Ali Bhutto (1972-77), que desde o início quis realizar um processo de nacionalizações e de reforma agrária – nacionalizou todos os bancos em 1974 -, o que originou um novo golpe militar e a sua prisão e condenação à morte (em 1979), tomando o poder o general Muhammad Zia-ul-Haq (1977-88), um homem da confiança dos EUA, não obstante a feroz repressão islamita que ordenou por todo o país. Após mais uma década preenchida por curtos períodos “democráticos”, pontuados pelos governos de Benazir Bhutto, filha do sentenciado Ali Bhutto, um novo golpe dos militares, em 1999, faz ascender ao poder o general Pervez Musharraf (1999-2008). Na sequência do assassinato a tiro de Benazir Bhutto, (Dezembro/2008), candidata (do PPP) às eleições que se realizariam em Janeiro/2009, o período de instabilidade que se seguiu levou à renúncia de Musharraf, sendo este substituído por um novo civil, o actual presidente Asif Ali Zardari (PPP), escolhido numa “eleição” indirecta.

Voltando às revelações dos documentos “vazados”, quanto às referências sobre o envolvimento na década de oitenta do general chefe do ISA na guerra no Afeganistão, tem interesse observarmos a situação entretanto vivida nestes serviços de inteligência paquistaneses. De facto, nessa época foi criada no ISI uma secção especial afegã, sob o comando do coronel Mohammed Yousaf, para super-visionar a coordenação da guerra dos mujahedins contra o regime pró-socialista de Babrak Karmal, que tinha pedido apoio militar à vizinha União Soviética. Um grande número de funcionários do ISI receberam formação nos EUA e muitos especialistas da CIA foram anexados ao ISI para guiá-lo em suas operações contra as tropas soviéticas do Afeganistão, usando e manipulando os mujahedins. O mencionado general Hamid Gul, que trabalhou estreitamente com a CIA no período mencionado (88/89), foi substituído em 1991, durante o governo de Benazir Bhutto, pelo general Shamsur Kallu, como chefe do ISI.
Sucederam-se à frente do poderoso serviço secreto paquistanês outros generais - num total de dez (!), com um tempo médio na função inferior a dois anos... - numa cadência que acompanha as sucessivas perturbações políticas e trocas de facções no poder, confirmando o carácter da permanente conspiração interna vivida no país. Com os sucessivos chefes do regime militar paquistanês designando generais de sua confiança para dirigirem o ISI, mas todos eles sempre umbilicalmente ligados à diplomacia e aos serviços secretos estadunidenses. Actualmente (desde Setembro de 2008), chefia estes serviços o general Ahmed Shuja Pasha, um indivíduo que oficiais da inteligência indiana acusaram na época de estar por detrás da organização da operação terrorista que, em 26 de Novembro/2008, concretizou ataques a sete alvos específicos em Mumbai.
Este emaranhado novelo conspirativo, envolvendo a ligação e cooperação constantes entre as secretas norte-americana e paquistanesa - ligações nas quais o papel de comando pertence sempre à CIA -, preenche milhares e milhares de páginas na imprensa e na net, com relatos, investigações jornalísticas e também materiais de contra-informação, envolvendo empresas privadas de segurança, empresas de mercenários, negócios de armas e de drogas, tornando a tarefa de os interpretar um autêntico trabalho de Sísifo, uma tarefa nunca concluída, uma pesquisa nunca inteiramente aclarada.



“Ligações (muito!) Perigosas”(e significativas)


Entretanto, importa agora focarmos a atenção sobre o período de Out./99 a Out./2001, no qual entra em cena uma personagem central na permanente articulação entre a CIA estadunidense e o ISI paquistanês para as missões operacionais e a quem será cometida uma missão muito especial: o general Mahmud Ahmed. Ele que, juntamente com outros generais, garantiu o êxito do golpe de Estado (12 de Outubro/1999) que derrubou o governo eleito de Nawaz Sharif e entregou o poder ao general Pervez Musharraf, que imediatamente a seguir o designou como o novo chefe do ISI. Dois anos depois, antes de ser “oportunamente” substituído (em Out./2001), este general "amigo" irá a desempenhar um papel central na “Operação 11 de Setembro”.

Durante toda aquela semana do 11 de Setembro de 2001, Mahmud Ahmed está em Washington, onde tem encontros com diversas individualidades do governo de George Bush: no Departamento de Estado, com Stephen Hadley (ou mesmo Condolencia Rice); com membros do Conselho Nacional de Segurança; com Peter Rodman, membro do PNAC e ex-assistente de Henry Kissinger; com o Director do DIA ( na época - o Vice-Almirante Thomas R. Wilson); com o senador Bob Graham e com o congressista Porter Goss (três anos mais tarde nomeado Director da CIA, o primeiro a ser nomeado após a assinatura do Intelligence Reform and Terrorism Prevention Act) - estes dois personagens (muito curiosamente!), irão encabeçar a Comissão Conjunta de Investigação 11/S; com o general Tommy Franks, comandante da CENTCOM; e ainda, por teleconferência, com Paul Wolfowtiz , membro do PNAC e secretário da Defesa; com Douglas Feith; com Peter Flory, secretário para os Assuntos Segurança International; com o capitão Paul Hulley, secretário para os Assuntos do Oriente Médio e Sul da Ásia; com um representante do SOLIC (Special Operations & Low Intensity Conflict); com outro representante da Junta de Chefes do Estado-Maior. É caso para dizer que muito importante era a sua tarefa, para se encontrar com tanta gente e tão graúda!

Segundo outros relatórios independentes, no âmbito de investigações que mobilizaram numerosas personalidades democráticas norte-americanas – jornalistas, académicos, cientistas, entidades dos movimentos pacifistas, etc – apuraram-se factos reveladores da ligação deste chefe dos serviços secretos do Paquistão com os alegados autores do sequestro e embate das aeronaves com as torres gémeas de Nova Iorque naquela data. Com efeito, ficou estabelecido que, sob as ordens do general Mahmud Ahmed, um cidadão britânico nascido paquistanês e conhecido terrorista, chamado Ahmed Umar Sheikh, enviou 100.000 dólares do Paquistão para uma conta bancária nos EUA, em nome de Mohammed Atta, nome propagandeado pelo governo de George Bush como sendo o do sequestrador e terrorista cabecilha da acção, membro da Al Qaeda e cumprindo as ordens do seu líder, Osama bin Laden.
Menos de um mês depois da operação nas torres gémeas (7/Out/2001), tem início a invasão do Afeganistão, liderada pelos Estados Unidos e à revelia das Nações Unidas que não autorizaram a invasão do país. O objetivo declarado da invasão, segundo a propaganda imperialista, era encontrar Osama bin Laden e outros membros da Al Qaeda e, de caminho, destruir toda a precária organização política existente e remover do poder o regime talibã, regime que alegadamente lhes dera apoio para realizarem os atentados em Nova Iorque, garantindo assim a instalação no poder de um presidente fantoche às ordens.



Uma colossal mistificação "Bin-Ladiana"


Detenhamo-nos agora um pouco sobre estas duas entidades, hoje irreais e fantasmáticas, utilizadas até à exaustão nas linhas de intervenção ideológica que o imperialismo promove junto da opinião pública mundial, através da grande imprensa que controla, de filmatografia “subsidiada” e de livros e publicações sobre as mais variadas temáticas sociais (políticas, sociológicas, culturais, etc), encomendadas a universitários que “subsidia” generosamente. Vejamos, por comodidade, o que se pode ler numa rápida pesquisa na Wikipédia, sobre a Al Qaeda:

“A Al-Qaeda (a base) é uma organização terrorista que pretende eliminar a influência ocidental nos países muçulmanos para no seu lugar instalar uma sociedade baseada no fundamentalismo islâmico. Nesse sentido incita a uma jihad (guerra santa) global para derrubar regimes de países de população predominante árabe ou muçulmana que considera corruptos ou anti-islâmicos. O objectivo é criar uma nação única muçulmana regida pela sharia (a lei islâmica). Países como os Estados Unidos da América são considerados inimigos porque impedem a criação da nação muçulmana ao tornarem-se aliados de governos considerados corruptos”.


Sobre Osama bin Laden, milionário e filho de Muhammed Awad bin Laden, o homem considerado o mais rico da Arábia Saudita (depois do rei!) e cuja família, em razão de negócios comuns na área do petróleo, se tornou visitante e amiga chegada da família Bush-pai [deste, lembremos: ex-director da CIA (1976/77), vice de Ronald Reagan (1981/89) e presidente dos EUA (1999/1993)], também podemos ler:


“(...) um saudita que viria a ser o líder da organização, foi um dos muitos muçulmanos deslocados para o Afeganistão para combater os invasores soviéticos. Ele próprio se auto-designou líder da jihad, tendo coordenado o grupo que orientava as brigadas muçulmanas internacionais que combatiam no Afeganistão.Em 1989, ano em que os soviéticos retiraram do Afeganistão, Bin Laden formou a Al-Qaeda, rodeado por combatentes afegãos mujaedines. Nesse mesmo ano, regressou à Arábia Saudita, onde em 1991 se opôs à presença das tropas norte-americanas durante a guerra do Golfo. Em Abril desse ano mudou-se para o Paquistão, de onde passou em 1992 para o Sudão, uma nação que seguia à risca o islamismo. Até 1996, Bin Laden, suportado pela sua imensa fortuna pessoal, formou uma enorme rede terrorista internacional, com células e elementos em cerca de 45 países (sic!).”


As duas citações são suficientes para ficar estabelecida a imagem da “organização” e do seu "chefe" bem como as suas "incomensuráveis" e omnipresentes capacidades. Ou seja, um capitalista milionário saudita e a sua nóvel "organização terrorista" passam a ser considerados, por um passe de prestidigitação, as mais relevantes entidades do “Eixo do Mal” papagueado pelos propagandistas estadunidenses; seguido por um grupo de 100/200 fiéis (os números diferem, segundo as “fontes”...), Osama bin Laden passa a autor e responsável por inúmeros atentados e acções terroristas em dezenas de países, conseguindo até essa suprema qualidade de ser responsabilizado com efeitos retroactivos aos acontecimentos do 11/Setembro! Observemos essa extensa lista, mesmo que incompleta, divulgada em sítios "informativos" da net e ordenada cronologicamente:


-já no início da década de 80, ainda quando estabelecido no Sudão, financiou, de forma inicialmente discreta, algumas acções na Argélia e no Egipto.


-Depois, mudando-se para Peshavar (na região noroeste do Paquistão), surge como líder dos mujaedins que no Afeganistão promovem a subversão do regime pró-socialista de Babrak Karmal. Em 1984, já se encontra no Afeganistão, num acampamento de militantes fundamentalistas.


-O primeiro atentado bombista de que é acusado foi a 29 de dezembro de 1992, um ataque ao Mihor Gold Hotel, em Aden, no qual duas pessoas foram mortas.


-Em 1995, é acusado de um atentado mal sucedido contra a vida do presidente do Egipto, Hosni Mubarak.
-Bin Laden está por detrás e financia o massacre de Luxor, em 17 novembro de 1997, que matou 62 civis.


-A partir do Afeganistão (!?), em 7 de Agosto de 1998, a Al Qaeda é acusada de utilizar carros-bomba para explodir duas embaixadas estadunidenses, uma no Quénia e outra na Tanzânia, matando no total 256 pessoas e ferindo 5100 pessoas.


-Em dezembro de 1998, o director da CIA informa o presidente que a Al-Qaeda estava preparando-se para ataques no EUA, incluindo o treinamento de pessoal para (atenção!)sequestrar aviões.


-Em 12 de Outubro de 2000, a Osama/Al Qaeda volta a "entrar em cena", perpetrando outro ataque de grande repercussão, agora contra o navio da marinha americana USS Cole, que se encontrava atracado para reabastecimento no porto de Aden, no Iémene. O ataque provocou a morte de 17 militares americanos, além dos dois terroristas suicidas. Ao ser apontado - no mesmo dia! - pelo governo dos EUA (e depois pelos governos do Quénia e Tanzânia) como o principal suspeito, Osama bin Laden tornou-se o terrorista mais procurado pelos Estados Unidos da América.

Curiosamente (ou talvez nem tanto), um ano depois - forte e livre como um pássaro! - voltaria a ocupar a ribalta, agora acusado de ser o responsável pelo "11/S". Imediatamente a seguir, funcionários do governo EUA, nomeando Osama bin Laden e a Al-Qaeda como os principais suspeitos, oferecem uma recompensa de US $ 25 milhões por informações que levem à sua captura ou morte. Em 13 de julho 2007, este número foi dobrado para US $ 50 milhões! Mesmo com tanta "massa" prometida, ninguém o apanha...


-No final de 2000, Richard Clarke (Conselho Nacional de Segurança/EUA) revelou que Osama bin Laden tinha planeado um ataque triplo (sic) em 3 de Janeiro de 2000 , que incluia atentados na Jordânia, ao Radisson SAS Hotel, em Amã, contra turistas no monte Nebo (Jordânia), o afundamento do destróier USS The Sullivans, no Iémene, assim como um ataque contra um alvo (indeterminado...) dentro dos Estados Unidos. O plano foi frustrado pela prisão do terrorista jordano Ahmed Ressam e naufrágio do bote cheio de explosivos destinados ao atentado (muito boa...!).

-Até nos Balcãs: um ex-funcionário do Departamento de Estado, em Outubro de 2001, informa que Bósnia e Herzegovina como um refúgio seguro para os terroristas, após ter sido revelado que elementos militantes do antigo governo de Sarajevo estavam protegendo extremistas, alguns com vínculos com Osama bin Laden...

Isto é, a partir de 2001 e desde então praticamente todos os anos - não obstante outras notícias, testemunhos e análises, que sustentam que Osama bin Laden está morto e enterrado - vão surgindo sempre "informações", artigos, relatos que continuam a atribuir-lhe mais atentados, mais acções terroristas em mais países, na Europa, no Médio-Oriente, em África, no Extremo-Oriente:

-Um esquema para atacar a Embaixada de Paris, que foi descoberto;

-uma tentativa de atentado de um homem com um sapato-bomba, Richard Reid, que se auto- proclamou um seguidor de Osama bin Laden e quase destruiu (?!) o vôo 63 da American Airlines.
-Um esquema para atacar as embaixadas de Singapura;
-O sequestro e assassinato do repórter Daniel Pearl do Wall Street Journal e várias explosões no Paquistão;
-O atentado à sinagoga de El Ghriba em Djerba, Tunísia, que matou 21 pessoas;
-Ataques frustrados às esquadras ocidentais no Estreito de Gibraltar;
-O atentado ao tanque Limburg (?);
-Um carro bomba keniano em Mombassa, Kenia, e a tentativa de abater um avião israelense, em Novembro de 2002;
-As explosões simultâneas em Riyadh, em Maio de 2003 e outros atentados na Arábia Saudita;
-As explosões em Istambul, Turquia, em 2003.
-A Al-Qaeda, em colaboração com extremistas indonésios, é responsável por atentados em Bali , em Outubro de 2002 e de novo em 2005.
-Os atentados a trens urbanos de Madrid, em 11 de março de 2004, segundo um jornal de Londres que relatou ter recebido um e-mail de um grupo afiliado à Al-Qaeda, assumindo a responsabilidade(?!)
-As explosões de 7 de Julho de 2005, em Londres, porque um grupo até aí desconhecido e denominado "A Organização Secreta da Al-Qaeda na Europa" (esta, está muito boa!) fez uma declaração responsabilizando-se(...?!)

-Os atentados de Sharm el-Sheikh, no Egito, em 23 de Julho de 2005, nos quais uma série de carros bombas mataram cerca de 90 pessoas e feriram mais de 150.
-Os três atentados simultâneos, em 9 de Novembro de 2005 em Amã, Jordânia, que ocorreram em hotéis norte-americanos, matando pelo menos 57 e feriram 120 pessoas.

Mas o homem não se fica por aqui; passa a aparecer em vídeos e através de "comunicados", ameaçadores uns, negociais outros... Vejamos algumas destas "aparições".

-2006
19 de Janeiro: Bin Laden ameaça os Estados Unidos com novos atentados e afirma que há operações em preparação no seu solo, mas também oferece uma "trégua de longa duração" ao povo americano (gravação áudio).
30 de Junho - Bin Laden exige ao presidente americano George Bush que entregue o corpo de Abu Musab Zarqawi, morto num bombardeio americano, à sua família e promete que a "Jihad" no Iraque continuará, mesmo sem ele (gravação áudio).
2007
15 de Julho - Bin Laden faz um elogio aos mártires, declarando: "Feliz aquele que foi escolhido por Alá para ser um mártir" (vídeo, cuja data não foi determinada)

2008
16 de Maio - Bin Laden apelou à continuação da luta contra os israelitas e os seus aliados e a que os muçulmanos não desistam do território palestiniano. Segundo noticia a Reuters, a mensagem áudio, de dez minutos, foi difundida pela internet, num site islamita, e é atribuída ao líder do grupo terrorista al-Qaeda...

Para procurarmos fechar "com chave d'ouro" estas "informações", evidentemente dignas de todo o crédito, já no corrente ano o FBI divulgou uma imagem que seria a representação imaginada da aparência de Bin Laden na actualidade. Descobriu-se, entretanto que se tratava da manipulação de uma fotografia do político espanhol Gaspar Llamazares (coitado dele!), dirigente da I.U..

Mais recentemente - com propósitos demasiadamente óbvios...! - , surgiu outra "informação", esta dos serviços da Mossad israelense: segundo os serviços da inteligência israelita, Osama Bin Laden não esteve escondido na região fronteiriça entre o Afeganistão e o Paquistão como comumente se acreditava, mas numa região remota do Irão, já faz cinco anos.
E, segundo a "notícia", a inteligência turca supostamente sabia que o líder da Al- Qaeda estava morando em Savzevar, uma cidade nas montanhas e que Ayman al-Zawahiri está declaradamente com ele. Desta forma - tão "inteligente" e tão "credível"! -, Israel está a tentar convencer o governo dos Estados Unidos (!?!!) que a Al- Qaeda está ligado ao governo iraniano e que foi Teerão que esteve abrigando um dos mais procurados terroristas (de todos os tempos, ámen!)
Mas nesta enorme mistificação, planeada e dirigida pelos serviços secretos estadunidenses e amplificada pelos canais comunicacionais ao serviço do imperialismo, precavendo-se os seus autores talvez para um próximo capítulo, no qual já não lhes seja possível manter vivo o mito "Osama bin Laden", já preparam um sucessor. No passado dia 6/8, surgiu a "notícia":
"O grupo terrorista Al Qaeda tem um líder emergente, que já está sendo apontado como o provável sucessor de Osama Bin Laden. E o que é pior, Anwar al-Awlaki nasceu nos Estados Unidos (no estado do Novo México) e exerce grande influência nos seus jovens interlocutores. Segundo a rede de televisão CNN, que transmitiu um programa sobre a nova estrela da facção, com base em fontes de investigação do próprio governo americano, Anwar tem usado seu inglês fluente e sua capacidade de persuasão para inspirar futuros terroristas também no Ocidente." (fim de citação...)
Terminemos por aqui esta já longa digressão sobre as fantásticas pantominices que vão dando lastro para prosseguirem, em toda a comunicação "social" dominante, com a pressão ideológica das teses do Terror e do Terrorismo, um autêntico filão da propaganda imperialista, usado até à exaustão, até à nausea, como temos visto. Então, observemos agora e mais concretamente os objectivos de toda esta "história" - aliás, pessimamente contada - , os seus reais autores, bem como os seus planos e propósitos, imediatos e a mais longo prazo.




A Grande Conspiração Imperialista

A grande conspiração imperialista está em marcha, apoiada pela oligarquia financeira transnacional e concretizada pela facção fascista no poder estadunidense, ao serviço do complexo militar-industrial e dos seus tentáculos mafiosos - nas áreas da logística militar, das empresas de segurança, dos grupos económicos de "reconstrução" civil das cidades e áreas devastadas pelos criminosos bombardeamentos dos "aliados ocidentais" EUA/Nato, e, claro, das multinacionais petrolíferas -, uma conspiração em curso desde a grande operação terrorista de Estado, planeada e executada em Nova Iorque, no dia 11 de Setembro de 2001.

Sob o comando de um trio de criminosos que se constituíram no vértice do poder político estadunidense - George Bush, Donald Rumsfeld, Dick Cheney - um vasto plano de liquidação das liberdades e direitos políticos do povo norte-americano foi posto em marcha, após a operação de implosão das duas torres gémeas (que desabam uma a seguir à outra), da implosão do edifício 7, uma estrutura que, tudo o indica, abrigou o comando de operações nesse dia e nos dias anteriores da sua preparação ( um edifício com dezenas de andares e que cai inteiramente em 6 segundos, sem avião, sem incêndio, sem nada!), do arremesso de um míssil sobre uma ala do Pentágono para simular uma outra aeronave (cujos destroços ninguém viu...) e do "despenhamento" de um avião sequestrado, na Pensilvânia, cujo alvo era o Capitólio - o voo 93 que, na verdade, aterrou normalmente no seu aeroporto de destino.
Em paralelo com a supressão dos direitos democráticos mais elementares dos norte-americanos e correspondente montagem de um vasto e tenebroso aparelho de segurança e repressão violenta das liberdades no interior dos EUA - segundo algumas fontes, desde o 11/S e por sua causa, o negócio global das empresas de segurança já atingiu os três trilhões de dólares -, o imperialismo desencadeou uma ofensiva militar sem precedentes quanto à sua envergadura e meios militares envolvidos, atacando, ocupando e ameaçando vários países da Ásia Central: ainda nesse ano, em Out./2001, invade o Afeganistão, e, em Março de 2003, invade e ocupa o Iraque - com a chacina de centenas de milhares de civis iraquianos e a total e deliberada destruição das infra-estruturas do país.

Desde esse autêntico golpe terrorista de Estado em 11/Setembro/2001, data que se tornou crucial nos desenvolvimentos posteriores da História Mundial Contemporânea, o governo dos EUA, apoiado pelos seus aliados - especialmente os integrantes da aliança militar ofensiva, a Nato -, ameaça permanentemente o Irão com uma nova agressão militar, ao mesmo tempo que chantageia o seu "aliado" na região, o Paquistão; faz provocações e ameaças de agressão contra a Coreia do Norte; sustenta uma presença agressiva e conspiratória em outros continentes, particularmente na América Latina e pressiona todos os governos capitalistas a curvarem-se, nos planos diplomático, político, económico-financeiro e militar aos seus ditames imperiais.


Não é propósito deste post desenvolver os contornos práticos do golpe, aliás abundantemente divulgados por numerosas fontes independentes, com entrevistas, com dados técnico-científicos, com depoimentos de personalidades de variadas áreas, com gravações vídeo locais, etc, com uma abundância de pormenores que nos deixa quase estarrecidos perante o impune descaramento da sua deliberada e sistemática ocultação pelos grandes meios de comunicação, tanto os nacionais como os mundiais. Tais aspectos práticos podem ser vistos em materiais editados na net, dos quais é um bom e útil exemplo este editado em: http://video.google.com/videoplay?docid=-2282183016528882906#. Longo (duas horas), com uma larga introdução histórico-filosófica, pela sua qualidade e havendo o tempo disponível necessário, vale bem a pena visioná-lo.
Desde então, já passada quase uma década, os termos "terrorismo", "terroristas", "atentado terrorista", "ameaça terrorista", passaram a ser os jargões mais utilizados pelo linguajar de todo o aparelho mediático global ao serviço do capital imperialista, visando de forma ostensiva a intimidação, a propagação de um sentimento difuso de permanente insegurança, o medo; a criação de um clima de permanente terror, de pânico, que conduza grandes massas populacionais de todos os continentes à sujeição passiva, receosa e resignada, conducentes à aceitação de novas medidas e acções repressivas que, nos EUA, já configuram claramente um contexto político-ideológico neofascista e que, no exterior, o poder imperialista pretende impôr sobre todos os povos do planeta, usando os préstimos dos seus governos burgueses de turno.

Desenterrar a verdade dos factos, soterrada por montanhas de noticiários e artigos mistificatórios tornados "a verdade oficial", e, colocar a nú os objectivos desta tenebrosa conspiração do imperialismo, libertando-a das máscaras e biombos que visam ocultar a realidade dos olhos e das consciências de biliões de seres humanos, não é evidentemente uma tarefa simples e fácil. Mas, entretanto, na renhida e constante batalha das ideias que travamos, todos podemos contribuir para que sejam derrotados os maquiavélicos planos dos criminosos imperialistas e os seus propósitos hediondos de escravização da Humanidade. Um infame sucesso daqueles seus planos corresponderia a um novo período de trevas e de barbárie.

O tempo urge - e as nossas palavras, os nossos gestos, devem corresponder inteiramente à gravidade das ameaças do presente, contribuindo activamente para o desmascaramento e derrota da grande conspiração imperialista deste século.