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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Neste final do Verão, reacendem-se as lutas de classe na Europa

França

Após um natural abrandamento, durante o período das férias do Verão no hemisfério norte, as lutas regressam em força na Europa. Ontem, 7/9, em França, uma greve geral paralisou praticamente o país. Em luta contra os propósitos do governo de Sarkozy de elevar de 60 para 62 anos a idade da reforma, os trabalhadores franceses responderam à convocação dos sindicatos e centrais sindicais, mobilizando dois milhões e meio de grevistas que paralisaram os transportes aéreos, ferroviários e urbanos, escolas, hospitais, outros serviços públicos e muitas empresas em vários sectores de actividade, enquanto eram realizadas vigorosas manifestações em mais de duzentas cidades, com a participação de muitas dezenas de milhares de manifestantes, como em Marselha, Nice, Lion e outras, com a manifestação em Paris a reunir 270 mil manifestantes. Segundo a imprensa, a adesão à luta cresceu desde a última, realizada em Junho, com a posição de luta dos sindicatos apoiada por 60% dos franceses. Os trabalhadores franceses afirmam regressar aos protestos, de novo ainda este mês.
Os deputados comunistas provocaram um incidente, na sessão do parlamento francês que discutiu a proposta de alteração dos sistema de reformas. Os deputados do PCF levantaram-se, dirigiram-se à bancada do Governo e entregaram ao ministro do Trabalho, Eric Woerth, uma petição, com 100 mil assinaturas, exigindo que deixe cair a intenção do governo de mudar a idade de reforma. O presidente do parlamento foi obrigado a suspender a sessão para minutos depois, na reabertura dos trabalhos, o ministro vir "explicar" que a sua proposta não é de esquerda, nem de direita...
Apesar das declarações do governo, visando aparentar firmeza, a luta de ontem pode vir a fazer cair o ministro Woerth, já nvolvido num escândalo de tráfego de influências e fuga ao fisco da herdeira da grande empresa L’Oréal, a tal senhora bondosa que vem fazendo doações milionárias às campanhas eleitorais do xenófobo Sarkozy...
Vale a pena assinalar que a França é o país com a idade da reforma mais baixa da UE: 60 anos. No Reino Unido, Alemanha, Espanha, Holanda, Itália e Grécia, a idade da reforma para os homens é de 65 anos e de 60 para as mulheres, excepção para a Grécia, que é de 62 anos. Em Portugal, com a alteração do governo socialista penalizando as mulheres, a idade da reforma é igual para os dois sexos: 65 anos.

Grã-Bretanha

Depois das recentes grandes lutas dos funcionários públicos, uma greve de 24 horas dos trabalhadores do metro de Londres afectou ontem milhões de passageiros.
A greve começou anteontem (6/9), à tarde, quando os encarregados dos serviços de manutenção abandonaram os seus postos de trabalho, seguidos depois pelos maquinistas e funcionários das estações.
Os trabalhadores protestam contra a perda de 800 postos de trabalho, enquanto a direcção da empresa diz que vai manter 50% do serviço em algumas linhas e 25% noutras, como medida de redução dos gastos, alegação falsa que também recebeu o apoio descarado do poder político londrino...
A empresa teve que colocar autocarros e barcos alternativos para garantir o transporte dos passageiros, mas muitos, como já é habitual, não tiveram outra alternativa que caminhar a pé ou optar pela bicicleta. Esta é a primeira de uma série de greves. Os sindicatos apelam a novas paralisações a 3 de Outubro, 2 e 28 de Novembro.

Portugal

Após a jornada de luta realizada antes de férias (a 8 de Julho), a CGTP prepara a nova acção de luta, com greves e paralisações de trabalho e manifestações centradas em Lisboa e Porto, para o próximo dia 29.

Entretanto, ontem dirigentes da central participaram, com acções de agitação em vários locais, na Jornada de Acção e Luta convocada a nível mundial pela FSM e que mobilizou, com paralisações, manifestações e outras acções de protesto, muitos milhares de trabalhadores em dezenas de países, designadamente na India, Nepal, Vietnam, Bangladesh, na RPD de Coreia, Palestina, Congo, África do Sul, Grécia, Chipre, País Basco, França, México, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguay e outros, unindo as suas vozes e exigindo que seja o capital e não os trabalhadores a pagar os custos da actual crise do capitalismo.
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Espanha

Para o mesmo dia 29 deste mês, os sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral que, tudo indica, irá registar uma grande adesão, face ao sentimento generalizado de protesto contra as medidas anti-sociais do governo do "socialista" Luís Zapatero, em obediência às directrizes da UE de sacrificar ainda mais os trabalhadores, já a braços com a maior taxa de desemprego da zona euro.

Europa
A Confederação Europeia de Sindicatos, pressionada pela degradação acentuada da situação social em numerosos países europeus, em resultado da nova ofensiva neoliberal comandada pelo FMI de mãos dadas com a Comissão Europeia, tem marcada para o mesmo dia 29 deste mês uma jornada europeia de lutas, convocadas pelas centrais sindicais suas filiadas.
Delegações sindicais de toda a Europa irão marchar nas ruas de Bruxelas para protestar contra as medidas de supressão de direitos e o roubo nos salários. Acções e movimentos de protesto estão previstas, para além das já mencionadas em Portugal e Espanha, na Grécia, em Itália, Letónia, Lituânia, República Checa, em Chipre e na Polónia, contra idênticas medidas de austeridade para quem trabalha, a destruição de direitos conquistados, contra o desemprego, a precariedade do trabalho e as desigualdades sociais que se aprofundam, lançando na miséria milhões de cidadãos europeus.
Conclusão
Deste balanço, embora parcial e incompleto, resulta evidente que se aproxima um novo período de ascenso das lutas dos trabalhadores por toda a Europa. Tornam-se relevantes as novas iniciativas para articular as lutas nacionais - desde já no próximo dia 29 -, visando unificar em todo o continente o protesto, a luta e a resistência dos assalariados no combate à nova vaga neoliberal que o capital internacional tem em desenvolvimento na UE, servido pelos seus fiéis governos de serviço. O sucesso e o êxito dessas propostas de unificação da luta dependem directamente da capacidade organizadora e mobilizadora dos sindicatos em cada país, em cada região, em cada sector de actividade, em cada empresa e local de trabalho. Da estreita ligação dos dirigentes aos trabalhadores por eles representados, da energia e determinação que colocarem na sua actividade de esclarecimento e mobilização, da confiança na capacidade transformadora da luta dos trabalhadores quando unidos e mobilizados, muito vai depender o curso próximo da luta de classes no velho continente, os seus êxitos e sucessos, a sua continuidade e um novo ascenso, por parte dos explorados, a superiores patamares de consciência política de classe . A luta, continua!

2 comentários:

Sopro leve disse...

Enquanto acontecem estas lutas, justas, pelo mundo, os nossos meios de comunicação socia passam horas a falar do seleccionador nacional, e a chamar de vandalos todos os que lutam pelos seus direito... mas que havemos de faze, senão continuar a lutar.

Nelson Ricardo disse...

Quanto mais acentua a crise, mais se desenvolve a luta dos trabalhadores, isso é bom, mas há que ter em conta que a Confederação Europeia dos Sindicatos é um instrumento do Capital para conter a luta dos trabalhadores e que estes devem extravasar as "margem" que a eurocracia lhes tenta impôr. E também que a luta dos trabalhadores não se pode esvaziar na luta económica, mas que a luta política é da maior importância para que os trabalhadores sejam a parte forte na relação laboral.

Um Abraço!