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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Portugal: Com a ofensiva neoliberal, vem a caminho o regresso aos governos do "Bloco Central"?

Como uma nova componente política da situação que o país atravessa, marcada por uma violenta ofensiva dos meios do grande capital contra os assalariados e outras camadas produtivas, tudo parece apontar que já esteja a caminho uma nova coligação de governo do velho Bloco Central. Os últimos desenvolvimentos verificados nos posicionamentos do PS e do PSD assim o demonstram: o primeiro, convidando adoçadamente o segundo, para publicamente partilharem responsabilidades na tentativa de imporem novas e muito graves medidas anti-trabalhadores para favorecimento da acelerada e brutal concentração do capital; o segundo, aceitando docilmente os convites e prestando-se a sancionar todas as medidas anti-nacionais planeadas pelo governo do primeiro.


Se nos recordarmos, não há muito tempo, ambos se "digladiavam" no palco da encenação política, trocando acusações, armadilhando golpes de bastidores por intermédio dos meios de imprensa que influenciam, explorando publicamente os podres respectivos, nos actos de corrupção, nos processos "judiciais" sucessivamente propagandeados e arquivados, etc, etc. Enfim, não há muito tempo, PS e PSD afivelavam a máscara de "opositores" e até, na gíria mediática dos seus escribas de serviço, estavam consolidadas as suas respectivas designações nesse teatro político, um figurante como "o partido do governo", e, o outro, como "o maior partido da oposição" (isto quando este não era, olimpicamente, "a oposição"!).


Repentinamente, todo o cenário muda. Fazendo-nos esquecer as figuras de um inflamado e indignado 1°. ministro, procurando defender o governo na A.R. dos ataques do seu terrível "opositor", enquanto a liderança da "oposição" esgrimia as suas farpas envenenadas, visando desacreditar o governo. De facto, com a (programada) ascensão de Pedro Passos Coelho a líder no último e recente congresso do PSD e, sobretudo agora, no quadro das necessidades estratégicas da actual ofensiva do capital contra os povos do sul europeu, tudo está mudado por vontade do grande capital que manipula os cordelinhos das suas marionetas em Portugal. Para os interesses do grande capital, parece que chegou a hora de mandarem que PS e PSD acabem com a fantochada mantida ao longo dos últimos anos.


Curiosamente, na Grã-Bretanha, uma sociedade e uma economia também em dificuldades mas incomparavelmente mais fortes que as portuguesas, os resultados das últimas eleições também determinaram o fim do bipartidarismo que já lá vigorava desde 1974, obrigando os conservadores a uma coligação governamental com os liberais e criando um facto novo na política partidária inglesa, no que diz respeito aos partidos do capital.


Parece relativamente claro que, para a actual estratégia de dominação capitalista nestes países, os círculos verdadeiramente dirigentes decidiram mudar os quadros políticos e, perante o risco eminente de grandes resistências e lutas sociais, com os trabalhadores e largas camadas populares a erguerem-se para lutarem vigorosamente contra o esbulho/roubo que está em curso, o exemplo da situação de luta social e política na Grécia parece ter acendido a luz vermelha nos gabinetes dos patrões da Europa, como uma séria ameaça de perigoso "contágio" e levando-os a ordenar aos partidos a soldo que o "filme" até agora exibido tem que mudar.


Em Portugal, na realidade e perante o enorme desgaste político do governo do PS, tudo parece apontar estar já na incubadora uma "nova" solução para assegurar a imagem de um governo robusto, a ser agora constituído pelos dois "maiores" partidos, de novo mais uma vez unidos e coligados.
De facto, verificadas já as mudanças de posições e atitudes descritas, o que falta? Faltará somente dar expressão prática para o exterior dessa "salvadora" solução para o país. Sendo assim, está a caminho o processo político público para o retorno, retocado com novos maneios de circunstância, de um novo/velho governo do chamado Bloco Central, desenterrando a solução há anos protagonizada pelo PS de Mário Soares.
Aliás, este mesmo malabarista político, há muito ao serviço do capital, já se derramou em grandes elogios às capacidades e traços do "rapaz do Ângelo Correia". Diz-me quem te elogia, e dir-te-ei para onde navegas...


Explorando a nova situação criada, e sobretudo antecipando-nos a uma muito provável confirmação próxima destes desenvolvimentos, torna-se desde já necessário, no âmbito da acção política dos comunistas e de outros democratas sinceros, intensificarmos a denúncia e o desmascaramento das anteriores falsas "guerras do arlequim e manjerona", protagonizadas até há pouco por PS e PSD, demonstrando que os actuais posicionamentos destes dois partidos da alternância do capital confirmam, eloquentemente e sem mais margem para dúvidas, estarem umbilicalmente ligados pela serventia comum às directrizes do grande capital internacional, contra os direitos e interesse nacional do nosso povo.
O processo histórico português, tal como os dos restantes povos da Europa do sul, um e outros determinados pelos respectivos percursos dialécticos, tudo nos indica que sofrerão acentuadas e aceleradas mudanças no curto e médio prazos. Estejamos atentos e preparados para elas e, se nos for possível, antecipemo-nos aos próprios acontecimentos em perspectiva. Daqui retirando grandes trunfos e vantagens tácticas, na nossa actividade de mobilização de forças e vontades num espectro político-partidário-eleitoral muito mais amplo.
Podemos - e devemos! - atrair e trazer à luta não já só os muitos milhares de trabalhadores votantes desiludidos do PS mas também desde agora os igualmente muitos milhares de eleitores descontentes com o inesperado(?) casamento deste dócil PSD com o PS, casório que o tornou inegavelmente conivente com as medidas de assalto do governo aos bolsos dos trabalhadores e aos pequenos rendimentos de uma vasta pequena burguesia em acelerado processo de proletarização forçada.
O contraditório quadro dos partidos do arco governativo das políticas de direita constitui hoje uma notória vantagem para o reforço da influência e da credibilidade políticas das posições revolucionárias dos comunistas e de outros patriotas portugueses sinceros. Saibamos usar esta vantagem habilmente, ao serviço dos interesses do nosso povo e em defesa dos direitos e conquistas dos trabalhadores.

7 comentários:

joão l.henrique disse...

Bom texto e do meu ponto de vista, análise política correcta.

Um abraço.

Anónimo disse...

Mais um texto a tresandar a revisionismo burlesco e esclorótico, e ainda há quem pense que esta gente é recuparável?

Anónimo disse...

Mais um texto a tresandar a revisionismo burlesco e esclorótico, e ainda há quem pense que esta gente é recuparável?

A CHISPA ! disse...

Caro Anónimo
Não se preocupe com aquilo que eu penso,e deixe-se da forma esclorótica e pseudo anti-revisionista, como faz os seus comentários. Participe e aprofunde o debate,talvês assim a sua intervenção possa ser mais proveitosa,com bocas,sinceramente penso que não vai a lado nenhum,como não contribui para o esclarecimento ideológico que é necessário travar,se é esse o seu desejo.
Você faz-me recordar um amigo que tive,gostava muito de conversar e mostrar-se muito "radical", mas quando as coisas começavam a exigir maior empenho e capacidade para levar as decisões ou até simples opiniões à prática,ele arranjava sempre algo para FUGIR,espero que não seja este o seu caso.
Ainda assim um abraço
"achispavermelha.blogspot.com"
A CHISPA!

Anónimo disse...

Peço desculpa mas quando me referi a crédulos, não tinha ninguém em partiocular em mente, mas em muita gente que por cá anda. Não fulanizo as opções políticas e trato-as sempre de forma abstracta e geral.

Nelson Ricardo disse...

A proletarização das classes mais baixas é o fenómeno socio-económico mais impactante desta crise. Criará uma nova mentalidade, seguramente, mas será ela revolucionária e progressista? Isso, é o que nós vamos ver e lutar para que aconteça.

Um Abraço.

Fernando Samuel disse...

Excelente texto.

Mas não se trata de um regresso: de facto, eles sempre lá estiveram...
(essa coisa do «Bloco Central» é que eu não compreendo: se é «central» deveria ter algo à sua esquerda e algo à sua direita - à esquerda, tem, mas à direita não veja nada...)

Um abraço.