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quinta-feira, 1 de julho de 2010

A luta de classes, na Grécia, continua!

Contra os métodos mais sujos do capital
Grande êxito da greve do PAME
A experiência da dura luta de classes é valiosa
Com este título, o PC Grego (KKE) tomava ontem (30/6) posição num comunicado de análise e saudação ao êxito desta nova greve convocada pelo PAME (a sua décima-primeira greve em seis meses!), realizada anteontem(29/6) e que registou uma grande adesão, trazendo de novo para as ruas das principais cidades da Grécia muitos milhares de trabalhadores em greve, como ocorreu na manifestação de Atenas, com dezenas de milhares de manifestantes.
Enquanto no lado oposto da luta de classes, no passado fim-de-semana, os dirigentes políticos do capital mundial se reuniam em Toronto, no Canadá - primeiramente, os do G-8 (ressuscitado!), depois alargados aos do G-20 - para, pela enésima vez, tentarem conciliar os inconciliáveis interesses inter-imperialistas que todos defendem. Aos olhos dos povos ficou mais uma vez a nu que os governos do grande capital não aceitam limitações na actividade predadora deste, das riquezas e da força de trabalho mundiais, ao mesmo tempo que revelam o carácter irreformável do capitalismo, incapazes de alterarem a rota do sistema para a catástrofe e para a barbárie.
Este comunicado do KKE termina com um apelo à solidariedade de combate e à coordenação das lutas dos trabalhadores dos países que estão sob a violenta ofensiva das forças e governos ao serviço do grande capital, como são os casos de Portugal, Espanha, França, Itália, Roménia, entre outros. Um chamado que decerto não ficará sem resposta.
Pela sua relevância política, no actual contexto da importante luta em curso nos países da UE, abaixo se transcreve o comunicado do KKE.
O êxito da maciça greve da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), em 29 de Junho, adquire um significado ainda maior, uma vez que enfrentou uma das mais sujas operações contra o movimento operário. A 11ª greve das forças com uma orientação de classe num período de seis meses paralisou fábricas, locais de trabalho, portos, estações de comboio e aeroportos em todo o país. Piquetes de greve foram montados em frente a inúmeros outros locais de trabalho .
O porto do Pireu, mais uma vez, tornou-se o local do mais duro confronto de classes. Os sindicatos de classe dos maquinistas e engenheiros da marinha mercante e as forças do PAME resistiram valentemente e garantiram a greve. Apesar da intimidação exercida pelo governo social-democrata, pelos armadores e pelos outros partidos burgueses, a greve teve um enorme sucesso. Essas forças utilizaram os mais sujos métodos, tais como:
-Decisões judiciais, declarando a greve ilegal;
-Mandatos de detenção contra os sindicalistas do PAME e os dirigentes dos órgãos dos sindicatos de marinheiros;
-Atentado terrorista à bomba contra a sede da direcção da PAME em Tessalónica, um dia antes da greve, visando a intimidação das forças de classe;

-Intimidação, repressão e uso de gases lacrimogéneos pelas forças repressivas da polícia e do corpo da polícia portuária. Apesar disso, não conseguiram impedir que as forças com orientação de classe entrassem no porto, a fim de proteger a greve. As forças da PAME conseguiram bloquear a saída da grande maioria dos navios. Alguns navios deixaram o porto "com a arma apontada à cabeça das tripulações", embora sem passageiros e veículos! Na verdade, eles navegaram obrigados pelas forças da repressão, que agrediram e feriram alguns trabalhadores. As tripulações dos navios desempenharam um papel crucial, apesar das ameaças dos armadores.

-As mentiras da média burguesa propalando que a PAME e as greves prejudicam o turismo e não impedem a disseminação da pobreza, originada pelas medidas do governo.


Estes métodos tiveram a resposta imediata das forças com uma orientação de classe e que defenderam a greve com sucesso, com a determinação e a disciplina das dezenas de milhares de trabalhadores que participaram na greve.
Além disso, dezenas de milhares de pessoas participaram também na manifestação da greve da PAME em Atenas e que teve lugar frente ao Parlamento, bem como nas manifestações realizadas em outras 60 localidades em todo o país, contra as medidas destrutivas que visam aumentar a idade de reforma, reduzir salários e pensões, liberalizar os despedimentos, aumentar os impostos, flexibilizar as relações de trabalho, congelar salários por três anos e abolir os 13° e 14° meses.

"Eles legitimam o crime contra os nossos direitos de segurança social, a pilhagem de uma grande parte dos nossos salários. Os saqueadores estão acusando as vítimas do saque de resistirem e lutarem contra os saqueadores e criminosos. A nossa resposta é a sua legitimidade: a lei é a dos direitos dos trabalhadores e não dos lucros dos capitalistas. Por esse motivo, eles sempre terão de se confrontar connosco", sublinhou Yiannis Tassioulas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, membro da coordenadora da manifestação.


A concentração da greve do PAME em Atenas dirigiu um apelo de classe e internacionalista à classe operária e aos sindicatos militantes na Europa, a todos os sindicalistas europeus que lutam contra a feroz ofensiva anti-trabalhadores, para coordenarem a luta e rechaçarem a CES colaboracionista e todas as forças que têm desarmado o movimento do operário através da política de conciliação, de colaboração de classes e de submissão.
A experiência destas duras lutas de classes faz com que a luta por mudanças radicais seja ainda mais urgente. A classe operária produz a riqueza e deve reclamá-la. Os meios de produção, a riqueza devem passar para as mãos do povo. Este objectivo pode reforçar a luta e dar-lhe um novo impulso.

Aleka Papariga, Secretária-Geral do KKE, perante os manifestantes em Atenas, afirmou: "Só temos duas opções: ou a submissão fatalista à pobreza e à miséria, que alastrará ainda mais, ou contra-atacar com coragem e persistência e lutar pela prosperidade social do povo". Tem toda a razão.

5 comentários:

Criacuervos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Criacuervos disse...

Quero dizer, em meu nome e em nome de todo o povo daqui da República Monegasca, este flanco francamente democrático mundial, que nós solidarizamos com o povo grego e as reivivindicações do senhor Aleka Rapariga!!

A CHISPA ! disse...

Comparando as afirmações de Aleka Papariga e as formas de luta que o KKE,tem adoptado contra a ofensiva capitalista,com as propostas que a Direcção do PCP elaborou em 28 de JUNHO,há uma diferença,como da NOITE para o DIA,não acha FILIPE?
Não é por acaso que o governo em Portugal, em face das poucas formas de luta que as centrais sindicais e os partidos da esquerda do sistema têm convocado contra a sua politica, já vão fazendo saber que querem reduzir o déficit público para 3% até 2011 e 2% em 2012.
Concerteza que se se mobiliza-se os trabalhadores,como faz a PAME e o KKE na Grécia, e o governo português fosse confrontado com o mesmo tipo de oposição,decerto que não mantinham tamanhas expectativas.
Não se esqueça da frontalidade e do exemplo que Lénine nos legou, acerca do combate que é necessário fazer contra o oportunismo e contra os lacaios que estão ao serviço do desenvolvimento do sistema capitalista.

Um abraço para si,Filipe
"achispavermelha.blogspot.com"
A CHISPA!

A CHISPA ! disse...

Estive a lêr o CHAMAMENTO que a PAME, faz aos trabalhadores da Europa, para que lutem contra a ofensiva capitalista em curso. Trata-se de um autêntico GRITO de guerra e ao desenvolvimento da luta de classe, contra o imperialismo.
Concordamos com todas as suas denúncias anti-capitalistas, bem como as que faz sobre o colaboracionismo dos burocratas sindicais,com os governos e com a classe capitalista em cada país, acusando-os de serem os responsáveis pelo estado de atraso em que se encontra o movimento operário, bem como pelas conquistas que a classe operária já perdeu,bem como com todos os objectivos politicos a que se propõem a lutar.
Comparando este Manifesto da PAME com as posições dos dirigentes sindicais da CGTP e da UGT há uma diferença, como do PRETO para o BRANCO.
Conhecendo as suas simpatias pelas posições anti-capitalistas consequentes da PAME e caso concorda-se com o seu Manifesto,não acha que está na altura de se desmascar o oportunismo e a colaboração de classes que reina no nosso movimento sindical.
Um abraço para si, Filipe

"achispavermelha.blogspot.com"
A CHISPA!

Anónimo disse...

A crise actual veio demonstrar com toda a clareza que, enquanto as lutas dos trabalhadores forem conduzidas por partidos e sindicatos decadentes quer ideologicamente quer nas suas formas de luta contra os seus inimigos de classe, estão condenados à derrota e ao fracasso. É inexorável esta lei da história e o revisionismo moderno não pode ser excepção, seja em Portugal, na Grécia ou em qualquer parte do mundo.