SÓ NÃO SE ENGANA QUEM CEDE AO MEDO DE CAMINHAR NO DESCONHECIDO - SÓ SE PERDE AQUELE QUE NÃO ESTÁ SEGURO DO RUMO QUE ESCOLHEU.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Prossegue nestes dias a criminosa ofensiva militar de Israel sobre a população da Faixa de Gaza, subindo diariamente o número de mortos e estropiados, centenas deles mulheres e crianças, face à hipocrisia dos governos ditos "ocidentais", à falencia política e moral da Autoridade Palestina e ao colaboracionismo genocida de vários estados árabes da região. Esta nova agressão sionista do estado de Israel, sobre o há muito martirizado mas heróico povo palestino, desta vez desencadeou por todo o mundo a realização de manifestações de condenação de Israel e de solidariedade com a causa palestina, que atingiram dimensões só comparáveis ás que antecederam a guerra e invasão no Iraque. Não se trata já de manifestações nas capitais de quase todos os países, algumas delas ultrapassando a centena de milhares de manifestantes, mas também em numerosos casos dezenas de manifestações em várias cidades de cada país, e que não param de ser diariamente convocadas em novas localidades. A selvageria da agressão sionista, as afirmações mentirosas e cínicas dos governantes sionistas, decerto tem contribuído muito para este vigoroso movimento mundial de repúdio de tantos milhares em tantas cidades. Entretanto, é minha convicção que muito também contribuiu o gesto de revolta e de dignidade de Muntazer al-Zaidi, lançando os seus sapatos sobre Bush. Este gesto de rejeição, de subversão do poder estabelecido, precisamente do poder mais brutal e desumano da mais forte potência imperialista, estará decerto a repercutir como inspiradora das atitudes de milhões de pessoas. A história do combate bíblico entre David e Golias - tão próximo das culturas dos povos do Médio Oriente -, assim como o conto - este bem mais "ocidental" - do menino que, perante o silêncio reverente da multidão de súbditos, grita "o rei vai nú!", acredito que são fontes mobilizadoras nestes jornadas que todos estamos vivendo.
São exemplos de ousadia que tendem a multiplicar-se. Há poucos dias atrás, dei comigo a pensar isto, quando deparei com a notícia que relatava que uma trabalhadora das artes, em pleno acto propagandístico do chefe Sócrates, no Palácio Foz, se levantou e ergueu a voz para o interromper e contestar as afirmações daquele execrado governante. Estou convictamente persuadido que a sua atitude foi inspirada pela de al-Zaidi. Não fiquei a conhecer com rigor as razões do seu protesto, e muito menos quais as consequências que o seu acto lhe vai acarretar. Ignoro se é uma comunista ou pessoa com convicções de esquerda. Afinal, o que é verdadeiramente importante no episódio é simplesmente o facto de ter ocorrido, pelo seu valor de exemplo de contestação corajosa, que oxalá continue a multiplicar-se.
São afirmações práticas da relevância do "factor subjectivo" como estas que vão construindo a estrada das "condições objectivas", por onde avançará a tal ruptura política que defendemos, ruptura que cada dia mais claramente nos aparecerá com as suas reais características revolucionárias. E, como afirmava - e decerto continua afirmando - um camarada nosso, numa iniciativa de debate recente, "o primeiro dever de um revolucionário é fazer a Revolução". Não será assim? A mim parece-me tranquilamente óbvio que assim é.

1 comentário:

Mestrado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.